E quando o Natal é longe da família?

Fim de ano de pra mim sempre foi marcado com infinitas confraternizações, espetáculos, formaturas, um corre corre sem fim delicioso. Naquele intervalo de almoço, um mergulho no mar; naquele paciente que desmarcava, uma água de coco ou um sorvete com aqueles encontros casuais e providenciais. Cheiro de férias… Que delícia! Difícil me imaginar num universo diferente. Porque até nos momentos de dor, nunca desisti de viver essas maravilhas, pois elas me reerguiam. Até que um dia eu me deparei com o medo de não sobreviver a ausência de tudo isso. E foi ótimo! Porque a gente só sente esse desconforto quando construímos um caminho de sentido e não desejamos sair dele.

“Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez…” De repente esse trecho veio pra mim num outro contexto. Não sentia que as férias estavam chegando, não tinha sol, não tinha praia, as festas desapareceram e eu estava sozinha. Dezembro de 2016, inverno na Europa, infinitos trabalhos pra entregar, minhas amigas indo pro Brasil e eu aqui. Eu chorei o advento todo. Ligava pra minha mãe infinitas vezes, tinha irritação profunda com os ventos gelados, mas foi só chegar o dia 24 que tudo se fez novo. A minha solidão me devolveu ao sentido máximo desse tempo. Jesus nasceu. Eu participei da minha primeira missa do galo oficial, meia noite. Sem antecipações. Eu abracei todas as pessoas que eu não conhecia, mas desejava profundamente um Feliz Natal! Eu beijei o Menino Jesus com tanto carinho. Todos os medos caíram por terra. Recebi convite de um 25 com a família de uma amiga de última hora. Recebi um presente de ter a chance de passar o Réveillon em Barcelona com uma amiga de infância que simplesmente apareceu na Europa e foi casa pro meu coração. Tudo aconteceu sem milhões de programações.

E 2017 chegou surpreendentemente. Porque eu me permiti uma nova chance. Eu fui bem fundo no convite do estar só que me mantém conectada com o que é essencial e me multiplica. Eu saí do comodismo do tudo igual pra ressignificar padrões e fazer brilhar a esperança. Eu entendi que a solidão é amadurecimento. É poder planejar a própria viagem sem todos os bilhetes comprados, é sonhar e tomar algumas decisões já no caminho, porque a flexibilidade permite encontros.

Que o seu Natal seja simplesmente um nascer de novo! O Deus Menino está a caminho. Ele fez maravilhas sendo absolutamente simples. Sua maior fartura foi de Amor. Que você possa simplesmente agradecer tudo que a vida lhe proporciona, resgatando a pureza, o brilho no olhar, valorizando quem está ao seu lado, e até mesmo quem não está mas já esteve e colaborou pra que você crescesse! Natal é vida. Lágrimas e sorrisos que constroem Verdade! Celebre em Paz. Construa. Permita-se!

 

Juliana Sant’Anna dos Santos Veras Mourão

Carioca em Terras Portuguesas. Psicóloga, Logoterapeuta, e estudante de Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade de Coimbra. Comprometida com a alegria, apaixonada pela vida e voos livres. 28 anos de muita intensidade e sensibilidade. Transborda em palavras, dança, cuidado e amor. Aprecia arte e se alimenta da mesma para ressignificar e renovar o sentido da existência. Apaixonada pelo mundo e possibilidades de encontros. Sempre de malas prontas pra ir além!

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