Carta aberta a você, querida gestante!

Querida gestante,

Eu queria poder dizer que será fácil, que será como você sempre sonhou, que nada irá mudar, que você não irá mudar, que as mudanças no corpo não incomodam, que os pensamentos não atrapalham, que a insegurança nunca irá te perturbar.

Queria dizer que você nunca sentirá medo, que as lágrimas serão sempre de alegria, e que você sempre se sentirá plena.

Que você nunca se sentirá sozinha, pois nunca mais será uma só!

Queria poder falar que com o tempo tudo fica mais leve, que as decisões são fáceis de se tomar e que você estará sempre tranquila.

Mas não…

Nunca, nenhum dia será fácil. Mas a cada diz renascemos como fênix, nos reinventamos, somos abastecidas de um amor sem igual.

Você nunca mais será a mesma, mas sempre será melhor, ainda que duvide disso e se questione. Você sempre será o que há de melhor para seu bebê, ainda que, por dias e dias, não se sinta assim.

Algumas vezes você não se reconhecerá ao olhar no espelho, e buscará aquela que um dia você foi. Mas se emocionará com o crescer da barriga, e também desejará que o tempo passe logo no final para se “livrar” dela. E, logo depois, sentirá saudade dos dias em que sentia seu bebê crescer dentro de você. Pode ser que, assim como eu, você sinta até carinho por uma pequena estria que ficou, pois ela é a marca de que um dia eles estiveram ali.

A cabeça nunca irá parar de pensar. Será que vou dar conta? Como serão os dias?

Será que ele é tranquilo? E se tiver cólicas? E se não dormir à noite? As respostas estão todas ali, basta confiar! É visceral, instintivo, maternal.

Você idealizará um tipo de parto, mas perceberá que o mais importante é tê-lo saudável em seus braços. E depois descobrirá que a amamentação é muito mais sobre entrega que técnica. Você é capaz. Você é capaz, inclusive, de reconhecer seus limites.

Não será nada fácil. O choro virá pelo cansaço, pela solidão, pela exaustão. São os hormônios que, ao mesmo tempo que nos deixam loucas, são responsáveis pelo milagre da vida, do nascer, do amamentar. Também pela saudade do que éramos e pela expectativa do que virá. Mas você nunca viverá nada igual. Ser mãe também é se entregar e permitir o novo.

A dúvida e a culpa passam a ser companheiras. Seus braços ficarão cansados, seus cabelos permanecerão amarrados, você pedirá um descanso. Mas basta alguns minutos distante para bater aquela saudade e desejar tê-lo novamente em seus braços, olho no olho, pele com pele.

Você implorará para dormir uma noite inteira, mas, quando isso acontecer, acordará diversas vezes para ter certeza que está tudo bem! Você pedirá inúmeras vezes para passar logo, e segundos depois pedirá ao tempo que seja generoso, e que passe devagar.  

Mas…

O tempo voa, eles crescem, e a gente se transforma. Esse é o milagre do amor.

 

Nany Taniguchi, 33 anos. Desde que decidiu ser mãe, a jornalista iniciou um processo de autoconhecimento. Como resultado surgem pílulas, textos, poesias, reflexões e desabafos sobre a maternidade. Estes surgem espontaneamente, como se as palavras tomassem forma e vida de modo independente. É a emoção e inspiração que conduzem seu processo de escrita.

Atualmente, assessora de Comunicação e pesquisadora na área da Comunicação em Saúde. Apaixonada pelo tema. Mãe do Arthur e do Lucas, frutos de uma relação baseada no companheirismo, amizade e amor.

Editora do Ig Pé de Fralda @pedefralda.

 

 

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  [email protected].

Um comentário sobre “Carta aberta a você, querida gestante!

  1. “A dúvida e a culpa passam a ser companheiras. ” Não acho muito estimulante uma declaração destas para as futuras mamães por aí… mesmo que isso seja verdadeiro. Mas ainda assim vale pela sinceridade e pelo tom “à queima roupa” do texto. Abraço!

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