No fim das contas, estamos todos sozinhos

É importante ter boas companhias, mas seja sempre a sua melhor companheira. É assim que eu penso desde que eu resolvi sair da casa dos meus pais para viver sozinha, num estado diferente, com pessoas completamente desconhecidas. Sei que não sou a primeira nem tão pouco a última a querer viver algo novo e correr atrás dos seus sonhos, no entanto isso me faz pensar sobre muitas coisas.

Uma dessas coisas é saber que se você não fizer, não irão fazer por ti. Não adianta, se você quer algo, deve tirar a bunda da cadeira e agir. Quando eu estava no ensino médio, chegava em casa e encontrava meu almoço pronto pra ser servido, meu quarto pronto pra ser bagunçado de novo, de tão arrumado que estava e minha mãe disposta a me fazer companhia na mesa enquanto eu estivesse ali.

Ade repente, eu me vejo sendo responsável por fazer minha comida, caso eu queira ter uma refeição decente, ao mesmo tempo que tenho que fazer a minha bagunça para encontrar a minha roupa preferida, que antes aparecia milagrosamente (ou mãe-zamente) no meu cabide, não tirar o olho do relógio se eu não quiser me atrasar, já que não tenho ninguém para me lembrar que faltam só 15 minutos pro ônibus passar e ao chegar, para minha in-felicidade, tudo esta lá, as roupas no chão, os pratos na pia, os sapatos virados, tudo como deixei.

E, por mais que eu e ela quiséssemos, a minha mãe não está aqui pra fazer mais nada por mim. Se eu estou reclamando? Óbvio que não! Acredite você, mas cuidar de mim mesma é a melhor coisa que eu posso fazer na vida, tendo em vista que, uma hora ou outra todos nos temos que assumir esse papel de ser nossas próprias mães, seja pelo amor ou pela dor, até que nos tornemos mães de outros seres e voltemos nossa atenção para eles, como fazia nossas mães por nós.

Porque e justamente isso, no final estamos todos sozinhos. O cuidado da sua mãe não é eterno, por mais que ela queira te ninar no colo pra sempre, o seu casamento de 20 anos pode acabar, sua melhor amiga vai morar longe de você, seus irmãos se casam e só tem tempo para a nova família, e seus filhos crescem e voam pra fora do ninho. E a única coisa que você fazer é instruí-los a serem cada dia melhor, a fazerem sua própria comida, lavarem suas roupas, serem responsáveis pelo seu trabalho e determinados para fazer aquilo que quiserem ser.

Porque no fim do dia, você é sua própria companhia, e talvez seja assim para o resto da sua vida. Claro que não é egoísmo ou egocentrismo querer estar para sempre só, mas é sobre se amar tanto a ponto de estar pronta para uma partida inesperada, estar pronta para perder o cuidado de uma mãe ou o companheiro de um bom vinho às sextas à noite. É sobre entender que ninguém é obrigado a ficar para sempre num determinado lugar, que somos livres para voar e fomos feitos para isso. É sobre respeitar o seu espaço e o do outro. É sobre amor próprio. Independência. Altruísmo. Determinação. É sobre ser você e para você nesse mundo tão vazio. Apesar de ter uma companhia, seja você, a melhor delas.

 

Mari Carvalho, estudante de jornalismo, é uma baiana arretada que atualmente vive na Paraíba. Solteira, acredita que está cada dia mais perto de encontar o amor da sua vida (se é que ele existe). Dona de uma fé inabalável, consagrada da Virgem Maria e devota de Santa Rita de Cássia. Desde criança sempre amou escrever, e acredita que tudo, ou quase tudo se resolve com a boa comunicação.

 

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