Mães também precisam de um momento sozinhas

 

É muito fácil romantizar a maternidade. Sério, olha essa carinha! Os meus olhos misturados à boca do meu companheiro! As gracinhas, o olhar encantado de quem olha pela primeira vez o mundo. É fácil sentir esse quentinho no peito e falar “puxa, é o maior amor do mundo”. E é! Mas não é só isso. Sabe o clichezento “no pain, no gain”? Aqui tem muito pain envolvido!

Eles viajaram esse feriado. Eu pedi essa viagem no ano passado. Pedi que eles fossem passear num feriado pra que eu ficasse em casa sozinha. Eu não levantava da cama na hora que eu queria há mais de dois anos. Eu saí e sentei numa mesa de bar sem pressa, sem culpa pela primeira vez em 2 anos. Eu tomei um café da manhã às 11 horas! Se ela estivesse aqui, a gente já estaria almoçando! Eu andei de pijama pela casa, falei sozinha, liguei a TV e não estava no canal infantil. E também coloquei num volume acima de 8 porque não há ninguém que possa acordar com o barulho.

A gente sabe que eles crescem rápido e, daqui a pouco, essas pequenas coisinhas voltarão pra nós e teremos uma saudade profunda no peito. Mas ter ilhas desses pequenos luxos cotidianos é um prazer gigante! Quando decidimos que eles iriam, em volta de mim aconteceram coisas interessantes. Mães me perguntaram se eu não me sentia culpada de deixá-la viajar sem mim (já viajei só com ela muitas vezes e aposto que ninguém nunca perguntou isso ao pai). A porteira me olhou e disse “nossa, queria ter sua coragem de deixar meus filhos pequenos viajarem sem mim”. A pequena viajou com o pai, está rodeada de cuidados da família dele e parece que foi passar uma temporada no ártico porque a mãe coração gelado queria dormir! Rs!

A maternidade muda a gente profundamente. Mas a base do que a gente é continua aqui. Eu amo ficar sozinha, eu amo ir ao cinema sozinha, eu piro com a ideia de acordar, vir pro sofá de pijama e depois voltar pra cama. Essa foi a primeira noite que passei longe da Teresa em 3 anos. E me sinto bem! Me sinto feliz porque ela me ligou agora feliz, pulando na areia e me mostrando com alegria o que está fazendo longe dos meus olhos e das minhas asas. Ela acabou dizendo que me ama e deu um beijinho na tela do celular. E eu chorei! Chorei porque o maior amor do mundo está a 600 quilômetros de distância. E chorei porque o maior amor do mundo nunca deixará de morar dentro do meu coração, não importa a distância. E me enchi de paz porque eu continuo aqui, ainda gosto de ficar sozinha, ainda sou eu, embora seja toda ela!  

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  [email protected]

 

Ariana Pereira, 37 anos, jornalista, formada em teologia pastoral, servidora pública na TV Câmara de São José do Rio Preto e mãe da Teresa, que ensinou que a maternidade, como a vida, tem seus mistérios de luz e glória, mas passa pela via dolorosa e cotidiana. Divido essas impressões no instagram @arianapereira

 

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