Todas as mulheres serão mães?

Não. Nem todas as mulheres serão mães.
Porque a maternidade não é um direito, é dom, graça, mistério, milagre. Quem a busca como única solução de felicidade pode acabar frustrada.

A sociedade, que transforma o dom para além do direito, numa obrigação, cobra que todas as mulheres sejam mães. E se você já passou dos 30 e não tem filhos, sabe do que estou falando e talvez já tenha se sentido deslocada em parte do seu grupo social que só fala de roupinhas de bebê, chá de fralda, desenhos que entretém melhor, informações da creche, o preço da babá e as peripécias da meninada. Esse ambiente social oprime as mulheres que por várias razões ainda não são – ou nunca serão mães. Esse texto é, não só para as mulheres nessa situação, mas também para refletir com quem vive patrulhando as meninas a sua volta, com a perguntinha : “e ai, quando vai vir o bebê?”.

Você talvez não tenha ainda pensado em como é difícil para uma mulher que não pode ter filhos, encarar essa pergunta. Já pensou se a saúde dessa mulher, ou de seu esposo não permite que eles tenham filhos? Talvez ela ainda esteja em busca de constituir família, ou a vocação dela seja o celibato, mas as pessoas teimam em enquadrar todas as mulheres no estereótipo de “mãezinha”.

E infelizmente, esse constrangimento que viola a intimidade das mulheres não vem sozinho, nem se contenta com a resposta que confirma a infertilidade, pois depois de explicar a situação, a mulher ainda tem que ouvir o curioso dar suas dicas como se fosse médico, sobre como tentar a fertilização in vitro por exemplo, ou reprodução independente, ou ainda como se fosse advogado, explicar sobre a quantidade de crianças na fila de adoção.
Gente, vivemos na sociedade da informação, e um casal que não pode ter filhos possivelmente já se informou sobre o tema.  É desagradável ouvir os conselhos dos ditos “especialistas”, bem como os olhares de pena e comentários como “coitada, nunca vai ser mãe”.

A maternidade é dom de Deus, portanto não acontece num estalar de dedos, do dia pra noite, com hora marcada, para cumprir tabela e fazer checkin na rede social virtual . Eu brinco que gerar um filho é coisa das mais fáceis e mais difíceis que há. Fácil porque é preciso de apenas uma relação sexual. Difícil porque para gerar a vida, o ato deve ser realizado exatamente no momento em que a mulher está fértil ( o que corresponde a um dia no mês, por algumas poucas horas desse dia) .
A esterilidade não é castigo e nem o fim da vida: ela decorre de fatores genéticos mas pode surgir também com base no desenrolar da nossa história, que muitas vezes traz doenças específicas nos órgãos do aparelho reprodutor masculino e feminino. Se em determinada época há uma baixa produção de espermatozoides, por exemplo, o homem tem menor possibilidade de fertilidade.
Há milagres, claro!
Há curas, sim!

Há impossíveis que Deus pode mover. Na Bíblia, várias mulheres estéreis gestaram, inclusive na velhice, como Sara (Gen 16-18, Rebeca (Gen 25, 21) , a mãe de Sansão (Jz 13) e Isabel, (Lc1) por exemplo, a quem Nossa Senhora correu para acudir.
E há também a possibilidade de adoção, não por obrigação dos casais, mas por amor. É um direito. No Brasil, podemos recorrer ao Cadastro Nacional de Adoção, no site do Conselho Nacional de Justiça (cnj.jus.br) .
Viver pela fé é também acreditar que, se eu não posso ter filhos, não consigo adotar, Deus não se esqueceu de mim e tem um plano perfeito para a minha vida, ainda que sem filhos.

Penso que a gente pode ser mais solidário na vida dos casais que ainda não tiveram a graça de ter filhos. Mais gratidão a Deus por tudo, menos cobranças entre nós, por favor.

19 comentários sobre “Todas as mulheres serão mães?

    1. Oi Renata, obrigada por seu comentário. Que bom que gostou do texto, precisamos falar sobre as imposições a que nós mulheres somos submetidas e que tanto fazem mal para nossa vida plena.
      Te convido à leitura dos demais posts do nosso projeto Muitas Marias, e sinta-se à vontade para enviar o seu relato e seus pontos de vista sobre ser mulher para contato@muitasmarias.com .
      Cada mulher é única e com certeza tem uma vida repleta de histórias que merecem ser compartilhadas, para ajudar outras mulheres .
      Um abraço e paz
      Mari

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  1. Como é bom ler e ver que não estou sozinha no que penso sobre ser mãe. Segundo a minha médica, dentro de mim funciona tudo bem. Já não é o mesmo dito pelo médico do meu marido… Ele não pode!
    Por inúmeras vezes fui questionada (e ainda o sou) sobre o porquê de não engravidar. Ao responder, com outra pergunta me sou afrontada: por que não adota? E mais tantas outras ações.
    Tenho sido feliz assim. Sinceramente, não sei se vou me arrepender de algo, mas hoje tenho a convicção de que só consigo trabalhar bem lá na creche pois fui escolhida pra ser mãe de um tantão (168) ao mesmo tempo.
    Mais uma vez: agradeço o texto direto, confortante para a minha alma!!!

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    1. Oi Renata,
      obrigada por seu comentário.
      Nossa, você cuida de 168 crianças? Que bacana, esteja certa de que o fato de não ser mãe biológica não te faz menos mulher que nenhuma de nós, afinal a sua missão na creche deve trazer plenitude ne? Que bom que você contou isso pra gente, te convido à leitura dos demais posts do nosso projeto Muitas Marias, e sinta-se à vontade para enviar o seu relato ( afinal, como conseguir cuidar de mais de uma centena de crianças todo dia?) e seus pontos de vista sobre ser mulher para contato@muitasmarias.com .
      Cada mulher é única e com certeza tem uma vida repleta de histórias que merecem ser compartilhadas, para ajudar outras mulheres .
      Um abraço e paz
      Mari

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    1. Oi Marcela,
      tudo bem?
      que bom que amou o texto e manifestou sua opinião aqui.
      É um alento saber que não estou sozinha na minha realidade ainda sem filhos.
      Te convido à leitura dos demais posts do nosso projeto Muitas Marias, e sinta-se à vontade para enviar o seu relato e seus pontos de vista sobre ser mulher para contato@muitasmarias.com .
      Cada mulher é única e com certeza tem uma vida repleta de histórias que merecem ser compartilhadas, para ajudar outras mulheres .Qual é a sua?
      Um abraço e paz
      Mari

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    1. Oi Renata,
      tudo bem?
      Que bom que gostou do conteúdo desse texto, eu tenho visto muitas como nós, que são cobradas a todo instante pela patrulha da maternidade! Fico feliz que tenha se identificado e repassado às suas amigas.
      Um forte abraço e desde já muito agradecida por fazer parte do nosso time de conteudistas!
      Paz

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    1. Olá Sheila,
      que bom que o texto te levou a refletir!
      A proposta do nosso Muitas Marias é essa mesma, afinal, todas as mulheres infeliz ou felizmente não se encaixarão nesse padrão.
      Te convido à leitura de outros textos nossos, e também a participar conosco, enviando seus conteúdos sobre o cotidiano feminino. Vem fazer parte da nossa rede!
      Abraço e paz

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  2. Parabéns amiga! Excelente reflexão acerca da realidade feminina. Infelizmente vivemos em uma sociedade totalmente preconceituosa, que insiste em estabelecer “REGRAS IDEAIS” para a felicidade alheia, sem nem sequer dimensionar as particularidades de cada um.

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    1. Oi Jo,
      que bom que gostou do texto amiga!
      Você como psicóloga sabe bem como essa cobrança gera uma ansiedade que pode atrapalhar inclusive a concepção, ne! Obrigada por divulgar nosso Muitas Marias e fazer parte do nosso time que não vai se encaixar ao padrão de felicidade, beleza e sucesso promovido pela grande mídia.
      Abraço e paz

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  3. Muito bom o texto e o assunto, só ficou um pouco confuso sua conclusaão, pois o início levava a um caminho um pouco diferente da conclusão, afinal, o texto serve para refletir a fim dessa “obrigatoriedade” de que toda mulher deve ter um filho ou um alento para quem não pode ter filho por problemas médicos?

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    1. Oi Gabriel,
      muito feliz em receber sua crítica.
      A proposta do texto é refletir sobre as cobranças que as mulheres sofrem para ser mães, quando muitas vezes, a maternidade não é uma opção, seja por um problema médico, pela espera na fila de adoção ou pelas particularidades de cada mulher! Se isso não ficou claro, vou tentar melhorar no próximo texto.
      Te convido a ler nossos outros textos também, a gente acredita que para uma sociedade que respeite o valor de cada mulher é preciso mulheres e homens novos e conscientes.
      Muito obrigada por dedicar sua atenção e questionar esse conteúdo, assim a gente cresce junto!
      Abraço e paz

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  4. Texto magnifico que expressou o meu sentimento desde qdo descobri a dificuldade em ser mãe, que carga horrível que carregamos, parece uma carga de condenação e pena. Parabéns pela belas palavras.

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  5. Sou solteira e nos dias atuais é comum uma mulher de 35 ser mãe e não ser casada. Ouço muito isso, porém o desejo do meu coração é poder gerar filhos dando-lhes o que tive: pai, mãe e irmãos. Não tenho estrutura emocional e financeira para gerar um filho de qualquer jeito. Já me preocupei muito com isso porque o relógio biológico da mulher tem vida útil. Mas não me preocupo mais, pois hoje estou pela vontade de Deus. Se eu casar, com fé em Deus serei mãe. Se não, não terei filhos solteira e também não morrerei porque não casei e nem tive filhos. Meu futuro a Deus pertence.

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    1. Oi Amanda, paz!
      Que bom que você já tirou isso do rol de suas preocupações, nossa vida é uma benção, com ou sem filhos e esposo. É uma atitude sábia entregar a Deus o nosso futuro, afinal, nada podemos fazer para adiantá-lo.
      Espero que aproveite as outras reflexões do nosso Muitas Marias e participe conosco enviando artigos com seu testemunho de vida.
      Abraço e paz
      Mari

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