Sobre a delícia de fazer nada

Acorda. Checa o e-mail. O twitter. O facebook. O instagram. O snapshat. O periscope.

Faz comida. Ou não, não faz comida. Come no restaurante. Compra comida pronta – e saudável – e light – e orgânica.

Usa a roupa. Suja a roupa. Lava a roupa. Passa a roupa.

Leva menino pra escola.

Busca menino na escola. E no dentista. E no pediatra.

Marca o médico do marido (ou do pai, ou dos dois) . E desmarca porque ele não poderá ir – denovo.

Faz unha (pé e mão), cabelo (com óleo de coco, de argan, ou até azeite de oliva mesmo , mas o 100% virgem), tira sobrancelha,  sofre na depilação completa ( completa mesmo).

Dirige ao encontro do gato ou do outro gato ( o bicho) no veterinário.

E se maquia quase chegando, tô indo, parada, no semáforo. ( cuidado, ein gente!)

Caminha. Faz exercício. Na academia. Ou na rua. Ou a massagem modeladora. Ou qualquer outra coisa fit.

Faz o seu trabalho. Faz o dos outros. Faz o seu e o dos outros.

Leva bronca. Dá bronca.

Faz a phyna pra não jogar uma chinela na pessoa (ou o chinelo, dependendo da sua região geográfica ) .

Avalia o passado.

Vive o hoje.

Projeta o futuro.

Qual livro você está lendo?

Viu a nova peça em cartaz?

Vai na pré-estréia do filme do ano?

Já tá chegando para o show? Só falta você no camarote!

Paga as contas.

Faz compras.

Se arruma.

Bota o salto. Apertado. Mas lindoooo e na promoção. Mas apertado. Mas na moda e na promoção. Mas apertado.

Arruma um affair. Ele te desarruma.

Faz amor. Espalha amor. Vive o amor.

Agora pára tudo.

E experimenta fazer nada.

Tirar um dia pra você.

Aquele dia sem despertador, telefone, zapzap, nadinha… só você com seu pijama. Comendo tudo o que quiser. E fazendo nada. Sem tv, dvd, série, jornal, sem nem falar com ninguém – se conseguir.

A gente vive muito ligada no 220W, e MERECE se desligar.

Se curtir.

Sozinha.

Você com você.

Sem marido, filho, amiga, chefe, secretária ou agenda.

Você e seus pensamentos, sonhos, anseios.

Você com você.

Ai, que delícia! Pode ser difícil, pode ser doloroso, mas a gente precisa se encontrar com a gente, sair da rotina, do automático, dos imperativos de todo dia, para simplesmente SER a gente.

Seja você, descabelada, descalça, com aquela malha confortável, cara lavada, única, desenhada por Deus.

Aproveita e bate um papo com Ele.

No silêncio, se conecta com quem está todo o tempo te olhando, guardando, cuidando,  e você nem percebe.

1 dia em 365. (ou mais, por que sim!)

Dia de fazer nada.

E fazendo nada, avalia a sua vida, suas prioridades, seus erros. Desacelera sendo mais você e menos os outros e suas expectativas, e necessidades, e desejos dos outros. Que são dos outros, não precisam ser seus.

Dê isso pra você.

Se permita!

Depois  me conta o tanto que você ouviu de Deus, sendo apenas você.

6 comentários sobre “Sobre a delícia de fazer nada

    1. Oi Bruna!
      Que bom que gostou do texto!
      Experimenta fazer nada nesse fim de semana depois passa aqui pra contar pra nós os frutos!
      Eu tenho vivenciado que sempre temos coisas a fazer, e que não existe o dia ideal para se fazer nada, então nós que precisamos delimitar e fazê-lo acontecer na nossa vida.
      Um beijo , obrigada pela participação!

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  1. Texto muito bom…realmente estamos diariamente ligadas no 220 W, precisamos e é saudável termos este tempo de “desertificação”. Para que possamos pensar, refletir se aceitar, se amar, aprender a desfrutar da sua companhia e ouvir o que Deus tem a nos falar.

    Muito obrigada e Parabéns!!!

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  2. Estou começando meu dia agora… Tenho muitas das atividades descritas no texto a cumprir, muitas mesmo. Me cansei só de ler, não o texto, a freneticidade das tarefas, sem pausa, sem descanso, sem tempo pra um copo d’agua ou pra ir ao banheiro…
    E então veio uma vontade grande de frear, desacelerar um tanto e recomeçar de forma mais tranquila, menos automática, mais consciente, fazendo os intervalos necessários à minha condição humana. Refletir, ponderar, decidir… Sem “faca no pescoço” nem relógio fazendo contagem regressiva. Pausa para a vida e para o pensamento. Porque calmaria é bom também…e necessário!
    Parabéns Mariella por esse texto que nos convida a repensar nossa vida, nosso dia a dia, nossas atitudes, nossas escolhas.

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