O importante é ter saúde

Ter um bebê em casa não é tarefa fácil, ter um bebê em casa quando se está a quase 6.000 km de distância do parente mais próximo é algo mais difícil ainda! Durante os dias úteis somos eu e o Fred, juntos e sozinhos das oito da manhã às cinco e meia da tarde e nesse período muitas coisas acontecem: o telefone toca na hora da mamada, o leite derrama no fogo, ele acorda quando eu estou debaixo do chuveiro com a cabeça molhada e cheia de shampoo e por aí vai.

Graças a Deus tenho um filho saudável, cheio de energia e de demandas: trocar a fralda, dar mamadeira, fazer papinha, dar papinha, trocar a fralda, colocar o babador, ninar, já falei trocar a fralda? E tenho também uma casa (que ao contrário do que muitos pensam, embora seja nos EUA, não é autolimpante), tenho um marido (que me ajuda muito, mas também precisa de mim), tenho pais, irmão, sogra, amigos… tenho uma vida. E tudo isso, e todos eles, demandam tempo, energia e dedicação.

Esses dias me dei conta de que além de todas essas personagens e afazeres havia mais um indivíduo nessa história que não estava sendo lembrado: eu! Depois de um dia “normal”, era preciso cumprir mais uma tarefa: ir ao supermercado. Tomei um banho, troquei de roupa, deixei o Fred com o Gustavo, meu marido, e lá fui eu, rumo ao supermercado refazendo a lista de compras na minha cabeça.

Chego ao supermercado, faço o trajeto mentalmente, pego um carrinho e lá vou eu. Até aí tudo normal. De repente, me deparo com uma mulher, trinta e poucos anos, salto 15, maquiada, cabelo escovado, duas crianças a tira colo, impecável e ela, certamente se deparou comigo: trinta e dois anos, de chinelos de dedos, cabelo molhado (pois faltou coragem de ligar o secador), super cansada e tentando me convencer de que o importante era ter saúde! Fui caminhando pelos corredores e pensando no que eu havia me transformado.  Quanto tempo fazia que eu não passava um batom, que eu não olhava no espelho mais demoradamente, que eu não perdia um segundo para escolher melhor as minhas roupas… Me dei conta de que havia me entregue, completamente, às demandas do dia a dia e que tinha esquecido das minhas próprias.

Quem é mãe sabe que ir ao banheiro de porta fechada e conseguir mastigar o almoço ainda quente é algo como presente de Natal, mas comecei a me dar conta de que era preciso encontrar equilíbrio. Talvez aquela mulher tenha ajuda em casa, talvez ela estivesse indo ao supermercado após uma reunião ou, quem sabe, estivesse a caminho de um casamento e tivesse se lembrado de que a fralda do filho menor havia acabado; enfim, são muitos os “talvez”, mas a realidade é que o fatídico encontro me serviu de alerta.

Percebi que, quase todos os dias estavam sendo vividos de pijamas, com um coque mal feito e sem a mínima atenção às minhas demandas. Percebi, também, que, de alguma maneira, era preciso mudar a situação. Dormir meia hora mais tarde, pedir ao marido que estenda seu horário com o Fred, deixar a casa em segundo plano, encontrar forças em algum lugar na alma, mas é preciso mudar! É preciso mudar por mim, pelo meu marido, pelo meu casamento, para o bem da humanidade que não merece dar de cara comigo “daquele jeito” perambulando pela rua!

Muitas vezes, as desculpas para não nos cuidarmos são muitas: falta de tempo, de dinheiro, de conhecimento, mas tenho aprendido que, pra se estar bem, essas desculpas podem ficam em segundo plano. É claro que o sonho de muitas mulheres é usar aquele creme xyz que promete tirar todas as celulites num passe de mágica, mas que custa os dois olhos da cara e um rim. Porém, se você não tem acesso a ele, pode melhorar sua alimentação, investir em atividade física e ter bons resultados.

“Ah, mas eu não tenho dinheiro para uma academia…”. A rua é pública, gratuita e um excelente local para se andar ou correr. Pegue seus filhos, vão caminhar na praça, aposto que a meninada adorará a diversão.

“Não tenho dinheiro para procurar um nutricionista”. Sei que a internet não substitui o profissional, mas você pode encontrar várias dicas de profissionais que te ajudarão a perder peso, a melhorar sua alimentação e, por consequência, sua pele, suas unhas e sua saúde!

Quando penso em todas essas desculpas, não pensem que é porque eu já consegui me livrar de todas elas, muito pelo contrário, luto diariamente para encontrar equilíbrio entre as minhas demandas e as minhas necessidades: eu sou aquela do chinelo de dedos e dos cabelos molhados, lembra? Cada vez mais, tenho acreditado que esse seja o grande desafio da chamada “mulher moderna”: encontrar o equilíbrio entre carreira, filhos, vida familiar, comunitária e, ao mesmo tempo, ser chamada a não esquecer de si mesma.

Encontrei algumas pistas de como fazer isso, mas estou realmente longe de chegar lá, enquanto não encontro na minha estante de livros nenhum manual da mulher moderna: como ser fina, magra, linda e feliz em 10 passos, vamos, pelo menos, ter certeza de que os dois chinelos que estamos calçando são do mesmo modelo (conto essa outro dia!)

3 comentários sobre “O importante é ter saúde

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