Existe vida após o primeiro dente!

Uma das situações mais esperadas na vida de uma mãe é perceber que os dentinhos de seu filho estão aparecendo; afinal, qual ser humano não se rende a um sorriso desdentado com um ou dois pontinhos brancos?

O que muita gente não sabe é o que precede esse momento mágico.

Quando meu filho tinha quatro meses, começamos a notar que o volume de saliva que ele estava produzindo era muito grande.  Em uma de nossas visitas ao pediatra ele disse que era normal e que os primeiros dentes poderiam nascer entre os primeiros 3 e 12 meses de vida e que, sem dúvida nenhuma, eles são um marco importante no desenvolvimento dos bebês.

Conversando com algumas amigas, notei que os relatos eram bem variados: algumas diziam  que quase não perceberam sintoma nenhum, outras perceberam um pouco de irritabilidade – às vezes algum desajuste intestinal, mas nada muito relevante – e havia aquelas que viveram um verdadeiro calvário. Mal sabia eu que nós estaríamos nesse último grupo.

 Quando digo nós me refiro a todos aqui de casa, meus pais, sogros, padrinhos, vizinhos e quem mais tivesse acesso à minha timeline no facebook, porque chegou um momento que eu pedia ajuda até para quem eu encontrava na rua e todos me diziam: olhe, os dentes dele estão nascendo!

Além do aumento na salivação, logo após completar 9 meses, começamos a notar que nosso bebê não queria se alimentar direito. Apresentava oscilações entre diarreia e intestino preso e estado febril. A irritabilidade e o ato de levar as mãos aos ouvidos também chamaram a nossa atenção.

Sempre que falava com o pediatra ele dizia: “mãe é assim mesmo, tem crianças que sofrem mais e outras menos. Infelizmente o Fred resolveu sofrer bastante”. Diante da frase: “é assim mesmo”, comecei a criar estratégias para sobreviver a esse período de guerra.

Primeira coisa: se seu filho parar de se alimentar regularmente nesse período, não se desespere. Calma, você não perderá o título de masterchef das papinhas se ele se recusar a fazer algumas refeições. Não há nada de errado com você ou seu tempero. Minha sugestão: opte por alimentos que ele goste. Aqui em casa a rainha da vez era a banana. Eu tentava mascarar o gosto dos alimentos com um pouco de banana amassada e isso funcionou algumas vezes. Em outras eu tive de respirar fundo e entender que ele só iria tomar o caldinho do feijão e era isso. Não tente apresentar novos alimentos a ele nessa fase, já é muita informação para o pobrezinho assimilar e ele terá muito tempo pela frente pra testar novos alimentos.

Segundo: os brinquedos para coçar a gengiva ajudam muito, mas o que eu percebia é que, em alguns momentos, ele mordia esses brinquedos com tanta força que acabava se machucando. O que deu certo nesse caso foi oferecer pra ele um chupa-chupa (sacolé, geladinho, juju etc) feito com frutas que ele gosta. Coisa bem simples, só a fruta batida no liquidificador com um pouco de água (nada de açúcar! seu filho terá muito tempo pela frente pra experimentá-lo ) colocado por algumas horas no congelador. Algumas amigas fizeram o mesmo com leite materno; mas se você, como eu, não amamenta mais seu filho no peito, pode fazer com essa fórmula sem nenhum problema.

Terceiro: as mãos no ouvido. Durante um tempo eu comecei a pensar que meu filho, além do desconforto causado pelos dentes, ainda estava com dor de ouvido, mas não. Descobri que algumas crianças sentem a dor não somente na área em que o dente está “brotando”, mas em toda extensão do rosto e que eles coçam o ouvindo como se quisessem dizer: “está doendo aqui!”. Sob orientação de seu pediatra, veja se algum remédio para dor pode ser administrado. Cada pediatra segue um protocolo, então, fale com ele.

Febre e diarreia: No caso do meu bebê, a febre nunca foi alta, mas em alguns dias ele passava boa parte do tempo em estado febril. Na maioria das vezes um banho morno e um antitérmico funcionavam bem. Como febre em criança é sempre uma preocupação, nessas noites eu “queimava a língua” e o colocava pra dormir na minha cama (eu sei que eu disse que nunca faria isso – coloca mais essa na minha conta – junto com a galinha pintadinha e a chupeta). O que eu consegui perceber foi que, sempre que ele ficava com febre ou febril, as diarreias eram mais constantes e ele, que nunca teve assaduras, começou a tê-las. Mãe, nesse caso não tem jeito, percebeu que seu filho está com a fralda suja, corra pra trocar e não economize nas pomadas. Se a grana está curta, lave bem o bumbum do bebê, seque bem e use aquele truque das vovós: amido de milho.

O mais importante pra mim como mãe foi aprender a observar meu filho. Quando eu consegui me acalmar e perceber que tudo isso fazia parte do processo e que nós ainda viveríamos muitas aventuras, calvários e guerras juntos, eu precisei parar e começar de novo. Revi a alimentação dele, fiquei mais em casa, foquei meus cuidados dentro das minhas possibilidades.

Alguns dias depois desses sintomas começarem, descobrimos o porquê da intensidade, não era um dentinho que estava nascendo e, sim, dois! Posso garantir pra vocês que todas as noites mal dormidas, as preocupações com a febre, as assaduras e com a alimentação não são nada perto do sorriso banguela com dois pontinhos brancos!

Mãe, acredite, existe vida após o primeiro dente! Aproveitemos a calmaria até que venham os molares…

5 comentários sobre “Existe vida após o primeiro dente!

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