O silêncio que gera intimidade

Oi, tudo bem?

Gostaria de dividir com você uma realidade que vem me preocupando e me deixando, cada vez mais, com uma pulga atrás da orelha.  Oportunamente, há alguns dias, estava conversando com alguns amigos sobre a arte de cultivar o silêncio e lembramos uma famosa frase do Papa Francisco: “Entender os sinais dos tempos implica silêncio, reflexão e oração”.  

De fato, Deus vem até nós com muitos sinais e palavras; mas, muitas vezes, não percebemos por estarmos desordenados na nossa vida, extremamente inquietos, submersos em ruídos exteriores. Somos levados a ter uma relação com o mundo, onde convivemos com muitas imagens e sons, bombardeados com diversas informações. Na era da comunicação “express”, nossas relações também correm o risco de se tornarem “express”, não nos preocupando com a vida do outro (leia-se: pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho, de comunidade e de cada pessoa que nem mesmo conhecemos).

Devido a tanta correria, criamos inúmeras desculpas para não nos voltarmos para o outro, como por exemplo: “Estou sem tempo para ligar”. “E se eu ligar e ele estiver ocupado?”. “Vou deixar para outro dia porque hoje estou cansada”. Tantas e tantas desculpas que a nossa imaginação sempre arranja – distanciando-nos, cada vez mais, do outro.

Essa semana me deparei com um rapaz que acabou um relacionamento por mensagens, e o máximo que ele conseguiu foi escrever um e-mail, colocando tudo que sentia. “Oi? Querido, você não namorava aquela garota do pré-atendimento da operadora telefônica!” Brinquei com ele e disse: “Você tem noção do que você fez? De que estamos tratando de um ser humano que é a imagem e semelhança de Deus?” Ele ficou sério e lhe fiz mais uma pergunta: “O que você tem feito com o seu silêncio? Tem vivido a experiência de procurar se conhecer… saber quem você é?” Ele me olhou, baixou a cabeça e disse: “Eu nem percebi que essa conversa deveria ser olho no olho, estava sem tempo de encontrá-la e resolvi fazer assim”.

Sim, estamos, de fato, vivendo um tempo do descartável, estamos perdendo de vista o respeito e o cuidado com o próximo, a simplicidade e a real intimidade nos nossos dias. E isso também tem relação com a ausência do silêncio, de se ouvir para ouvir ao outro.

É a isso que me refiro, um silêncio que me faz perceber quem é Deus, mas também quem sou eu e quem é o outro com quem me relaciono. O silêncio que gera intimidade, que faz com que um simples olhar responda ao meu coração, que me faz entender o que esse mesmo coração me diz, que percebe a sutileza de Deus ao falar comigo. Estamos perdendo o essencial. Sem essa escuta interior, não há reflexão, não há a real percepção do que se passa em nós e ao nosso redor.

A partir disso, enumeramos uma série de questionamentos. E cada um de nós possui os seus próprios, podendo ser eles: “O que tem roubado meu tempo?”, “O que é êxito na minha história?”, “Tenho buscado pessoas mais experientes e orientação para me ajudar nas minhas necessidades cotidianas?”, “Que tipo de vida escolhi?”, “Como está a minha intimidade com Deus?” ou “Como está a minha relação com o outro?”.

Confesso que, depois que refletimos sobre essas e outras indagações, dá vontade de sair correndo, sentar e silenciar por dois dias até colocar a mente, o coração e a alma em harmonia.  

E você, o que tem feito com o seu silêncio?

Um cheiro na alma

FullSizeRenderJuliana Gurgel

Uma Filha amada de Deus, cearense com uma veia paulistana, casada, turismóloga, sonhadora, realista, em processo contínuo de construção, que luta pelo fomento do seu estado, preocupada com a qualidade, sustentabilidade e o atendimento, voluntária em projetos da Igreja Católica e envolvida com os movimentos de Jovens Empresários, empresária, produtora de eventos por amor e vocação, apaixonada pela vida e louca por viver cada dia próxima dos que ama e ajudando nos detalhes a fazer um mundo melhor.

7 comentários sobre “O silêncio que gera intimidade

  1. Na verdade é a comodidade, preguiça junto com a frieza tecnológica que as pessoas acabam relacionamentos por email/telefone ou (o pior de todos) mensagem SMS de celular. É preciso ser corajoso para fazer a coisa certa (olhar no olho e conversar francamente sobre os sentimentos).

    Ficar pelado com alguém na cama não é intimidade. Falar abertamente sobre os sentimentos que é, SIM, intimidade. E muitas pessoas confundem estas 2 coisas. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Victor,
      É isso mesmo, penso que estamos nos perdendo nos valores e já não sabemos o que é intimidade, liberdade e nem mesmo, cumplicidade….
      Obrigada pela sua contribuição!
      Um cheiro na alma!

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