Bloquearam o WhatsApp! Menos, Batista, bem menos

Nas últimas horas de ontem (16 de dezembro) fui surpreendido com a notícia que a Justiça de São Bernardo do Campo ordenou o corte do popular serviço de troca de mensagens WhatsApp em todo o território nacional.

Antes de entendermos o porquê dessa decisão, é interessante analisarmos os motivos desse aplicativo ter-se tornado tão comum no nosso dia a dia:

  • No Brasil, o custo da telefonia é um dos mais altos do mundo se olharmos qual fatia do orçamento esse custo representa.
  • No passado, o serviço de mensagens de texto (SMS) era cobrado e o custo por mensagem poderia ser de até R$ 0,50 por mensagem!
  • Existem locais onde o sinal de celular não chega para todas as localidades; às vezes, dentro de casa, dentro de um shopping, etc.

Foi focando nessas deficiências que Brian Acton e Jan Koum criaram o conhecido aplicativo que, a essa altura, dispensa maiores introduções. Todas as situações e fatos no mundo podem, e devem, ser analisados por mais de um ângulo.

Tudo começou por conta de uma ordem judicial não cumprida pela empresa que administra o WhatsApp, que se recusou a fornecer dados privados de um usuário envolvido em uma investigação criminal. Após duas tentativas frustradas de se cumprir a ordem, a 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo ordenou o bloqueio do serviço por 48 horas em todo o Brasil.

É claro que nós queremos que a justiça seja feita, mesmo quando empresas são punidas ou afetadas e que isso tenha certas consequências à população; porém o que chama a atenção é a desproporcionalidade dessa atitude. A comunicação é essencial ao ser humano e é impossível desenvolvermos qualquer relação ou opinião (seja ela boa ou ruim) sem que haja uma comunicação, uma troca de informações ou ideias.

É claro que há outros meios de comunicação (como telefone, SMS, Facebook Messenger, etc.), mas é justo bloquearmos este importante meio de contato entre pais e filhos – separados, às vezes, por milhares de quilômetros e que teriam que pagar até R$1,00 por mensagem de texto para saber como seu filho ou neto está? É plausível prejudicarmos mais de 100 milhões de usuários desse aplicativo por conta da irreverência de uma só parte? Essas são só duas perguntas retóricas em meio a tantas outras que poderíamos fazer, mas que já se sabe a resposta: NÃO.

Estamos falando de um serviço que facilitou a vida de patrões e empregados, que tem auxiliado na geração de renda (pergunte aos mototaxistas, cabeleireiros, faxineiras). Um aplicativo que diminui distâncias e que é acessível à população, especialmente em tempos de crise onde centavos contam. Um aplicativo que uniu famílias, que ensinou vovós a mandarem bom dia para os netos, parabéns para as irmãs e a salvarem as netas de gafes gastronômicas.

Algumas pessoas podem me contradizer atentando para o fato de que o aplicativo tem criado discórdia, tem alienado pessoas, tem causado acidentes de trânsito, tem sido usado para compartilhamento de imagens íntimas, tem favorecido a pedofilia. Relembro aqui que nos é dado o livre-arbítrio em nossas atitudes e que tudo o que é mal utilizado ou utilizado em excesso provoca danos, causa prejuízos e deve ser condenado.

Infelizmente, esse é só mais um exemplo do autoritarismo quase désposta da “Justiça” brasileira. No passado, a nossa “justiça” ordenou, em 2007, que todo o sítio de compartilhamentos de vídeo fosse bloqueado já que não cumpriu a ordem de retirar um episódio onde uma apresentadora brasileira aparecia em momentos íntimos com o namorado em uma praia espanhola. Em outro exemplo claro de censura, o jornal O Estado de S. Paulo foi proibido de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney.

Em tempo, como citei acima, tudo o que é mal utilizado ou utilizado em excesso provoca danos, causa prejuízos e deve ser condenado. Então, se você perdeu o sono, entrou em crise e surtou porque ficaria sem o aplicativo por 48 horas vale lembrar que existe vida mesmo quando estamos sem celular e sem Internet. Como costumo dizer a algumas pessoas próximas: “Menos, Batista, bem menos!”

gustavo

Gustavo H. Nilson
Engenheiro de telecomunicações, cristão, músico, ama fotografia, apaixonado por aviação, pai do Fred e marido da Veridiana. Mora nos EUA desde 2011 e acredita que o Brasil pode e deve dar certo!

 

 

4 comentários sobre “Bloquearam o WhatsApp! Menos, Batista, bem menos

    1. Obrigado pelo comentário Victor. É como sempre disse: a democracia é linda. Quando um serviço é ruim ou deixa de ser prestado, o consumidor vai para a concorrência 🙂

      Grande abraço.

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  1. De muita lucidez e primando pela inteligência dos argumentos. Parabéns pelo artigo. Somente acrescentaria que, num país da (hoje, não tanta) impunidade, nós, os brasileiros, venhamos a nos manifestar da mesma forma aguerrida e incoerente quando a justiça também é feita (neste caso, fez-se justiça). O que me preocupa é essa desarmonia das convicções pela qual estamos lutando. Nas redes sociais (que restaram, kkk), até a presidenta levou culpa nessa (coitada, vamos ser justos). Pelo andar da carruagem, se, amanhã, houver o impeachment da presidenta, os aliados reclamarão de golpe e a oposição, de méritos… ops, isso já está acontecendo!!! Batistas brasileiros, menos, por favor!!! E, mais uma vez, parabéns pela inteligência dos argumentos!!!!

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