Um recado para seu chefe

Como executiva de negócios é muito comum ouvirmos as definições implacáveis que traduzem a rigidez e polaridade do certo e do errado, esquecendo-nos que, muitas vezes, é possível acatar um erro, como uma etapa para o acerto. Não falo aqui de aspectos inegociáveis e nem faço militância pela incompetência, mas é preciso recordar que nem só das ciências exatas sobrevive o mundo.

Há diversos momentos em que podemos administrar um erro, valorizando aspectos positivos que foram utilizados no processo de produção e estabelecendo com firmeza a necessidade de correção do equívoco. As organizações em geral têm fatores delimitantes muito apertados, tais como orçamento, faturamento e lucro, mas e quanto às metas qualitativas? Onde fica o desenvolvimento de pessoas, se antes de tudo uma organização é uma instituição social?

É sabido há décadas que o departamento de recursos humanos das organizações não tem total poder do desenvolvimento de talentos, mas além de suas condições espetaculosas de atração de talentos, é da sua quase exclusiva competência o desenvolvimento de estratégias ligadas ao treinamento, capacitação e incentivo.

Assim o desenvolvimento de profissionais é mesmo uma função inerente ao seu gestor direto, pois é ele quem convive no cotidiano e somente ele tem a balança da justiça, com inúmeras possibilidades e oportunidades de intervenções positivas para a construção estruturada de um novo profissional que possa, no futuro, crescer; inclusive substituindo-o num momento em que uma boa promoção lhe visitar.

Esta aí é uma boa desculpa para não investir tempo na educação dos colaboradores, não é mesmo? A famosa desculpinha do medo da substituição. Parafraseando a banda mineira Jota Quest: “Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva a nada!”. O mundo é redondo e “boicotar” o desenvolvimento de um profissional é sempre o pior cenário para o seu próprio crescimento profissional dentro e fora da sua organização.

Uma das melhores maneiras para conquistar este reconhecimento é ser considerado pela competência e dinamismo da sua equipe e não com a retenção de informações ou com o boicote à autonomia de seus colaboradores. O mundo tem valorizado bons mestres, e não se estabelecem mestres sem o processo de compartilhamento de informações.
Gestores e chefes: é inerente ao processo de gestão a educação de seus colaboradores. Não há educação sem um diálogo franco, honesto e principalmente positivo.

Como gestora de uma empresa, ouvi inúmeras discussões sobre a necessidade de motivar os colaboradores. Erro gritante de novos administradores que confundem incentivo com motivação. Erro imediatista de quem se esquece de que incentivo, assim que conquistado, perde o sabor, enquanto a motivação é o combustível das posturas profissionais mais admiradas e das grandes e essenciais inovações.

E a você, gestor de pequenas organizações, considere e reconsidere: o mundo é redondo e seu colaborador de hoje pode ser o seu gestor ou até o seu patrão de amanhã. Não se assuste com essa possibilidade, ao contrário, esta é a maravilhosa dinâmica da vida!

eni

Eni Soares é Administradora de Empresas,  especializada em tecnologia da informação. Descobre a alegria de viver no matrimônio e a maternidade tripla, além das atividades missionárias do Ministério Universidades Renovadas e junto a sua paróquia.  É membra da Renovação Carismática Católica.

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