O amor é simples

“Nada do que é feito por amor é pequeno”

(Chiara Lubich)

Platão acreditava que o amor é a busca da beleza. Embora tenha início da realidade física, deve elevar-se a sua forma universal, não sendo um constante prisioneiro da matéria. Já Aristóteles defendia o amor como o sentimento dos seres imperfeitos, posto que sua função é levar o ser humano à perfeição. Enquanto Karol Wojtyla descreve o amor como um conjunto de componentes que não está reduzido a uma emoção específica ou um sentimento. Tem como profundo elemento a vontade.

 Mas o que seria de fato o amor?

Quando falamos em amor falamos em entrega, aceitação, doação, admiração, sensibilidade, bondade e beleza. Está latente em quem sente e no transbordar de quem vê, é como uma gargalhada que expulsa o riso contido e no silêncio de um olhar que contempla corações acelerados.

O amor está num fim de tarde de verão tomando picolé no Central Park ou de pijamas comendo pipoca vendo um filme no inverno embaixo de um edredom surrado. É o primeiro ou o centésimo beijo, é instintivo e também consciente. É ser surpreendente ou apenas muito simples. É suspirar intensamente. É saber usar as cócegas pra espantar o medo. É entrelaçar os dedos e a alma. É adrenalina quando falta emoção.

O amor está na amizade, na subtração e na soma, não somente das primeiras aulas de matemática da escola, mas nos primeiros tombos de bicicleta, nas gincanas das colônias de férias, na viagem que os pais não liberaram, nas ligações de mais de uma hora, nas frustrações mínimas, no passo que o outro deu e que você soube aplaudir com lágrimas nos olhos. O amor está na mão estendida.

O amor é o óculos que desembaça a vista e o coração. É luz que guia mais que instinto. É certeza. É o enxergar para além da presença, consolo preventivo, já ter os lenços antes das lágrimas. É o clichê saudável, equilíbrio do branco e do preto, doce com salgado, o assaltar um brigadeiro antes do parabéns. E por falar em festa, o amor é reencontro. É a reunião das turmas do colégio, da faculdade, a viagem pro casamento de amigos em outra cidade.

O amor está em atos. Movimenta a alma, inspira e define cores. É um abraço que faz o tempo parar nos dias em que até a escada rolante está devagar. É um áudio inesperado no whatsapp. É deixar de dizer  “vou marcar” e assumir a postura de “estou passando aí” e no telefonema, no meio dia, só pra dizer “eu te amo”. É querer tão bem que a distância assusta e se personifica em lágrimas. É a saudade que fica antes da partida. É a rima e a poesia. Está na confiança do destino, quando se para de esperar a sorte.

O amor está na descoberta dos prefixos. Inesquecível, inexplicável, inesgotável. Ele não segue regras, é a própria exceção.

O amor está no saldo entre as conquistas e as perdas. São os novos livros da estante que abrem a possibilidade de viagem sem sair de casa. São os filmes, musicais. O amor é arte. Está no que o artista derrama. O amor é saber sonhar, ser livre e viver. É a percepção de que muitos momentos deveriam ser eternos. Que nada é melhor que voltar para o que você chama de lar. E que o tempo passa rápido demais depois que se aprende a amar.

O amor não é ontem e nem amanhã, o amor é hoje.


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Juliana Sant’Anna dos Santos Veras Mourão

Carioca em Terras Portuguesas. Psicóloga, Logoterapeuta, e estudante de Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade de Coimbra. Comprometida com a alegria, apaixonada pela vida e voos livres. 28 anos de muita intensidade e sensibilidade. Transborda em palavras, dança, cuidado e amor. Aprecia arte e se alimenta da mesma para ressignificar e renovar o sentido da existência. Apaixonada pelo mundo e possibilidades de encontros. Sempre de malas prontas pra ir além!

 

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

3 comentários sobre “O amor é simples

  1. Sua reflexão é, como o amor, bem simples e bonita☺️.
    Entende-lo como algo que não segue regras é uma forma de sossegar as inquietações que tantas vezes nos chegam com base nos estereótipos de amor com os quais somos bombardeados na mídia. Obrigada por sua reflexão, bem vinda ao time!

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