Não mude seu sobrenome após o casamento

Já ouviu este conselho antes?

Eu já ouvi muito, e esta é uma das inúmeras decisões que a gente precisa tomar antes do casamento.  Lembram quando eu escrevi sobre as inúmeras listas de preparativos para o casório? Então, neste caso, essa decisão vai pra lista: tarefas do casamento civil.

Antigamente,  a mulher acrescentava o nome do marido porque era tutelada por ele, mas hoje, você pode acrescentar o nome novo simplesmente porque quer mudar.

Quando eu estava noiva, pensei em colocar o nome do esposo. Depois mudei de ideia. Mas, nos 45 do segundo tempo, passei a considerar o nome novo bem forte e bonito. Seria a junção de dois nomes brasileiros bem comuns, mas o resultado final me pareceu inédito e interessante. Decidida, acrescentei. Mas, depois de casada, demorei pra assumir o nome novo. Ele esteve em toda a papelaria da nossa casa, nos nossos cartões de agradecimento pelos presentes recebidos, mas depois de 29 anos sendo Oliveira, não foi automático virar a chave e perceber que não era só isso.Tanto é verdade que mudei os documentos só dois anos depois!

Ao contrário do que muita gente diz, não é trabalhoso alterar a documentação,  em poucos dias você renova tudo, começando pelo CPF. Logo,  se pra você é importante, vá em frente e  faça como eu, desconsidere o “conselho” que intitula este artigo!

Para alterar o cpf, é preciso apresentar a certidão de casamento na Receita Federal, no Banco do Brasil, nos Correios ou na Caixa Federal. Assim que fizer isso, já pode solicitar um novo RG junto ao órgão responsável na sua cidade. Se você estiver em um estado diferente do que consta no RG antigo, fará outro RG, com novo número – sim, você pode ter 26 diferentes RGs no nosso país, um em cada estado, além de mais um no DF (veja como o governo federal é pouco eficiente e nada integrado, em pleno século 21, mas enfim, isso é tema de outra conversa). Depois, você pode alterar os demais documentos, como carteira de motorista, passaporte e cartões de banco à medida em que necessitar renová-los. Não é uma sangria desatada com prazo limite curtinho para se atualizar tudo, nem é preciso fazer tudo de uma vez só.

Se você trabalha com ensino e pesquisa, como é o meu caso, vai ter um novo sobrenome para acrescentar às suas citações bibliográficas, mas a Plataforma Lattes, principal banco de dados de pesquisadores brasileiros,  aceita dois tipos de citação diferentes.  Decida se vai manter só o nome de solteira, se acrescentará só  o novo sobrenome , ou um sobrenome após o outro, ligados por um hífen. Dai é só passar a assinar do jeito escolhido, e essa alteração não te faz menos pesquisadora, menos mulher, menos independente do que as pesquisadoras que decidiram não acrescentar nada no nome.  Afinal, o currículo e o trabalho  são só  pequenas partes da vida da gente. Sob meu ponto de vista, bem menos importante que a família que você decidiu construir e assumir – e isso inclui um novo nome, se você quiser.

O que me levou a decidir por um novo sobrenome foi o simbolismo dessa  mudança de status – afinal depois que você se casa, não espera continuar sendo a mesma pessoa: você muda, o esposo muda , ambos para melhor, a gente espera! Então, acrescentei um novo sobrenome porque, para mim, teria  um significado simbólico especial. Mas você só deve mudar seu nome se considerar que é bacana, sem considerar a opinião dos outros.

À época, ouvi coisas do tipo “Ah, mas se você se  separar dará muito trabalho voltar tudo pro nome antigo…” ou “Trocar todos os documentos dá muita dor de cabeça”, ou ainda “Pra que mexer em time que está ganhando?”.

Amiga, se essas são  as justificativas de sua decisão, nem se case. Sério, não entre em um negócio complexo demais como o casamento  considerando que vai dar errado. O casamento exige muito, é recheado de várias renúncias, escolhas de ambos a serem negociadas e respeitadas, e a gente se casa na certeza que vai dar certo- e faz de tudo pra dar certo. Ou então nem entra nisso porque você vai gastar uma grana boa sem propósito… Ana Werka já detalhou bem esse tema aqui no Muitas Marias, logo,  na dúvida, jovens, não se casem!

Me incomoda que haja uma patrulha ditando o que as mulheres devem ou não fazer, até nos pequenos detalhes, como a alteração do sobrenome depois do casamento.  Se você considera importante, faça. Se não considera, não faça e respeite quem quer trocar de nome.

Tem muita propaganda contrária, mas quem deve decidir isso é a mulher. Se sua experiência foi ruim, se casou, se separou e trocou de nome várias vezes,  não necessariamente a história se repetirá para outras pessoas.

Inclusive , tem meninos que acrescentam o nome da esposa (so cute!) e ninguém vai contra, vai?Então, não faz sentido qualquer implicância com a mulher que se tornou Moraes de Menezes, Lima Nilson, Oliveira-Costa, Werka Rossa, Guedes Quirino Cardoso, Goulart Huguenin, Gois Garcia, Noleto Lopes, Upiati Carneiro, Tavares Faria, e tantos outros nomes compostos que representam a nova família.

Respeitar as escolhas é uma atitude  inteligente; policiar as escolhas alheias é falta do que fazer (que tal uma pia cheia de louça pra lavar?).Seja feliz com seu novo estado civil, independentemente de haver ou não um novo nome na certidão de casamento. O melhor da vida é a possibilidade de escolha!

E você, mudou seu nome após o casamento?

Compartilha conosco sua experiência!

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

31 comentários sobre “Não mude seu sobrenome após o casamento

  1. Só pra variar, adorei o texto..
    Você arrasa sempre Mari :)!
    Só um adendo importante que vejo dar dor de cabeça demais para o casal:
    Se você comprou sua lua de mel pro exterior e emitiu as passagens com o seu nome de solteira, não renove o passaporte com seu nome de casada ainda, ok? Pois do contrário NÃO conseguirá embarcar e irá perder todo o investimento feito.

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    1. Oi Tassi, que bom que gostou do texto!
      Nossa, essa dica sua é super importante! Que tal você escrever pra nós contando dicas básicas para evitar apuros de viagem? Aposto que a mulherada – e as famílias – vão adorar!!
      Abraço e obrigada por ter dedicado um tempinho pra ler meu texto
      bj

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  2. Olá. Adorei o artigo! Eu apenas acrescentei o Tancredo do meu marido e não tirei nenhum outro sobrenome pra não arrumar briga com os pais, oq gera uma grande dor de cabeça. Fiz questão de acrescentar para sermos a família Curvello Tancredo, 😉 Depois disso, meu nome ficou enorme e como vc diz no texto até esqueço que tenho um novo sobrenome. No meu caso, sou jornalista e sempre usei o meu sobrenome Curvello, como já ganhei notoriedade e reconhecimento, não teria pq mudar agora. Só sou reconhecida com o sobrenome do meu marido, nas passagens aéreas, no passaporte e muitas vezes em contas. É uma mudança que vale a pena para aqueles que estão dispostos a se arriscar no verdadeiro sentido do matrimônio.

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  3. Olá..excelente artigo. Eu mudei não por vontade própria e sim Pq meu marido quis que fosse assim. Não me atrapalha mas também não me ajuda. Temos 8 meses de casados e ainda não me acostumei com um novo sobrenome, nem o uso. Creio que com o tempo eu passe a “lembrar” dele e usa-ló. Por enquanto está apenas na certidão de casamento.

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    1. Oi Romina, tudo bem?
      Que bom que gostou do texto. Acredito que cada uma de nós tem um tempo para se adaptar né… como eu contei no texto, eu levei dois anos para começar a troca dos documentos, e ainda não troquei todos.
      Quando quiser trocar, verá que é simples, só precisa de um tempinho.
      Te convido a conhecer outros textos sobre o cotidiano feminino, disponíveis no nosso site.
      Um abraço e paz
      Mari

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  4. Então Mariella, na época do casamento eu estava em um estresse horrível. Fazia mestrado (fase das disciplinas), trabalhava em duas cidades percorrendo 800km por semana. Todos me diziam que teria de mudar os documentos todos. Só de pensar em mais uma tarefa, fiquei desanimada. Quando chegou na hora do casamento, a atendente do cartório me perguntou se eu iria mudar o nome. Perguntei se poderia mudar depois e ela disse com a melhor cara do mundo: claro que sim. Aí pensei. quando meu passaporte vencer e acabar essa loucura toda eu mudo e ainda faço uma surpresa para o meu marido. Inocência a minha. Quando fizemos 3 anos de casados, desejei fazer a tal surpresa (para ele era importante, porém respeitou a minha vontade). Fácil? Que nada!!! É mais complicado do que tudo, requer advogado e uma história super complicada que justifique a adesão ao nome do marido. Fiquei muito triste e morro de arrependimento. Desejaria hoje mais do que nunca assinar: Ivna Sá dos Santos de Paula. Se tem algo que me arrependo é isso. Somos um em tudo, mas faltou o nome.

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  5. Uau! Fiquei encantada com esse texto! Eu namoro há cinco anos e estamos pensando em noivar e casar. Meu namorado sempre fala que faz questão que eu coloque seu sobrenome. Eu acho o sobrenome dele bem bonito, porém, como sou da área da pesquisa sempre tive muito receio.
    É o primeiro texto que eu vejo falando do Lattes, e de fato, me acalmou. Sou RAMOS (2016), mas é apenas um mestrado. Espero ser RAMOS-GIUSTI (2020), assim que eu defender o doutorado!
    Obrigada, Mariella!!! FIquei muito mais tranquila depois do seu depoimento!

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  6. Oi, Mari! Adorei seu texto. Eu casei e acabei não acrescentando o sobrenome do meu marido. Se tivesse lido o seu texto antes teria optado por inserir. Você sabe me dizer se posso fazer isso hoje após ter casado? Obrigada. Bjs Cris

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    1. OI Maria Cristina,
      obrigada por seu comentário.
      Sim, o STJ permite a inclusão do nome do outro cônjuge após o casamento, e não somente durante a data do matrimônio. deve ser feita por intermédio de ação de retificação de registro civil.
      Desejo sucesso na sua vida e em seu matrimônio,
      um abraço e paz
      Mari

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  7. Achei muito interessante!
    Mas deixa eu ver se entendi bem: suponha-se que eu case e adote o sobrenome do meu marido. No Lattes posso continuar mantendo meu nome de solteira? É uma escolha minha?

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  8. Muito bacana o seu texto, gostei muito. Me casei em 2014 e adorei os DOIS sobrenomes do meu marido por razões bem específicas, mas me arrependi tanto. Já faz 3 anos e eu ainda me sinto perdida com essa nova identidade, além do meu nome ter ficado gigantesco e eu morrer de vergonha dele assim. Trabalho com pesquisa e ainda não sei como lidar com isso… enfim, super respeito a opção de cada uma, mas se eu pudesse voltar atrás (no meu caso e pelos motivos que citei) não teria mudado.

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  9. Oi! tudo que li fala que no Brasil não é possível colocar o sobrenome com hifen, mas creio que em plano 2017 essa limitação não exista certo? Seu nome é oficialmente com hífen? penso nisso não para mim, que não vou adicionar o nome, mas para meus filhos, para que sejam reconhecidos pelos dois

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  10. Adorei a matéria, Mas vou me casar em breve e optei por não colocar o nome dele, por contar de ter q mudar não só a minha documentação mas também das nossas 3 filhas, não vou falar q foi uma escolha fácil até pq recebi muitas críticas de amigas q acham q o certo seria alterar meu sobrenome, mas penso q não seremos menos casados por isso até pq já vimos juntos á 20 anos estamos apenas oficializando o q já existe á anos. Espero q minha escolha não me traga nenhum trasttranstorno.

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  11. Adorei a matéria,
    Me casei a 6 meses, não adotei o sobrenome do meu marido, por uma escolha minha, quando tomei essa decisão eu perguntei a ele se ele fazia questão e ele disse que não, recebi muitas criticas por não querer adotar o sobrenome dele .
    Porém hoje me arrependo, não sei se é porque as pessoas ainda julgam, e não sei o que fazer.

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  12. Adorei o texto! Realmente as pessoas curtem comentar muito sobre o que as outras devem ou não fazer. Eu me casei tem 20 dias, mudei meu nome é estou feliz da vida! ❤️Casar é muito bom!

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  13. Olá!!
    Fui a esses dias no cartório colocar os nomes e acrescentei ao meu o sobrenome do meu futuro esposo, só que agora decidi deixar só o meu sobrenome mesmo,sem o dele.
    Será se ainda dá tempo de mudar porq ainda não nos casamos…Mas vamos nos casar em breve!

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  14. Claro que uma mulher decide o que fazer – direito de escolha e’ um direito basico a todos nos.

    Voce diz o seguinte:

    O que me levou a decidir por um novo sobrenome foi o simbolismo dessa  mudança de status – afinal depois que você se casa, não espera continuar sendo a mesma pessoa: você muda, o esposo muda ,

    Me diga – quantos homens voce conhece que mudaram seu sobrenome? De todos os meus amigos somente UM. Se o esposo muda, o certo seria tanto ele quanto a esposa terem o mesmo nome de familia, o que no Brasil seria dificilimo porque as pessoas na sua maioria tem dois sobrenomes (diferentes de muitos paises onde as pessoas so tem um sobrenome official).

    Portanto, adotar o nome do marido enquanto ele continua com o dele como veio ao mundo nao faz sentido algum, Obviamente seu relacionamento nao vai ser menos ou mais saudavel por causa disso, mas a mudanca do nome traz muitas coisa entre linhas sobre o que a sociedade ainda tem de expectativa sobre o papel da mulher num relacionamento. Porque a grande maioria dos homens nem sequer contemplam ou cogitam mudar seus nomes.

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