As Marias da minha vida

Sou Maria Clara. Maria… Se você ligar para minha casa, terá sérios problemas se pedir para falar com a Maria… Quem atender vai perguntar qual delas!

Minha avó era Maria, suas filhas: Maria Izabel, Maria Angela e Maria Cristina, esta, minha querida mãe! Tenho primas Marias e minha irmã é Maria Renata. O porquê de muitas Marias? O primeiro motivo é por Maria, a do Céu. O segundo motivo, é porque meu nome é lindo. Brincando… O segundo motivo não sei realmente, devo ter nascido bem clarinha mesmo. Mas o primeiro motivo já basta!

Minha família sempre foi motivo de minha alegria, poder estar entre tantas Marias, de jeitos e manias diferentes, me fez crescer como pessoa, e falo sério, me ajudam até hoje a respeitar e amar a todos! Minha avó Maria foi minha grande amiga quando pequena.  Quando ela foi pro Céu, senti (e sinto ainda) uma falta enorme no peito, mas sei que ela ainda cuida de mim.

A Maria que se faz presente em minha vida, e agradeço por ela ter me dado a vida, minha mãe, também me faz crescer. Não por ser mãe e ter me dado conselhos e broncas quando pequena, que me fizeram o que sou hoje, mas por me dar carinho e amor divinos.

Ter uma mãe é sempre ter o Amor ao seu lado, ser mãe é uma grande vocação! Minha mãe, com 55 anos de idade, foi diagnosticada com a doença de Alzheimer. Hoje com 59, piorou bastante. A doença é muito sofrida, tanto para o paciente quanto para a família. Viver entre essa doença, ainda mais com uma pessoa querida, não é para qualquer um. Já tinha passado por isso com meu avô Ayrton (marido da Maria, pai das Marias). Eu tinha 20 anos quando ele foi encontrar minha avó no Céu, lembro de quando ele foi perdendo a memória e ainda assim perguntava onde estava a Maria, a paixão de sua vida. Não entendia porque eu tinha que “mentir”; para meu avô que Maria tinha dado uma saída ou estava em algum outro lugar… Mas com isso ele não sofria, apenas esquecia e não voltava a perguntar.

Minha mãe já não lembra quem sou, olha pra mim e sorri, sabe que sou um pessoa querida somente, não reconhece os outros 3 filhos e nem a própria casa. Um dia passei mal e não fui ao trabalho, estava deitada e ela vinha e me perguntava se já tinha ligado para os meus pais para me levarem ao médico.. Eu retribuía com o mesmo sorriso e respondia: Mãe, já liguei para o meu pai. E ela ficava tranquila! Mesmo sem perceber o valor e o significado da palavra com a qual eu a chamava!

Ela já dava sinais de que não estava bem e tinha medo de ter o mesmo destino que meu avô. Às vezes não conseguimos entender os caminhos de Deus, não é verdade?! As situações que vivo com minha mãe me fazem pensar mais Nele, me fazem enxergar o quanto somos pequenos e achamos que somos grandes demais e suficientemente fortes para enfrentar tudo na vida. Mas não é bem assim.

Recentemente assisti a um vídeo no Facebook que mostrava um casal de idosos, onde o marido cuidava da mulher, que sofria de Alzheimer. Quando vejo vídeos assim, ainda mais sobre essa doença, me sinto como se estivesse presente na vida desse casal,  por entender tudo o que eles passam.

É verdade que quando vemos alguma coisa nas redes sociais ou em jornais, pensamos que estamos tão longe dessa realidade que não nos damos conta da situação… Até que acontece a mesma coisa nas nossas vidas e passamos a fazer parte disso.

Chorei bastante ao ver o vídeo e acho que nunca na minha vida assistirei  “Para sempre Alice”, por exemplo, um filme sobre a vida de uma mulher que tinha Alzheimer, não por não querer enfrentar, mas por sentir na pele o que essas pessoas passam. Mas, assim como no vídeo do casal, o marido, que com todo o amor cuidava de sua mulher, se sentia privilegiado por ter essa “Maria” na vida dele, assim também me sinto privilegiada por ter minha mãe! Ele entendia que o sofrimento também nos faz amar. E faz mesmo! Sofrer é para poucos hoje em dia. As pessoas estão fugindodo sofrimento, fugindo de uma vida que cause dor, quanto mais puderem evitar, melhor.. Mas faz parte da vida sofrer, faz parte da vida chorar! Saber que o sofrimento nos dá forças para amar alguém, mesmo que este alguém não lembre quem somos de verdade é uma aprendizagem sem tamanho, nos torna humildes. Amamos a qualquer momento.

E quem mais para nos mostrar isso do que Deus?! Que sofreu por amor, por mim e por você. Sei que ela sofre e sofro junto, mas nisso tenho forças para amá-la mais, para pegar todo o carinho que ela me deu na infância quando eu indefesa estava em seus braços, quando me ensinou a falar, a andar, a escrever, quando teve paciência para escutar minhas reclamações, meus maus modos, mas com amor me ensinou a ter virtudes.

E o quanto ela me ensinou e sofreu por mim! Não posso eu ensiná-la? E sofrer com ela agora, que está enferma?

As Marias da minha vida continuam a me dar exemplos, me fazem crescer e ver que sem amor a vida de nada vale!

Se percebermos o mundo hoje, o mundo sofre, sofre, sofre por falta de amor. Sofre, porque somos egoístas o bastante para olharmos apenas para os nossos umbigos, para olharmos somente para o que nos interessa e o que é fácil de compreender!

Mas minha Maria, que não lembra que é Maria, me faz enxergar o amor! Com ela, jamais esquecerei o valor de carregar em minha vida este nome Maria!! Com ela aprendo a sofrer… A sofrer com alegria!

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Maria Clara Lacombe

Carioca, sonoplasta, 26 anos, a graça de Deus e bom humor! Amo minha família e a música, sem elas nao vivo! Adoro compor e amo o que faço! De vez em quando me arrisco como escritora, mas nao sou de compartilhar muito o que escrevo, mas música, essa sim, sempre será compartilhada!

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

19 comentários sobre “As Marias da minha vida

  1. Fiquei emocionada com esse texto!! O valor do sofrimento, crescer em virtudes e na maior delas, o amor! Lindo o texto, vc honra o nome Maria, sendo também, um exemplo a ser seguido! Sua luta diária é inspiradora e orgulha todos que convivem com vc!!

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  2. Queria Maia Clara, seu texto me emocionou. Quantas Marias! Quanto apoio de Maria, mãe do Céu!
    Hoje vou passar o dia refletindo, não nas suas Marias, mas no seu jeito de amar e de ver Deus através de todos os seus cuidados, sofrimentos e abnegação. Só Maria compreendeu a verdadeira vontade de Deus com seu Fiat.E você está indo pelo caminho Dela. Beijos

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  3. Maria Clara,me emocionei demais com seu conto.Talvez por ter conhecido e convivido com tds vcs de pertinho.Ou talvez ainda por ter visto vc e Pedrinho nascerem.Sua mãe sempre foi uma guerreira,tenho certeza que mesmo sem te reconhecer,ela sente seu amor.Que orgulho ver essa jovem mulher que vc se tornou.Que Maria santíssima te de forças na sua caminhada.Torço muito por cada um de vcs.💙
    Fiquem com Deus.

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  4. Maria!!!!!! Que lindo!!!! Lembra que sempre te chamei assim? Maria?
    Que Deus te abençoe cada dia mais… sua Maria a partir de hoje estará nas minhas orações.
    Bjo

    Dani

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  5. Oi Clara! Estou eu aqui te lendo e pensando… que curioso! Não chamo nenhuma delas de Maria. Renata, Clara, Tia Cristina. rs Tantas Marias e eu tirei os Marias de todas. Mas apesar disso, eu sei bem o porquê de tantas Marias. A fé enorme que sua mãe tem em nossa Maria Santíssima! Fé tão grande essa, repassada a vocês. Não só a vocês, mas a mim. Tia Cristina tem um papel fundamental na minha formação e crença como católica! Não bastou eu estudar 11 anos em um colégio católico para me convencer do catolicismo, mas sim fazer parte de alguns encontros na sua casa, com sua mãe liderando o extinto (e MARAVILHOSO) clubinho para eu ter certeza que dificilmente qualquer outra religião no mundo inteiro me preencheria tão abundantemente como o catolicismo. E isso por que? Por Maria!
    E é a essa Maria que recorro na tentativa de entender o que às vezes é tão difícil.. Às vezes olho para Renata e penso no porquê disso tudo. Mas também a olho com admiração, com perplexidade. Por ser tão grande e tão guerreira!
    Aí vem esse texto e me ajuda a refletir como é possível. A gente não é nada sozinho. Ela tem a você. Você tem a ela. Vocês tem umas as outras Marias. Vocês têm os “Josés”. Vocês têm Maria Santíssima! E isso os fazem mais fortes e transbordarem amor a quem precisa.

    Família é tudo, Clara e essa linda homenagem que fez a sua mãe, ainda que ela não consiga ter consciência da dimensão, na vida terrena, a acompanhará na eternidade.

    Parabéns pela iniciativa e coragem em compartilhar e talvez, quem sabe, ajudar muitas outras Marias que passam pela mesma situação!

    A paz de Cristo e o amor de MARIA!

    Beijo no S2

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    1. Gisele, muito obrigada! Família é tudo mesmo e minha mãe é demais!! 🙂 O mais legal disso tudo é ler as histórias que minha mãe fez parte! Obrigada!

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  6. Fiquei encantada com a delicadeza da sua história… Apesar de não te conhecer, somos da mesma família Lacombe, com numerosas Marias… Na minha casa são cinco: Stella (a mãe que já está no céu), Teresa, Lucia, Emilia (eu) e Beatriz. Apelido cada uma como o cartão do banco Maria S, Maria T, Maria E, Maria L e Maria B… Ao casarem, minhas irmãs acrescentaram o sobrenome do marido. Eu escolhi ficar com o nome que nasci. Que você possa nos dar mais presentes como esse. Compartilhe seus textos. Beijos. Maria Emilia Lacombe

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  7. Lindo, sensível e verdadeiro!
    Como não se emocionar?
    Já admirava a Maria Clara por toda disponibilidade, bom humor e alegria que ela transmite. E nunca conheci esse outro lado dessa Maria incrível.
    Obrigada por compartilhar a sua história e por transbordar tanto amor verdadeiro nesse texto.
    Você não tem noção do quanto ler isso mudou minha forma de encarar as coisas.
    Parabéns!
    E mais uma vez, muito obrigada!

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