Câncer não é escolha, bom humor é

Meu nome é Mariana, tenho 23 anos e sou estudante de Engenharia Civil.Em março de 2016, alguns dias depois de completar 23 anos, recebi o diagnóstico de câncer de mama. Encontrei o nódulo fazendo um autoexame e até ai tudo bem, porque a gente nunca acha que vai ser alguma coisa séria. Mas minha mãe ficou preocupada e resolveu me levar a um especialista. Obrigada mãe pelo cuidado.

Então marcamos consulta com um mastologista, fiz a ultra-som que ele pediu e aí veio o primeiro susto: a biópsia.A biópsia é um susto porque é um passinho  mais perto do câncer. Existe uma dúvida: é ou não é. Existe a tensão de esperar um resultado que pode te fazer respirar aliviada ou pode jogar uma bomba no seu colo.Esperar o resultado é ruim, mas quando ele sai é pior. E eu abri o meu: estava escrito Carcinoma ductal invasivo.

A reação inicial foi chorar, chorar muito. A frase “eu estou com câncer” martelando na minha cabeça. Nunca pensei que fosse morrer, mas tive medo do meu sofrimento e do sofrimento da minha família.

13492820_1032813503461352_89680666_n (1).jpgO tratamento é longo e difícil, mas necessário. Então, decidi que ia tentar tornar a experiência mais leve pra todo mundo e tomei como base a frase: “câncer não é escolha, bom humor é”. Com esse pensamento passei pela maratona de exames e consultas sem perder o rebolado. Vinte e dois dias depois do diagnóstico, fiz minha cirurgia e retirei um quadrante da mama. Tive o acompanhamento de um cirurgião plástico que fez toda a diferença. O mais importante era a minha saúde mas, além disso, a equipe médica conseguiu me dar um resultado estético perfeito. Meus médicos arrasaram!

Estou agora rumo à terceira sessão de quimioterapia. Vou fazer dezesseis no total. Ainda falta boa parte da batalha, mas já tenho a certeza da vitória final.

Agradeço muito a Deus por conduzir tudo da melhor maneira possível, me dar tanta força e me fazer ver tanta coisa boa em uma experiência que tem uma essência ruim. Passei a dar muito mais valor às pessoas e às pequenas coisas do dia a dia. Por exemplo, fazer quimioterapia e não passar tão mal quanto eu tinha imaginado é uma vitória.

Quando o assunto é câncer,  muita gente de preocupa com a queda do cabelo (como se este fosse o pior efeito colateral). Pra mim, nunca foi. Sempre fui neurótica com o meu cabelo, reclamava dele todos os dias por qualquer coisa, mas a partir do diagnóstico, ele deixou de ter tanta importância. Ficar careca foi uma experiência incrível que me ensinou três coisas. Primeira: fiquei linda careca, não preciso ser refém do meu cabelo. Segunda: não vou mais reclamar, apesar de ter gostado da carequinha, ter cabelo é bom. E terceira: o mais importante é a cura, não o cabelo.

Me considero uma pessoa muito abençoada e de muita sorte. Não sorte por ter câncer, mas por ter tido um diagnóstico precoce em uma idade em que os médicos mal pedem exames. Sorte por ter condições de fazer o tratamento necessário de maneira rápida. E o mais importante: sorte por ter tanto apoio e carinho da minha família e amigos. Sou muito grata a todos que rezam por mim e me mandam mensagens de força.

Uma das coisas que mudou a minha vida neste processo: resolvi retribuir todo o carinho que tenho recebido e, criei com meu namorado um grupo que arrecada doações e entrega a quem precisa. Tem me feito muito bem e tenho certeza que faz a diferença na vida de muitas pessoas.

Meu objetivo é tirar desta situação o máximo de coisas boas que eu conseguir. Quero servir de exemplo pra todas as mulheres, pra que elas entendam a importância do autoexame e do diagnóstico precoce, pra que saibam que câncer de mama não escolhe idade.

Quero também mostrar que câncer não é sentença de morte. É uma doença complicada que tem um tratamento difícil, mas não impossível. E que é possível passar por tudo sem perder a fé, a alegria de viver e o bom humor.

Sou uma pessoa feliz e vou continuar vivendo com um sorriso no rosto, confiando em Deus e tendo a certeza de que o câncer não tem mais poder que eu.

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Mariana Oliveira Santos 

Goiana, 23 anos, estudante de engenharia civil da Universidade Federal de Goiás. Apaixonada pela vida e pela família. Criadora do Grupo Doe Luz e feliz por ajudar o próximo. Vencendo a guerra contra o câncer.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

6 comentários sobre “Câncer não é escolha, bom humor é

  1. Olá Mari, sempre te admirei, sempre esteve em meu coração como uma menina especial, meiga, gentil e feliz. Agora você me surpreende novamente, com toda essa garra, Que Deus continue te abençoando para que você abençoe outras pessoas também, com seu testemunho, ajuda, conselhos. Estamos orando por você, e sei que a vitória é certa. Um grande beijo minha querida.

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  2. Lindo texto! Quanta força, garra e coragem você tem! Eu te admiro muito, e sei que você vai conseguir superar e derrotar essa doença tão perversa. Estou torcendo por você!

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