Cuidado com os rótulos

Um produto exposto na prateleira do supermercado tem um rótulo que identifica seu fabricante e o torna igual aos demais  da mesma marca. Então, quando rotulamos alguém, resumimos a uma qualidade específica. Porém,  ninguém é uma coisa só,  apenas uma qualidade ou um defeito. O  ser humano é múltiplo em suas características e, nem sempre o que pensamos do outro é o que ele realmente é. Rotular ou  julgar alguém é condenável, mas sempre estamos apontando o dedo para o nosso próximo, principalmente, para aquilo que consideramos seu defeito.

E aqui não quero apontar o dedo para ninguém, porque, infelizmente, rotular é atitude comum a qualquer ser humano e estou inclusa nesta lista.

Mas o que me levou a escrever este texto é algo que sempre escuto a meu respeito e uma amiga recentemente fez a mesma reclamação. Por sermos pessoas atuantes na  Igreja Católica e por dedicar parte do nosso tempo a atividades pastorais, a gente ouve muitos comentários do tipo: “nossa, você é muito beata” ou “você é jovem, reza demais, não sai da Igreja, tem que aproveitar a vida”.

Além do rótulo, um comentário traz sempre um julgamento, a falta de conhecimento sobre o assunto apontado, os preconceitos, a crença de que as escolhas de quem rotula são melhores que as de quem foi rotulado. Quantas vezes, a gente rotula alguém e  aprisiona aquela pessoa no nosso valor sem  dar a oportunidade de conhecer a sua essência.

Ou ainda, quando nos abrimos ao outro e descobrimos que aquela pessoa não era nada daquilo que pensávamos e sim, muito melhor, e ficamos com vergonha que de falar o rótulo que tinha dado a ela.

Então, antes de rotular o outro por causa de uma fala, de uma atividade, de uma roupa, convido você a refletir sobre os valores de cada um e suas experiências, sem ser apenas um narcisista focado  no mundo limitado  do nosso celular. Sejamos misericordiosos com o outro, com aquele defeito que nos irrita, antes de julgarmos. Vivemos em uma sociedade confusa sobre os valores, os sentimentos, em que tudo é ralo e superficial, podemos  ser mais consistentes nos nossos relacionamentos do dia a dia os nossos relacionamentos e julgar menos.

“Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?” (Lc 6, 41)

A começar em mim .

Luciana Martins

Luciana Martins

Católica por amor à fé cristã e jornalista por formação. Paulista, apaixonada por viagens e esportes. Aberta às surpresas de Deus.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

Um comentário sobre “Cuidado com os rótulos

  1. É isso mesmo Luciana! Quantos bons livros com capas ruins e quantas capas lindas guardam capas ruins não é? É quase impossível saber de antemão! Temos que ler as orelhas e os livros (ao menos o capitulo 1) para conhecer sem pré-julgar! ❤

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