Jamaica, no problem!

Vá lá e bote um som pra tocar. De preferência um reggaezinho, que é para embalar nosso papo turístico deste mês. Vou falar sobre a Jamaica, país insular do Caribe, que tem quase a mesma idade do Brasil.

Esse é um daqueles lugares que sempre me despertou muita curiosidade, talvez por causa de suas músicas, da cultura rastafári ou pelos estereótipos que carrega. Sou avessa aos rótulos (acho que limitam mais do que explicam), então foi muito bom chegar lá e ver que a Jamaica vai muito além de seus clichês.

O principal deles é a maconha (ou ganja, como é conhecida localmente). Muita gente me pergunta se é seguro ir para a Jamaica! Tive uma experiência boa, zero assédio, apesar de saber que ela existe em abundância, já que deixou de ser proibida ano passado. O governo vem fazendo interessantes pesquisas e quer usá-la para fins medicinais. Aliás, o que foi a Glória Maria fumando maconha nesse último Globo Repórter? Quem viu? Achei impagável

Tassiana 069.jpgO lema da Jamaica é “no problem”. E acho que isso define bem a vibe alto astral dos jamaicanos. Eles têm problemas? Muitos! O alto índice de pobreza e desemprego assola o país, no entanto senti que as pessoas não são fatalistas, sabe? Não ficam por aí reclamando de tudo. Nas várias vezes que tive a oportunidade de conversar com os moradores, senti um positivismo que me tocou… A bandeira está por toda parte! O verde representa a riqueza agrícola e a esperança; o amarelo, as riquezas naturais do país e a luz solar; já o preto simboliza a força e a criatividade de seu povo.

A religião é uma força importante na estrutura social da ilha, que conta com uma histórica tolerância religiosa. Herança de seus antepassados africanos, acredita-se que na Jamaica tenha por volta de cem cultos diferentes. Eu não sabia, mas apenas 10% da população é rastafari. Em geral, os “rastas” são naturalistas, vegetarianos, usam dreadlocks (trancinhas nos cabelos), e pregam fraternidade entre os povos. Seu maior expoente foi Bob Marley, que se tornou um ícone do país ao pregar a paz humanitária em suas músicas.

Tassiana 156.jpgE as cores, gente? Foi surreal dar de cara com aquela arquitetura mega colorida. Vocês sabiam que a Jamaica já foi diversas vezes cenário para os filmes de James Bond?! O turismo tem um papel decisivo na economia. E há razão de ser: as praias são lindíssimas, e por incrível que pareça, o país ainda é um destino pouco explorado, então prepare-se para ter uma praia deserta em certas épocas do ano.

O rum jamaicano é bem conhecido (não deixe de provar o Appleton). Outro produto famoso é o café Blue Montains, o mais caro do mundo. Gosta de uma pimentinha? Entao prepare-se para se sentir em casa na Jamaica. Experimentei um prato típico, Jerk beef, espécie de churrasco acompanhado de um molho agridoce apimentado, e saí de lá atordoada, cuspindo fogo pelas ventas, mesmo tendo pedido a versão moderada!

A Jamaica também é conhecida por suas habilidades esportivas! Quem contribuiu para tal foi Usain Bolt, uma lenda viva das pistas de atletismo. É o único atleta bicampeão Olímpico da história com recordes em várias modalidades e por isso considerado um dos maiores velocistas de todos os tempos.

Inglês é a língua oficial, contudo eles falam uma espécie de dialeto chamado de Patois, mistura de espanhol, inglês e francês. A Jamaica tem bons hotéis e restaurantes, e o preço não é dos mais salgados. O melhor período para se visitá-la é de dezembro a abril pois chove menos e é mais fresco. Evite a época de furacões, de junho a novembro. O voo de Miami para a Jamaica dura menos de 1 hora.

Que tal nadar na Lagoa Luminosa (Glistening Waters)? As águas são brilhantes, devido à um fenômeno natural, em que microrganismos se desenvolvem graças à um encontro entre a água doce e salgada. Essa mistura faz com que emitam um brilho intenso, quase sobrenatural.

Visitei Ocho Rios e Montego Bay, e ambos foram ótimas surpresas. Ocho Rios é famoso por suas cachoeiras (destaque para Dunns River Falls, cujas águas cristalinas desembocam no mar) e por seus penhascos de rochas calcárias. Indico um passeio ao Dolphin Cove, um aquário construído na praia, onde é possível nadar com golfinhos ou, para os mais corajosos, com tubarões e arraias.

Montego Bay é conhecida pela beleza de suas praias, muitas delas protegidas por barreiras naturais de recifes. A mais conhecida das praias é a Doctor´s Cave Beach, que é no mínimo linda de morrer! Apesar de possuir belos resorts, é o mar, com seus “cinquenta tons de azul”, que fica marcado na memória de seus visitantes.

Para a noite, não deixe de visitar a Hip Strip, uma avenida cheia de barzinhos animados ao som de reggae. Garanta suas lembrancinhas na feirinha de lá, a Kraft Market (aquela camiseta colorida e tão tradicional não pode ficar de fora)! A boa notícia é que a cidade é zona franca e por isso, os produtos não são taxados.

Fui embora da Jamaica muito feliz! A gentileza e o sorriso de seu povo foram uma constante em toda a viagem. Saí com a ideia reforçada de que viajar te faz olhar o outro com olhos menos preconceituosos, mais doces e tolerantes. Pude presenciar um país em que as pessoas assumem seus cabelos black power (aposto que as chapinhas encalham no supermercado ) e têm orgulho de suas raízes. Vi de perto o estilo “paz e amor” com que vivem a vida e recepcionam seus turistas, estilo esse que deveria ser universal, independente de religião e crença. Por isso me despeço, deixando-os muito bem acompanhados de Bob Marley e de sua genialidade “Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais”.

Até breve, Jamaica!

Tassi BiografiaTassiana Rossignoli
Mineira, casada, jornalista. Apaixonada pela família, pelos amigos, por viagens, livros, fotografia, músicas, filmes e pipoca. Adoraria fazer um curso de gastronomia. Sonha em ser mãe e ter uma casa na praia. Frase favorita: “Muitos pensam que sou rico. Outros pensam o contrário. O que ninguém sabe é que minha riqueza é medida em histórias, em experiências e pessoas. Sim, Então sou rico.”- Fergal

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