Aquela coisa que rola entre pai e filha e que ainda não tem nome

Helena nasceu há três meses… Estive ausente, natural…


Estou aprendendo muito com essa menininha. Existe uma frase de uma música do Raul Seixas que diz: “a frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração”. Adoro esta frase. Uma das principais mudanças filosóficas na minha vida com o nascimento da Helena certamente foi minha relação com o relógio.

Sempre fui extremamente pontual. Acho a falta de pontualidade um desvio de caráter, um profundo desrespeito com o outro. Mas como ser pontual se, quando estamos prontos para sair, a Helena faz cocô ou quer mamar longamente como se não houvesse amanhã? Para-se tudo e esperamos o tempo dela.

Helena flexibilizou o tempo e outras coisas também. Por uma série de fatores, planejamento e coincidências profissionais, estou conseguindo me dedicar mais a Helena, além dos cinco dias da famigerada licença paternidade e os 20 dias da licença paternidade estendida que é puro marketing onde 90% das empresas não aceitam.

(Cinco dias: no primeiro registra o filho, no segundo vacina, no terceiro leva ao pediatra, no quarto leva a documentação da esposa para a licença maternidade, no quinto a criança está estranhando o pai.  A sociedade é machista e delega à mulher toda a função de educar a criança. Nunca vi um desses deputados defensor da família tradicional brasileira defender uma causa relevante. Uma bandeira importante seria estender verdadeiramente a licença paternidade).

Feito o desabafo, continuo…

Esses dias, um amigo me propôs aproveitar o tempo que estou tendo com a Helena para fazer consultorias de marketing político neste ano de eleições municipais. Quem me conhece sabe que eu adoro trabalhar e colocar meus ganhos financeiros em prol exclusivo de minha esposa e filha, mas…

Neguei com um imediatismo que até eu fiquei assustado com minhas certezas. Na atualidade ganho o suficiente para suprir as necessidades de casa.

Não sejamos apenas românticos. Para ser pai tem que ter condições financeiras para tal mister. Isso sempre me preocupou e me preocupa: ninguém sabe o dia de amanhã.

Quando fiz o curso de gestante (isso mesmo: fiz curso de gestante, sozinho, e já havia contado isso em outro texto) uma das palestrantes falou algo que não saiu da minha cabeça: o amor que a gente sente faz bem para a gente. O bebê sente o amor pelo toque.

Além de grana, amor é fundamental para o desenvolvimento, criação e aquela coisa que rola entre pai e filha que ainda não tem nome. Amor é muito abrangente. É um olhar que persegue sua voz e abre um sorrisinho quando cruza com seus olhos.

Reescrevendo a música do Maluco Beleza: a frieza do meu bolso não compete com a quentura do meu coração… (Rauzito vai além)… “Coração que bate, quatro por quatro, sem lógica e sem nenhuma razão”, por você, minha maluquitas.

 

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Rodrigo Pael Ardenghi é professor universitário, jornalista, mestre em Comunicação e Semiótica, casado, católico e corintiano fanático.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

11 comentários sobre “Aquela coisa que rola entre pai e filha e que ainda não tem nome

  1. É isso aí. Os pais “modernos” sofrem deste mal: fornecem aos filhos o conforto material da escolinha, aulas de ingles, equitação, piano, jazz, ballet e tudo o que pode existir de arte, educação e cultura mas se esquecem de abraçar os filhos de noite, contar histórias e de ligar ocasionalmente para eles — mais crescidos, é claro — e saber se estão bem e precisam de algo. Mas ter ciência disso tudo, com certeza, já é 50% da solução do problema. Belo texto! Abraço ao autor!

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