Você é a roupa que veste?

Roupas, muitas roupas, revistas de moda, programas de moda e muitas idas a lojas, especialmente às de fast fashion (aquelas redes enorrrmes que estão localizadas, de modo geral, nos grandes shoppings). Assim vivi por um bom tempo; afinal, nem todas as mulheres resistem a peças interessantes por um preço mais acessível, não é mesmo?

Como resultado disso, um guarda-roupa do tamanho do mundo com roupas esquecidas, muitas tristinhas por serem pouco lembradas. Um dia, me lembro de alguém me dizer algo que foi o estopim para a revolução no meu guarda-roupa: a roupa que está no seu armário por mais de seis meses não pertence mais a você. E percebi que ela estava certa. Fiquei alguns meses relutando em passar para frente aquelas peças; mas, por fim, vi que não iria usá-las mesmo. Doar aquelas roupas sempre que começassem a ficar tristinhas foi o marco zero no meu processo de escolha consciente com relação ao que vestir.

O passo seguinte se deu ao ler a notícia de que muitas daquelas redes de fast fashion que eu a-d-o-r-a-v-a estavam sendo denunciadas por uso de mão de obra escrava e exploração de trabalho infantil – sim, até aquela famosa espanhola, minha preferida. E agora, José? Quem sabe se eu der uma paradinha, mas voltar a comprar lá na frente… eles devem perceber o erro que cometeram e mudar a política de trabalho, né? Os meses passam e quando vejo, estou eu, novamente, comprando na bendita espanhola. Não foi da noite para o dia, um processo um pouco lento – na verdade, de anos, confesso sem muito orgulho disso.

E foi assim que o conceito de moda sustentável surgiu na minha vida. Mais do que uma forma de se vestir, esse conceito faz parte de uma filosofia de vida. A moda não é mais vista como um comércio capitalista selvagem, sem se importar com os funcionários, o meio ambiente e nem a qualidade da peça; com a visão sustentável, o processo envolvido em toda a cadeia de produção não prejudica o ecossistema, não explora a mão de obra e a qualidade e durabilidade da roupa é incomparavelmente maior. Ou vai me dizer que você não está cansada de comprar aquela blusa linda que, em pouco tempo de uso, lhe dá tchau pra nunca mais voltar? Ficamos, então, com a qualidade e não com a quantidade de peças no armário.

Com a nossa correria do dia a dia, com a crise econômica e tantos outros fatores, ser adepto da moda sustentável parece algo distante; mas quando pensamos em todos os benefícios e em como é bom olhar para o nosso armário e ver cada vez mais escolhas acertadas, isso se reflete em outras áreas de nossa vida e até sobre a nossa visão sobre nós mesmos.

Ao invés do já conhecido fast fashion, vamos olhar um pouquinho mais para o que o movimento slow fashion tem para nos oferecer. E ele não está restrito aos ateliês exclusivos de peças feitas à mão e que têm “pipocado” nos grandes centros ultimamente; mas, de modo especial, aplica-se, também, àquela costureira que trabalha solitariamente em sua salinha, até mesmo à sua mãe, avó ou, quem sabe, você.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s