O Dia dos Pais não precisa ser triste

O Dia dos Pais está logo ali e todo ano é a mesma coisa, muitas propagandas de produtos, lojas e shoppings relembrando aos filhos que seus pais merecem um presente. No meu caso, como eu não tenho pai e raramente assisto TV, quase sempre me esqueço desse dia. Tanto que me lembro de, por vários anos, convidar um amigo ou outro para fazer algo nesta data e, em seguida, me dizerem: é Dia dos Pais. Puxa, é mesmo!

Por ser uma filha de “mãe solteira”, muitas vezes me perguntam se me sinto mal nessa data. Reflito, reflito, e vejo que não. No entanto, não posso afirmar com certeza se não me sinto mal porque isso nunca me afetou de verdade, se já superei qualquer ausência paterna ou se é apenas uma forma que meu consciente encontrou para realmente não me sentir mal. Talvez, nunca saberei de fato. Minha única lembrança triste desse dia foi a de quando eu tinha uns seis anos e, lembro-me bem, estava numa sala de aula fazendo um trabalho manual proposto pela professora para o Dia dos Pais. Era uma casinha construída com palitos de sorvete, eu a havia pintado de rosa e cinza e escrito “Feliz Dia dos Pais”. Acredito que foi nesse momento que eu me deparei pela primeira vez com a ausência paterna.

“Como sentir falta de algo que não se teve?”, poderia lhe dizer. Mas a verdade é que o amor paterno é essencial na vida de qualquer pessoa. Se você não teve a presença de um pai biológico ou adotivo no seu dia a dia, com certeza, já deve ter transferido a necessidade da aceitação filial para alguém do sexo masculino – em minha vida, foram os tios.

Tive a graça de ter sido muito amada de todos os lados, especialmente na minha infância, mas, ainda assim, vejo que a ausência da figura paterna – de fato – fez com que eu não confiasse em muitas pessoas do sexo oposto. No fundo, havia sempre aquela vozinha dizendo: não se doe tanto, pois, talvez, essa pessoa vá te abandonar também. Até que um certo dia, o tempo passa, a ficha cai e você para de culpar – de modo consciente ou não – a seu pai, faz as pazes consigo mesmo e vê que o único responsável por sua felicidade é você.

Muito mais que para um filho de mãe solteira, imagino como deva ser difícil para um filho que sempre teve a presença de seu pai e o perdeu. Para essas pessoas, o Dia dos Pais deve ser ainda mais doloroso. Existem, também, os pais que, de certa forma, já morreram em vida para seus filhos. Ouso dizer que, talvez, esse dia seja ainda mais amargo para estes. De um lado, você não tem as boas lembranças que te movem a, mais que dar um presente, dar-se como presente a seu pai; de outro, você não tem algo desconhecido em sua história, algo que poderia lhe fazer até mesmo sonhar com a possibilidade de que seu pai fosse alguém admirável e generoso. A realidade é conhecida, e você tem de aceitá-la simplesmente.

Em um dia como esse, tão feliz para uns, triste para outros e indiferente para alguns, a maior lição que podemos tirar é por meio da gratidão. Se você teve ou não a presença de um pai, agradeça as circunstâncias, olhe para trás e veja que essas mesmas circunstâncias ajudaram a formar seu caráter. Ninguém é responsável por aquilo que nos tornamos além de nós mesmos e, por essa razão, o Dia dos Pais não precisa ser um dia triste para ninguém.

Feliz Dia dos Pais!

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6 comentários sobre “O Dia dos Pais não precisa ser triste

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