Por que gosto de gente inacabada

Gosto de gente incompleta, inacabada, gente que se diz frustrada, fracassada em alguma coisa, mas que continua a luta, que usa destes adjetivos  – que, para muitos, são pejorativos – e ri simplesmente. Gosto de gente incompleta, inacabada, que não se desespera e nem se preocupa com o que o outro vai achar! Especialmente, numa sociedade em que você tem que ser muito bem sucedido, que você tem que ‘chegar lá’ e, para chegar lá, tem que aprender 1 milhão e 2 mil e ½ fórmulas de como se dar bem. E onde fica o ‘lá’? Fica sempre ‘lá’…

Gosto de gente incompleta, inacabada,  gente que entende que aprender é mais importante que aparentar ter aprendido. E que isso leva tempo. Gente que não se sente intimidada ao mostrar suas limitações, mas tem orgulho do pouco que conhece, pois o que aprendeu foi de verdade (e não provém de marketing pessoal). E onde é esse lugar em que os bem sucedidos (baseados em que mesmo?), os inteligentes (definidos por que fator mesmo?), os bem resolvidos (com qual padrão referencial mesmo?) chegam?

Por que eu vejo pessoas que dizem que chegaram lá, mas que, apesar de serem referência no seu meio, não tiveram tempo de apenas ‘ser’? Por vezes, podemos viver uma vida que estamos ensaiando e esquecemos de viver nossa vida real. Existem pessoas que, de tanto falarem que “são” acabam “sendo” sem de fato “ser”. Conhece alguém assim? E quantas carcaças ambulantes que se movem ao ritmo do vento e não fazem nada além de serem ‘levadas’ por ele. Nada de ir contra o vento, nada de ir contra a maré, nada de ir, seguir, quando todos param ao seu redor. Nada de ação e nem mesmo reação. Quero ser “gente” que não tem medo de mudar, ou de dizer: “errei e errei feiooooooo!” Quero ser “gente” que olha pra trás e diz: “vou ‘tentar’ fazer melhor desta vez. Se não dar certo, amanhã tento de novo!” 

Conheço pessoas que chegaram, mas não chegaram aonde queriam. Queriam “menos” que conseguiram? Não! Queriam mais! Queriam ser o que sonhavam; outras, o que sonhavam para elas. Queriam, mas? Queriam, mas havia muitas promessas e descobriram que o prometido era irreal. Anos de empenho buscando uma ilusão. Quando chegaram, nada da tal portinha dourada abrir.  Viram que a “chave do sucesso” era inadequada para abri-la. Descobriram que os manuais e livros de autoajuda não eram customizados.

Gosto de gente incompleta, inacabada, simplesmente porque são pessoas reais. O resto é apenas uma imagem fabricada. Bom mesmo é não ter medo de ser quem somos. E, se ainda não souber quem  é, tudo bem. Apenas seja aquilo que pode ser no momento. Lembre-se: no fundo, somos todos seres incompletos buscando continuamente a nossa complitude. De outra forma, a vida perde o sentido.

IMG-20151102-WA0008 (1)Cristina Coutinho
Paranaense, formada em Administração e graduanda em Psicologia, na ciência encontra a essência e reconhece que, quanto mais aceita quem é, avança. Ama música, poesia e saudade; todas a levam em direção ao céu. Acredita no poder da palavra escrita e da linguagem verbal, ou não. Entende que a vida flui de dentro pra fora e, por isso, o amor deve ser sua maior necessidade diária.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

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