Quem cala, consente.Então faça alguma coisa!

“A Universidade é um espaço de diálogo.”

“Todos devemos respeitar a liberdade de opinião.”

“Cada um sabe o que é certo de acordo segundo sua consciência. ”

Não é raro ouvir esses discursos na sala de aula, na roda de amigos, no almoço, mas será que as pessoas que o proferem são coerentes com suas palavras? Digo porque, como mulher e estudante universitária, nem sempre me sinto representada por aquelas autodeclaradas defensoras de nossos direitos e do nosso lado.

Tudo começa quando você chega à aula e se depara com uma professora apoiadora de causas muito nobres, mas da qual também discordo em vários pontos. Teria até uma certa admiração por ela, pois é uma pessoa batalhadora, proativa, não fica sentada de braços cruzados esperando resultados, mas esse sentimento acaba quando ela começa a “puxar a sardinha para o próprio lado” , sem  deixar espaço para outros pensamentos diferentes dos seus.

 A partir do momento em que  se começa a problematizar tudo o que se vê pela frente e, na primeira manifestação contrária, corta a palavra do estudante e ataca todas as suas ideias, para mim já não há mais diálogo, mas uma tentativa de se sobrepor ao outro. Fico triste com isso, porque o local mais adequado para a escuta, para que aprendamos e compartilhemos novas visões de mundo e possamos abrir a cabeça e conviver com novas realidades fica reduzido a uma aula desinteressante na qual uma pessoa fala e os outros devem se contentar a ouvir, calados e, se possível, assentindo com a cabeça. A pessoa que se diz defensora da liberdade de opinião é a primeira a tolher qualquer perspectiva diferente da sua.

Fiquei por um tempo desestimulada com essa realidade, pois tinha a impressão de que era a única que pensava diferente naquela sala, e em outras também, pois “quem cala, consente”, e só ouvia o silêncio de todos enquanto o tempo passava. Ia para a aula apenas para marcar presença e ver qual conteúdo cairia na prova, e quem sabe eu faria alguma coisa mais interessante depois de formada, ou conhecesse gente mais interessante em outros cursos…

   Um dia, na fila do  famoso Restaurante Universitário, me peguei conversando com uma amiga justamente sobre essa certa falta de liberdade no ambiente acadêmico, não expressa em palavras, mas em atos, e como eu detestava ouvir os mesmos tipos de argumentos. Qual não foi a minha surpresa ao ver que ela sentia a mesma coisa do que eu! Percebemos que muitas vezes até discordamos de alguns pontos apresentados pela professora, mas não tínhamos argumentos sólidos para contrapor, nos aspectos tanto políticos quanto humanos. Vimos que, se quiséssemos ter uma visão mais completa do contexto em que vivemos, teríamos de procurá-la por conta própria. Assim, decidimos começar um grupo de estudo independente para os assuntos mais diversos, começando pela Antropologia Filosófica. Outras amigas do mesmo curso já se interessaram em participar conosco e começaremos esses estudos em outubro. Espero escrever daqui a uns meses contando como foi a experiência.

   A  “moral” da história poderia ser esta: mesmo quando nos sentimos isoladas ou incompreendidas, não devemos desanimar; sempre há alguém disposto a dialogar e nos ajudar, às vezes mais perto do que imaginamos. Se estamos incomodadas com alguma situação na escola, na faculdade, no escritório, ou onde estivermos, devemos dar a volta por cima e sempre tirar algo para nosso enriquecimento, ao invés de nos derrubar. Se prestarmos mais atenção em colher as rosas ao invés de reclamar dos espinhos que aparecem ao longo da nossa vida, a nossa visão de mundo será muito mais vibrante e esperançosa.

Vá atrás de suas amigas, vizinhas, colegas, e compartilhe seus ideais e conhecimento: você irá se surpreender com o que escuta e poderá ajudar outros em seu caminho.

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Luisa Avanci Laval

É difícil definir alguém tão indefinido, mas aqui vão algumas tentativas: estudante de Jornalismo, moro no coração desse Brasil, apaixonada por escrever e pela poesia, com uma queda pela fotografia, sonhadora (daquelas bem voadas). Blog de um projeto de escritora: fatoscronicos.wordpress.com

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

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