Maridos são como as sobremesas

Há pouco assisti a um vídeo onde a cantora Cher fala em uma entrevista sobre o porquê de acredita que os homens são como uma sobremesa. Ela declara que, assim como as sobremesas, ela gosta de homens, mas que eles não são necessários. Cher conta que quando sua mãe falou que ela precisava se concentrar em arrumar um marido rico, a resposta foi: Eu sou o meu marido rico.

Sou a mais nova de quatro filhas mulheres. Venho de família tradicional, aliás, tradicionalíssima. Não que tenhamos nome nobre, mas sim costumes de “antigamente”. Também carrego em minha história o fato de ser filha de um pai analfabeto e mãe com pouca escolaridade. Meu pai, o “provedor” do lar, explicarei as aspas mais adiante, e minha mãe uma exímia dona de casa.

Fui a primeira da família a ingressar no ensino superior graças a uma bolsa integral em faculdade particular. Enquanto isso, como na época minhas irmãs não tiveram as mesmas oportunidades, precisaram fazer o caminho inverso e primeiro trabalhar para então poder pagar a própria faculdade. Não posso dizer que foi difícil estudar, pois apesar de não ter ajuda nas tarefas meus pais nunca dificultaram minha ida à escola.

Para além disso, minha mãe sempre foi uma facilitadora em minha vida. Agora posso explicar as aspas. Enquanto eu estudava, ela se desdobrava em atividades lucrativas para garantir mais que o pão que meu pai trazia para casa. Ela me comprava sonhos. Nos simples materiais escolares, roupas, tênis, me preparava para a tarefa mais importante da vida, ESTUDAR.

Ela e eu mesma já fomos muito criticadas, pois eu estudava e ela fazia a comida, limpava a casa, arrumava minhas roupas. Por não saber preparar um arroz provavelmente nunca arrumaria um marido, me diziam.

Minha mãe não era nenhuma ativista dos direitos femininos. Não me lembro de nunca ter me falado algo de mal sobre o casamento. Mas sobre estudar para ser alguém na vida, ah, isso ouvi várias vezes. Não sei de onde tirou isso, pois essa não era uma realidade próxima para nós mulheres da família. Mas ela sabia do que falava.

Hoje, sou casada. Me casei pouco depois de concluir a faculdade. Deus foi bondoso comigo ao escolher meu marido, mas antes de conhecê-lo nem pensava em me casar. Fui preparada para ser meu marido rico. E acreditem, isso foi grandioso para meu casamento.

Não estou dizendo que todas as mulheres têm que fazer faculdade ou ter um trabalho fora de casa. Pelo contrário. Estou falando que essa escolha é nossa. Maridos precisam, sim, ser como sobremesas: trazer doçura para nossas vidas. Eles precisam ser nosso consolo nos momentos mais tristes e, também, ser nossos companheiros de grandes comemorações. Afinal, se doce não fosse bom não seria servido nas melhores celebrações da vida. Ter marido não deve ser uma necessidade, o necessário mesmo é ser feliz.

Gabriela-Oliveira

Gabriela Oliveira, casada, jornalista e especialista em assessoria de comunicação. Nascida no DF, mas com sangue nordestino correndo nas veias. Apaixonada por uma boa conversa, música e por escrever. Católica desde sempre.Descobrindo que a vida se descobre aos poucos.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

12 comentários sobre “Maridos são como as sobremesas

  1. Gabriela!
    Amei seu texto…me identifiquei com ele. Lá em casa tivemos as duas coisas: de um lado um pai incentivando os estudos e do outro uma mãe nos ensinando as coisas de casa. Ela dizia que, já que eu queria morar fora para fazer faculdade, precisava aprender as coisas de casa. E a sabedoria dos dois se complementaram…obrigada por compartilhar sua história conosco!!

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      1. É verdade Gabi, não existe regra. Fui criada só com meu pai, desde os três anos. Ele trabalhava e cuidava da casa, sim, ele fazia os trabalhos domésticos para eu estudar. Me cobrava notas altas por isso. Ele. Ficou muito decepcionado por ter me casado cedo, achou que eu iria me acomodar e me encher de filhos. Depois ele viu que mesmo se fosse assim, também seria bom, importava que estava feliz. Mas como diz seu texto, meu marido é minha sobremesa e não meu prato principal. Meu prato principal eu mesma faço.
        Belo texto, parabéns. Sua fã para sempre, bjs.

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    1. Mônica que Deus a abençoe com uma vida linda e só sua. Uma vida repleta de alegria, realizações e com seu toque pessoal, pois não temos que ser como ninguém. Nossa única necessidade é ser feliz a nosso modo. Abraço e obrigada por ler meu texto.

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