Todo mês é outubro rosa

Outubro se foi, mas nem por isso devemos nos esquecer da importância do exame de toque. Como exemplo, vou relatar um pouco da minha história a fim de que você possa se atentar sobre a importância de sempre que possível fazer o autoexame. A princípio, meu desejo era passar por esta fase de minha vida de maneira mais íntima e reservada possível, longe das redes sociais e próxima dos amigos e familiares mais queridos e, acima de tudo, próxima a Deus, fortalecendo a cada dia minha fé para levar esta fase com muita serenidade. Porém, há algumas noites que acordo de madrugada com a consciência me dizendo que este aprendizado não pode ser somente meu, pois, talvez, eu possa ajudar outras mulheres a não passarem por isto ou, ainda, alertar a tempo de um tratamento.

Fui diagnosticada com câncer de mama no dia 17 de agosto de 2016, com 43 anos de idade e tive que fazer a mastectomia da mama esquerda e retirada de um nódulo na mama direita, bem como esvaziamento axilar do lado esquerdo, cirurgia que aconteceu no dia 16 de setembro.
Infelizmente, não fui a primeira mulher a passar por isto e, não serei a última, é uma doença que não escolhe classe social, nem idade, sendo que a cada dia mulheres mais jovens vêm sendo acometidas pela doença.

Qual é a importância da mulher fazer o autoexame?

Hoje acho que é fundamental e vou explicar a razão: fazia mamografias e ultrassom da mama de forma semestral, pois acompanhava umas calcificações e em março deste ano tudo estava como antes, as calcificações continuavam da mesma forma, sem anomalias, sendo que minha médica comentou que já havíamos cumprido o protocolo fazendo o exame semestral por três anos, então poderia voltar a fazer mamografia e ultrassom de forma anual, ou seja, eu voltaria a fazer os exames em março de 2017.
Não tenho o hábito de fazer o autoexame, até porque ia ao médico duas vezes ao ano, mas, no dia 10 de agosto algo levou a me tocar e, acredito piamente que esta ação teve a proteção Divina, principalmente, quando o mastologista em nossa primeira consulta me disse que eu ter encontrado o nódulo fez toda diferença no meu tratamento.

Mais tarde entendi como foi importante eu ter encontrado este nódulo, pois no meu caso cada mês a mais faria diferença no tratamento, devido à forma agressiva de multiplicação das células cancerígenas, o exame imuno-histoquímico mostrou o Ki 67 de 70% e o câncer, ainda, estava na fase inicial, graças a Deus. Se tivesse sido diferente, se não tivesse me tocado e somente voltado ao médico ano que vem, a história provavelmente seria outra.

Deixo o alerta também para realização de exames, tive que fazer uma nova mamografia antes da cirurgia e ela não estava detectando o nódulo, devido à sua localização na lateral da mama, próximo até da axila e eu tive que mostrar para a médica o local em que ele estava em meu corpo, então ela fez a marcação com uma peça metálica para localizar no exame. Tal fato me faz pensar que o ultrassom da mama também é uma boa ferramenta para complementação, este exame mostrou no meu caso o nódulo que achei e mais dois outros nódulos. Sei que muitas mulheres somente fazem a mamografia e acho que fazer o ultrassom é uma maneira a mais de prevenção.

Ainda tenho uma estrada para trilhar, minha quimioterapia começa dia 14 de outubro, porém, eu só tenho que agradecer, pois em menos de dois meses já estou operada e iniciando o tratamento e é uma benção saber que existe um tratamento, não é?

Chegou o momento de desmistificar a tão temida quimioterapia, ela é um tratamento pesado, no meu caso terá a duração de seis meses, vai fazer meu cabelo cair, meu corpo reagir ao medicamento, mas, principalmente, vai me proporcionar um aumento na taxa de cura, então, bendita seja a quimioterapia!
Depois ainda tem a radioterapia e, ao final de todo tratamento, o término da reconstrução da mama, com um passo de cada vez… uma hora tudo há de passar.

Então, sei que às vezes não temos como evitar passar pelas tormentas da vida, mas podemos tentar transformar que este tipo de batalha seja um capítulo de nossas vidas e não um ponto final.
Assim, fica a dica, cuide-se, toque-se e se ame.

Câncer de mama tem cura, principalmente se diagnosticado a tempo!

 nadiaNádia Bueno Gomes

Com 43 anos, sou mãe de Ticiana, 22 anos, Amanda, 20 anos, Maria Luísa 11 anos e Miguel, 8 anos. Tenho um marido que é uma benção e trabalho como Analista em Direito no MPMG.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com .

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