Ser criança todo dia

Ser criança, o que isso remete a você? A mim, sempre me remeteu à palavra INFÂNCIA, e a descrevo assim, em caixa alta, porque a minha foi uma SUPER INFÂNCIA. Que o diga meus primos, levados e com tantos arranhões na pele como eu. Ok, eu vivia suja, mas era completamente destemida e tinha muita, muita energia!

As brincadeiras eram outras, futebol, queimada, jogar bete, bandeirinha, rolar na lama, apostar corrida, nadar no córrego (escondido), roubar goiabas na vizinhança da casa de minha avó, dormir tarde inventando mil coisas depois da competição interminável do jogo imobiliário. Simplesmente achar que a vida não tinha fim.

Atualmente a palavra criança me remete à minha sobrinha e, também, afilhada. Vejo as brincadeiras, os lugares, os balanços nos parques e logo vem em meu pensamento o meu pequeno presente. Fico desejando que ela não cresça, não ultrapasse seus quatro anos. Seja assim congelada quase, encantadora, formidável e doce sempre.

Mel me trouxe um novo significado de vida, me deu paixão pelo SER, e a partir daí simplesmente TER tudo.

Ela ainda cabe em meu colo e, dentro do seu abraço, cabem todas as coisas que mais amo no mundo: algodão-doce, música da Xuxa, dançar no meio da sala, tomar banho de mangueira e subir em árvores. Ainda assim, existem duas coisas que amo mais que tudo, são elas as duas pintinhas que a Mel carrega no rosto, bem próximo ao olho esquerdo. Acho que Deus desenhou aquilo ali para me lembrar de ser feliz todo dia.

Mês passado vivemos nosso primeiro dia das crianças sem comemorar, afinal ela já é uma moça, tem uma bolsa e carrega nela desde roupas, brinquedos e seu gloss preferido. Vaidosa como ela só, adora tomar banho e perfumar-se. Troca de roupas de acordo com a ocasião, e tem certa paixão por sapatos. Minha mãe diz que sou uma centopeia, acho que isso tem a ver.

Ela me lê as histórias de seus livros, e eu fico ali sendo preparada para dormir.

Outro dia ela me disse ter algo para falar, e depois de um dia inteiro tentando saber o que era, bem ao me despedir, ela segurou meu rosto com suas duas mãos pequeninas e me disse, “Madrinha, você sabe o que é minha? Minha segunda mãe.” Chorei, fiquei de voz embargada, peguei a chave do carro e saí.

Mel me desconcerta com suas frases fora de hora, sua inteligência aguçada, sua leveza, sua simplicidade e sua altivez. Sim, ela é uma criança e possui altivez! Creio que será uma mulher forte, determinada e alegre.

E aí eu descubro que minha criança interna só tomou forma naquela pequena criatura, que minha personalidade e meu gênio tão forte, estão ali calcados. Amo-a mais por parecer comigo e fazer disso uma melhor versão. Além de ressignificar nossas vidas, Mel sempre nos traz à tona algum ensinamento gentil, é generosa e sagaz. Acho incrível o fato de ela ser tão compreensível com todas as coisas da nossa vida de gente grande. Mel me desafia! Minha irmã, uma mãe formidável, tem parte nisso.

Lá em casa ainda sobra um tanto de carinho para minha irmã Letícia de 12 anos e por isso já é uma semiadulta, mas, ainda assim, possui um encanto que acho o máximo e que me reconheço (crises de riso tão fortes que a levam ao chão com dor na barriga). E meus sobrinhos Thaios e Gabriel, que já são também adolescentes, mas, continuam sendo minha referência de amor e abdicação.

Então, minha sugestão é que, para além da de qualquer data festiva e claramente comercial, você role na grama, dê aos seus filhos e crianças ao redor Presença, mais que Presentes. Conforto é saber que temos uma vida toda pela frente no sorriso de alguém pequeno.

Até que eu tenha meus filhos, e ainda que cresçam, mesmo depois, minha criança pequena sempre estará refletida nos olhos lindos da minha Mel, minha filha do coração.

Obrigada criança, você ilumina todos os meus dias.

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Sheila Souza
Jornalista brasiliense, mestre em ciências da comunicação. Cristã, solteira, amante de viagens e do desconhecido, ama liberdade e acredita que toda mudança vem para o bem.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com .

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