Sobre amor e comprometimento

Os últimos acontecimentos da minha vida pessoal têm me feito repensar todos os conceitos do que vi e aprendi sobre o amor e sobre o que é preciso para que tenhamos relacionamentos saudáveis e felizes.

Quando criança, as leituras dos Contos de Fadas criaram em mim uma falsa impressão de quem em qualquer relacionamento, eu devia ser sempre agradada, cortejada e que o centro devia ser eu. O contrário, jamais. Para mim, a outra pessoa – e tenho vergonha de dizer isto! – era simplesmente alguém para satisfazer meus egos e caprichos. Ninguém nunca me ensinou que qualquer relacionamento só seguirá se houver reciprocidade, respeito e doação mútuos. Que é um trabalho de equipe, um trabalho conjunto.

Desenraizar essas crenças que foram construídas em você é tarefa de artesão. Tem que estar comprometido e disposto ao ônus e aos bônus. Do alto dos meus 29 anos de vida e sem falsa modéstia, posso dizer que estou bastante adiantada e empenhada nesse processo. Aprendi que as emoções são instáveis demais para que o amor seja apenas um “sentimento”. Aprendi que é muito bom “sentir borboletas no estômago” quando estamos com alguém especial, mas que nem sempre vai haver as “borboletas” ou as mãos trêmulas e isso não significa absolutamente que aquela pessoa deixou de ser especial ou não é digna da sacralidade de você compartilhar a sua vida com ela.

Aprendi que meus pais e meus amigos dizem muito mais que me amam quando permanecem ao meu lado, apoiando as minhas lutas e traduzindo seu amor em gestos concretos. Aprendi que quando a pessoa realmente valoriza você, ela te dá o melhor que ela é, ela se compromete com o seu bem e não tem medo das mudanças e da metamorfose necessária. E, olha, foi duro! Mas, compreendi que tudo isso não se aplica somente ao outro, mas, principalmente, a mim.

Hoje, a máxima do “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim” não faz sentido nenhum pra mim. Debaixo desse jargão, escondem-se muitas pessoas completamente fechadas às mudanças, às transformações e à evolução pessoal. Na maioria das vezes, diga-se, fazem isso por puro comodismo de ser quem se é. Do tipo: “dá muito trabalho mudar”.

Só que amar pressupõe comprometimento; consigo mesmo e com o outro. Quem ama, deve estar suficientemente engajado em transformar-se na melhor versão de si mesmo; porque o outro merece, porque você merece. E não é discurso de autoajuda. É a experiência de quem tem vivido tudo isso na pele e quer dar um conselho: se você não estiver disposto ao comprometimento, vai sofrer e muito com as falsas caricaturas de amor que existem por aí!

Que me desculpem os excessivamente românticos. Não acredito em amores que não sejam capazes de se aventurar nas metamorfoses, na doação da vida. O que acredito é que o discurso do “eu te amo” precisa estar conectado com uma vida comprometida com o outro. Fora disso, vai ser só mais um discurso vazio e superficial.

Guimarães Rosa disse que “viver é um rasgar-se e remendar-se”. O mesmo Rosa também disse que a vida é um “esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta; o que ela quer da gente é coragem”. O que esse mineiro tentou ensinar pra gente tem muito a ver com a dinâmica de quem se decide por amar; tem que estar disposto a rasgar-se, tem que ter coragem, tem que se comprometer. E aí, é vida que segue!

ana-marianaAna Mariana Araújo

Tocantinense, noiva do Danylo, jornalista por formação e apaixonada por Comunicação Institucional e Organizacional. É missionária católica da Missão Sacramento e mora em Palmas, Tocantins. Atualmente, está vivendo a aventura e os desafios da preparação para receber o sacramento do matrimônio. Alguém que acredita que os sonhos movem o mundo!

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com .

5 comentários sobre “Sobre amor e comprometimento

  1. Oi Ana Mariana,
    chegou chegando com seu primeiro texto para nosso Muitas Marias ein!
    É muito importante falar do amor para além das cenas de novela, cinema e romances literários.
    Ele exige doação, entrega, e não é, nem de longe aquele “e viveram felizes para sempre”.
    Aliás, até é, se a gente entender que a felicidade engloba também os momentos difíceis e os desafios que o casal vai superando dia após dia.
    Obrigada por compartilhar com a gente essa sua vivência de noiva!
    Muito sucesso nos preparativos do casório, paz e bem, abraço
    Mari

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  2. Lindo texto!!!!
    Temos que ter muita coragem para nos rasgar e muito cuidado para nos remendar, mas sem isso, ficamos estagnados e perdemos a oportunidade de crescer, amadurecer, de amar de verdade!!!

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