Festa de 15 anos é futilidade?

Passei meus últimos 60 dias mobilizada emocionalmente na preparação da Celebração dos 15 anos da minha filha única. Confesso que a escolha foi primeiramente dela e eu, na minha condição executiva, financeira e racional insisti na possibilidade de investirmos em uma viagem de família, ou quem sabe manter o plano original desta poupança que era um intercâmbio cultural… aquelas idealizações que mães e pais fazem como que compensando seus próprios sonhos não realizados.

Superada a fase de conversas, negociações sobre realizar ou não a festa, pensa nisso, pondera naquilo e diante da determinação da jovem menina em celebrar sua própria juventude, sucumbi à execução do seu sonho com o meu melhor e maior potencial de administradora e executiva. Seria mesmo necessária muita competência e dedicação para fazermos mais com menos, tudo em um curtíssimo espaço de tempo e com muito jogo de cintura para não fazer da limitada lista de convidados uma legítima guerra com amigos e parentes próximos. Aliás, esta sem dúvida é a parte mais difícil, pois é necessário cortar na própria carne.  Assim, montei cronograma, fiz e refiz a planilha de orçamento e lutei bravamente contra o tempo, a futilidade e desperdício.  Uai, peraí (sou mineira e por isso desculpe o colóquio): – Ouvi futilidade e desperdício? Já não seria a própria festa de 15 anos exatamente isso?

Então: essa é a grande reflexão a fazer.

Sem dúvida, uma festa de 15 anos pode facilmente se transformar num espetáculo de futilidades, pieguices e desperdícios especialmente se aquilo que vamos celebrar é algo essencialmente exógeno, voltado para o externo, para provar a algo ou a alguém qualquer coisa, seja lá o que for.

Neste sentido, festejar 15 anos pode tornar-se algo tão vazio de sentido, como gastar uma pequena fortuna numa enorme celebração de um  ano do bebê que dormirá ou chorará assustado metade do tempo da festa ou ainda entrar num matrimônio comprometido com uma dívida de 36 meses para pagar uma mega festa de casamento.

E o problema não é exatamente o que se investe na festa, mas o que nos move ao prepará-la e como nos preparamos para vivê-la!  

A festa, ou o tempo contratado para a festa, nada mais é do que a coração daquilo que já se vive, pois sorrisos sinceros não se contratam, abraços verdadeiros não se compram e lágrimas de emoção só podem mesmo brotar do coração. Caso contrário, tudo será o fantasioso e mágico espetáculo de artes cênicas que o universo tem destinado pesados investimentos em produzir e aperfeiçoar, mas que não duram nem as próprias limitadas horas contratadas junto ao buffet e ao cerimonial!

Festejar é celebrar aquilo que nos é valioso! É a vida de um bebê, é a esperança de uma família linda que se forma perante o nosso olhar testemunhal e, no caso dos 15 anos de uma menina, o celebrar tem que ser o espaço para coroar as amizades de infância, as travessuras com irmãos e primos e introduzir neste universo os amigos do cotidiano escolar e de outros grupos de convivência do qual ela participe.

Celebrar 15 anos de uma jovem é também um caminho de autoconhecimento, no qual precisamos ajudá-la, sem imposição, a refletir sobre a diferença entre amizades e coleguismo. Descobrindo como pais que existem amigos que nem sabemos exatamente quem são; ensinamos como se posicionar diante dos amigos de seus pais, de seus próprios amigos, dos parentes e diante da família estendida: àqueles que de tão próximos, já não cabem na classificação de amigos, mas que não possuem lastros sanguíneos que o justifiquem como parentes, mas acabaram tornando-se afetivamente tão valiosos quanto porque já enraizaram em seu próprio coração.

Celebrar os 15 anos de uma jovem é o caminho no qual elas precisam ser amparadas a descobrir com clareza o que gostam e o que repudiam, mas até se sucumbem pelo receio da não aceitação diante dos grupos de amigos.  É o momento oportuno de indicar a todos qual é o seu estilo para que, no desfile do salão, seja ressaltada a sua própria identidade que florescerá com maior robustez perante os olhares daqueles que para ela fazem real sentido o apreço e o carinho.  

Celebrar 15 anos é o um momento fecundo de reflexão sobre o que os meios de comunicação e as mídias sociais lhe propõe como caminho de entretenimento e o que dessa proposta precisa ser rejeitado ou acomodado no seu baú de valores.

Celebrar 15 anos de uma menina foi a experiência mais abrangente para que nós duas pudéssemos discutir o papel e a condição da mulher na sociedade atual:  o que é a imposição e o que é a escolha feminina; o que é submissão e o que é subjulgamento da mulher a um papel limitado de objeto de prazer; o que é legitimamente o empoderamento feminino, com tranquilidade e clareza, com escolhas maduras ainda que isso me pareça muito precoce para uma debutante.

Celebrar 15 anos da minha filha foi um momento fecundo de crescimento familiar, com ampla participação e apoio dos dois irmãos que abriram mão do tempo das férias, da viagem anual à praia e de inúmeras atividades de lazer para –  com responsabilidade, comprometimento, orgulho e alegria – festejar a vida da irmã mais velha e celebrar a beleza daquela linda menina-mulher que temos visto crescer em nossa casa!

Celebrar 15 anos da minha boneca foi demarcar de uma forma linda o seu desabrochar e marcar este momento com os principais sinais da nossa identidade: a fé, celebrada na missa de ação de graças; a consagração a Nossa Senhora como caminho seguro de crescimento espiritual para nós católicos; a alegria como condição sine qua non de sustentabilidade da nossa esperança; a união com nossos amigos e familiares como caminho único para as grandes vitórias.

Passados alguns dias após a festa, posso afirmar que valeu muito a pena! Aprendemos muito, e mais do que aprender:  foi um caminho frutuoso de descobertas e conhecimentos mútuos! Sem dúvida, foi uma grande festa!

eniEni Soares é Administradora de Empresas,  especializada em tecnologia da informação. Descobre a alegria de viver no matrimônio e a maternidade tripla, além das atividades missionárias do Ministério Universidades Renovadas e junto a sua paróquia.  É membra da Renovação Carismática Católica.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

2 comentários sobre “Festa de 15 anos é futilidade?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s