É preciso saber se entregar

Antes de mais nada, esse texto nada mais é do que a forma como percebo o ato de se entregar. Você pode ou não concordar comigo, mas, para mim,  entregar-se ao outro é como um presente, algo que escolhemos ser ou desenvolver por carinho àquele que amamos. Por vezes, sentimos aquele frio na barriga ao entregar um presente: será que o outro vai achar pouco? Enquanto o contrário quase não nos preocupa, afinal, é melhor pecar por mais do que por menos (pensamos). Muitas vezes, não percebemos algumas situações em que quem recebe se embaraça, fica sem saber o que fazer, quase como se não fosse digno de algo tão caro ou tão custoso.

É fácil perceber exemplos de entregas exageradas, relacionamentos onde o bem maior é agradar o outro independente se aquilo é o que faz de fato ambos felizes. Isso se dá em relacionamentos de qualquer tipo: amorosos, entre familiares, entre amigos.

É claro que nos importa a opinião de quem amamos, mas é preciso saber o limite entre o que queremos ser e o que o outro espera de nós. A felicidade consiste também em viver bem esse equilíbrio, saber o que nos faz autênticos e não perder isso! Gosto de pensar em dois simples pontos de reflexão acerca deste assunto.

O primeiro é se, de fato, a entrega que se está propondo é para o bem de quem a recebe. Parece contraditório, mas há muitas entregas que não têm esse fim, onde a preocupação é que a pessoa se sinta bem entregando aquilo. Independente do tipo de relacionamento, essa atitude jamais será saudável!

O segundo ponto é que as pessoas têm suas limitações para receber algo, e assim é inútil oferecer se o outro não conseguirá absorver aquilo, como dar um presente que não serve por mais bonito que seja. É preciso lembrar que o amor é recebido por quem sabe carregar esse sentimento e o leva dentro de si. Isso significa eliminar de vez atitudes que nos custam para pessoas que apenas nos procuram quando precisam, ou quando o interesse pessoal permite. O agradecimento e a recompensa, muitas vezes, não vêm e isso causa sofrimento.

Esse ponto também abrange casos em que a expectativa do outro é tão grande que jamais será satisfeita, por maior que seja a entrega. Como o filho que muda de profissão para agradar o pai; a irmã que muda de estilo para agradar a outra, e por aí vai. Vale a pena perder autenticidade pelo outro? Quando alguém nos ama nos quer acima de tudo felizes!

É importante saber se entregar e, muitas vezes, isso quer dizer “não se entregue demais”, mas é preciso também proteger e cuidar de quem nos ama. Isso significa perceber se há essa tentativa exagerada do outro em nos agradar e não aceitar esse presente.  Isso também é prova de amor.

img_0273Débora Romano

Engenheira de Alimentos formada pela USP. Campineira que vive atualmente na cidade do Rio de Janeiro. Católica, apaixonada por crianças.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com.

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