Educa pra mim, por favor?

Essa é a vontade de muitos de nós, pais. Terceirizar aquilo que nos foi confiado: a educação dos nossos filhos. Eu sei que esse assunto incomoda e gera polêmica, mas precisa ser tratado já. Não estou aqui para ensinar como se deve educar uma criança. Longe de mim! Quero apenas partilhar, com todo respeito a sua e a minha família, as experiências positivas e negativas que temos enquanto pais.

Romantismo gerado em torno de um recém-nascido à parte, e depois de tomadas algumas decisões importantes sobre eles, a educação dos nossos pequenos é algo sério que só é possível se houver dedicação dos pais.

Parece óbvio tudo isso, não é? Só que há uma geração de filhos criados por aplicativos de celulares, televisores, jogos e esquecidos por seus pais que está causando em muitas famílias e transformando essa geração. E o que podemos fazer para mudar isso? Organizar nosso tempo. Assim, daremos qualidade para os momentos em que passamos com nossos filhos.

Tá, eu sei que parece impossível tudo isso na prática. Ainda mais quando se tem que trabalhar fora, cuidar dos outros filhos, manter a casa limpa, e tudo mais, mas é possível sim. Choquem! Não é a educação pedagógica complementada pelas creches, babás, avós, escolinhas que estou falando. A educação que trago para reflexão é aquela que precisa ser ensinada em casa.

Geramos, amamos e trazemos filhos ao mundo. Isso não é o suficiente! Educar dá uma trabalheira danada. Por isso digo que a melhor fase da maternidade é quando os bebês estão no útero quentinho. Criança é outro ser e não um membro que posso remover do meu corpo quando e como eu quiser.

Filhos crescem com uma rapidez impressionante e tornam-se pessoas ‘independentes’, com opiniões fortes, desafiadoras e precisam ser moldados pelos pais. Tipo uma pedra preciosa que seu reconhecimento só fica aparente após ser lapidado.

Não tem jeito. Os pais precisam ser os melhores exemplos para seus filhos. E dentro de casa! Olha, nós vamos errar muuuuito. E reconhecer esse erro é também uma forma de educá-los. Já tive que pedir desculpas para meu filho, que está prestes a completar três anos porque eu estava comendo bolacha no sofá. Se ele não pode eu também não posso. Foi engraçado e constrangedor, mas aprendemos juntos.

Educação, respeito, valores morais, isso é competência nossa. Não queira terceirizar sua obrigação. Quando Miguel nasceu, em 2013, minha mãe veio ficar conosco por alguns dias. Foi a melhor experiência que tivemos em família até então. Vó de seu primeiro neto menino, ela estava radiante e foi nossa instrutora para assuntos voltados a recém-nascidos (risos).

Minha mãe nos ensinou a cuidar do meu filho, segurá-lo, dar banho e fazer todos os procedimentos que cabem aos pais. Ela poderia ter ‘roubado’ isso de mim. Como toda boa avó coruja. Essas que querem ser a mãe do neto e fazer tudo por eles enquanto os pais ‘descansam’. Minha mãe fez diferente! E por isso sou eterna gratidão a ela.

Mamãe cuidou de nós, respeitou nossas escolhas, e quando eu pedia sua opinião sobre qualquer decisão, por exemplo, dar ou não a chupeta, ela foi incisiva ao dizer que era uma decisão nossa, minha e de meu esposo.

Digo isso porque a responsabilidade dos pais não pode ser entregue a quem tá lá do lado de fora. Dentro de casa precisamos educar, respeitar e promover uma experiência agradável para que nossos filhos tenham limites e apliquem isso lá fora, no mundo real.

Irrita-me profundamente quando ouço: “Ah, seu filho só diz com licença, por favor, obrigada e desculpe porque aprendeu na creche, né?”

Não, meus queridos. Aqui em casa a mãe sou eu. Os pais exercem o poder que a eles foi confiado e deles será cobrado. Essas e outras palavras foram as primeiras ditas por nosso filho porque ensinamos isso aqui em casa. Assim também são as orações antes das refeições, a leitura antes de dormir, entre outras práticas ensinadas por nós, pais.

Que essa reflexão nos aprofunde o olhar para dentro de nossos lares. O exemplo, com toda certeza, arrasta. Filhos são o reflexo de seus pais. Se tem algo de errado com eles, em seus comportamentos, é porque algo de errado estamos passando a eles. Estamos deixando de educá-los corretamente. Assuma essa culpa ainda a tempo de corrigir aquilo que desandou. Aos pais que reconhecem essas falhas e estão dispostos a ter e ser família, nosso abraço.

simoneSimone Guedes

Jornalista, católica e casada com um grande comunicador. Mãe de uma maria e do menino riqueza, apaixonada pela vida, sonha em ter uma família numerosa e alcançar o céu.

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