Quem decide sobre nossos filhos?

Criar filhos não é fácil.

Eu sempre soube que não seria. Por isso, no texto “Escolhi ser mãe”, que escrevi para esse site, partilho as angústias vivenciadas por muitas gestantes, inclusive por mim, nesse tempo em que não estamos preparadas para mudanças. Agora, vou dividir o assunto ‘pós-filhos’ em duas etapas: decisão e educação.

Nesse primeiro momento te convido a refletir sobre as decisões que tomamos sobre nossos filhos. Escolhas essas determinantes para eles e para nossas famílias. Essas decisões são tão importantes e necessárias quanto a educação e os valores que passamos a eles, e sobre os quais leremos em breve.

Na vida real é selva, como diz meu esposo (risos). Dentro da barriga, no útero quentinho, o bebê está seguro, protegido de tudo e todos. Com isso, nossa preocupação fica totalmente voltada ao aspecto financeiro. É impressionante como nos iludimos achando que esse é o divisor de águas na maternidade. Ledo engano.

Nem tudo gira em torno de dinheiro quando se trata de filhos. Digo isso porque descobri, ainda com o primeiro filho, que há algo muito mais caro a nós, pais: decidir por nossos filhos. Não é fácil ter que tomar as decisões por eles. É algo extremamente delicado para aqueles que possuem dificuldades em fazer suas próprias escolhas.

Há quem goste de ter tudo sobre controle. Para esses pais, decidir pode ser fichinha. O que importa na maternidade é fazer as escolhas acertadas, com sabedoria, de forma rápida e pensando que elas podem mudar completamente a forma com que pensam nossas crianças.

Uma das primeiras escolhas que tomamos por nossos filhos é a definição do nome. A maioria dos pais que conheço, não sabia qual nome dar aos seus filhos. Meu nome, por exemplo, se dependesse unicamente de meu pai, seria Joana. Minha mãe bateu o pé porque queria Simone. Juntos, decidiram que o melhor para mim seria Simone e não Joana.

Miguel, meu primogênito, já tinha seu nome definido antes mesmo de existir. É menino? Ok será chamado de Miguel! Foi uma escolha dos dois, um sonho sonhado junto. Já Maria Clara, nossa princesa, só tinha o nome ‘Maria’ como certo. Até decidirmos por acrescentar ‘Clara’, foram discussões e mais discussões em família.

O peso das escolhas que fazemos por nossos filhos nos deixa impactados. É uma responsabilidade que não dá pra mensurar. Pensamos na decoração do quarto, no tipo de berço, colchão, roupa saída da maternidade, chás de bebês, fraldas e tantas outras coisas, tudo isso com a mentalidade de ‘assessores de pequenos seres. ’

Achamos que o ‘kit pais’ está pronto. Aí, quando chegamos à maternidade, de fato, nos tornamos pais! Lá precisamos ter o nome, a grafia e a ordem do sobrenome do bebê em mente. Assinamos autorizações como, por exemplo, quais procedimentos os profissionais estão autorizados a desempenhar sobre a criança e assim por diante.

Temos que decidir se vamos vacinar ou não, se vai dormir no berço ou na cama, se daremos a chupeta ou não, e tudo isso, claro, com a interferência do mundo lá fora. Mundo esse cheio de justificativas plausíveis para todos os lados.

A certeza que tenho com tudo que já vivemos até aqui é que nossas escolhas precisam ser firmes. Elas vão compor a personalidade de nossos filhos e a culpa será inteiramente nossa. Não será da babá, das tias, dos avós ou das professoras.

Aqui em casa, já são quase 3 vivendo de aprendizado diário. Nosso filho sabe ouvir e questionar muitas decisões que tomamos. Por isso, mesmo que o mundo externo queira ter influência sobre elas, preciso ser mais rápida para explicar que em nossa casa as regras são mais importantes.

Quando Miguel era bebê, eu o deixava na frente de aplicativos de celular com músicas e desenhos para conseguir comer e conversar quando saíamos com nossos amigos. Ele viciou e, para nós, foi um tiro no pé. Um dia, em família, decidimos que celular não era brinquedo para estar na mão de criança. Que esse comodismo nosso estava afetando alguns momentos em família.

Assim, desinstalamos todos os jogos, vídeos e aquilo que havia sido baixado para entretê-lo. Conversamos e quase sedemos em muitas oportunidades, mas fomos firmes e hoje ele sabe que celular não é brinquedo. Claro que fica empolgado quando vê outras crianças assistindo nos celulares de seus pais. Inclusive, como toda criança, pede com seu jeitinho conquistador os nossos celulares para assistir alguma coisa. A resposta é a mesma. Não. E você sabe os motivos. Dói dizer não, mas esse não também é uma forma de amor utilizada em meu lar para moldá-lo e esperar que ele seja um menino melhor.

Enfim, criar filho nesse mundo dá um trabalhão. Exige muito de nós, pais. Vamos falar mais sobre isso? As decisões que tomamos são sim importantes, mas elas só funcionam se houver qualidade na educação oferecida em casa. Ainda vamos falar sobre isso.

simone

Simone Guedes

Jornalista, católica e casada com um grande comunicador. Mãe de uma maria e do menino riqueza, apaixonada pela vida, sonha em ter uma família numerosa e alcançar o céu.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

Um comentário sobre “Quem decide sobre nossos filhos?

  1. Adorei o texto, e como eu previa, a Maria estava esperando a publicação para, só depois, estrelar nesse mundo.
    Queria sugerir um outro tema que pode render um ótimo texto seu, como você lida com os palpites indesejados sobre a criação dos filhos?
    Abraço e paz
    Mari

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