O que falta na educação de nossos filhos?

Quase todos os dias dialogo com amigos, trocando ideia sobre os valores que são repassados a nossos filhos e vejo que há um conflito bem grande entre a criação deles e a nossa antigamente.

Fui criada em uma família de classe baixa, morávamos em uma casa simples com quintal grande, com horta, árvore, galinheiro e outras criações. Meu pai era o provedor maior da casa, minha mãe o ajudava sempre que possível, quando aparecia algum “servicinho” de costura para ela fazer.

Tivemos uma infância verdadeira, com muitas brincadeiras na rua e em casa. Tínhamos amigos que compartilhavam conosco aventuras, íamos para os morros com nossas mães, nos aventurando em terrenos cheios de buracos e outros obstáculos a serem superados; eram verdadeiras aventuras. Existiam pedrinhas que imaginávamos como pedras preciosas a serem encontradas, brincávamos de bola, pique-esconde… BRINCÁVAMOS.

E os vizinhos, esses eram e são, melhor dizendo, como uma família estendida que a vida nos proporciona.

Vivíamos sem medo, sem malícia, sem “bullying”, seguros naquela vida simples, mas de muita relevância para eu levar para o meu futuro.

Meus pais não falavam “EU TE AMO, MEU FILHO”, aliás, até hoje eu nunca ouvi isso da boca de meu pai, não porque ele não me ame, muito pelo contrário, ele tem outras maneiras de fazer isso. Com minha mãe também foi assim, com o diferencial que hoje ela consegue dizer, mas ela teve e tem muitas maneiras de expressar e demonstrar esse amor conosco, seja em gestos simples, mas que bem sei, são de extremo carinho e afeto. Acho que isso é semelhante à experiência de muitos da minha geração.

Fomos criados para respeitar os mais velhos, para honrar nossa pais, para sermos educados e respeitosos com todos. Enfim, foram muitos os ensinamentos e principalmente a vitrine viva de condutas íntegras que carrego comigo, meu espelho maior.

Hoje como mãe, me vejo resgatando esses valores para com meu filho. Muitas vezes errando, mas sempre tentando fazer desses erros um aprendizado.

A vida do meu filho, e de muitos filhos dessa nova geração, é bem diferente da vida que tivemos.

Brincadeiras foram perdidas ao longo do tempo, ou melhor dizendo, na “falta de tempo”, na ausência dos pais, e o pior, da insegurança dos dias atuais. Viramos presidiários de nossas casas.

Tudo isso leva muitos pais a partirem para a compra de brinquedos em excesso, compras de eletrônicos, para “suprir” toda esta falta e insegurança. Mero erro.

A comodidade de ver os filhos quietos, “seguros”, felizes com seus novos brinquedos dentro de casa traz conforto para os pais. São muitos “SIM” e poucos “NÃO” para esta nova geração de filhos sempre insatisfeitos. De quem é a culpa?

Pais se perdem em suas criações, deixam de observar seus filhos, deixam de enxergar suas feições na mera “segurança” de acharem que estão felizes com seus “companheiros eletrônicos”.

E o amor do toque, da fala, do carinho, do tempo dado a eles, da demonstração que serão queridos e amados?

Isso se perde!!

O vazio deixado pelos pais será buscado por outros meios, e isso é muito arriscado.

Talvez eu esteja errada em minha conduta, mas abro mão de muitas coisas pelo meu filho, mesmo sabendo que posso me arrepender no futuro.

Criação não vem com manual de instruções, cada um tem sua verdade e jeito para criar os seus. Mas uma coisa é fato: nossos filhos precisam de pais verdadeiramente presentes em suas vidas, e não de pais que mais se parecem enfeites dentro de casa, sabemos que estão lá, mas ficam imóveis diante de qualquer situação.

Vamos resgatar os valores preciosos dados a nós por nossos pais, façamos dos erros um aprendizado, ainda há tempo de mudança.

Aos meus pais, a minha gratidão por todos os valores passados, por todo amor não dito, mas demonstrado em atitudes que um dia achei que eram sem sentido, mas que hoje fazem toda a diferença.

Sigo errando em minha criação, mas convicta que estou fazendo meu melhor para que meu filho seja um homem de valor.

Como bem diz uma passagem bíblica que sempre falo ao meu filho: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma (1 Coríntios 6:12).

Rosana Rabelo

Técnica em Contabilidade, casada, mãe, mineirinha – “UAI” -, apaixonada por viagens, esporte, natureza, amante de boas risadas, sensível, amorosa. Alegria me representa.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias

17 comentários sobre “O que falta na educação de nossos filhos?

  1. Os filhos são para nós Herança do Senhor, então temos o dever de cumprir com responsabilidade e grande dignidade o dever que nos foi dado! Texto muito lindo prima! Parabéns! Amo você!😘😍😘

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  2. Perfeito seu texto, Ró.
    Muito coerente.
    O que sempre pedimos à Deus é direção e sabedoria para que Ele nos guie e nos mostre a melhor forma de continuarmos a criar nossos pequenos..
    Quando há amor, não há erros.
    Só maneiras deferentes do jeito de criar.
    Você é uma super mãe!!!

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  3. Um texto que nos leva a refletir sobre valores, a forma que fomos educados e a educação hoje em meio a tanta informação, ( bons ou ruins) , que a cada dia mais a maquina torna-se companheira das nossas crianças. E onde se fala menos de Deus, união, amor… Precisamos mesmo de um choque de realidade, troca de experiências. Parabéns Ro.

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  4. Lindo o texto. Saiu até uma matéria falando que as pessoas que cometeram assassinatos em massa nos EUA foram crianças que não receberam NENHUM contato físico dos pais. MESMO QUANDO CRIANÇAS. Para nós, latino americanos, Brasileiros, é chocante. Para outras culturas e outros países isso é normal. Ou ao menos menos “anormal” do que seria em países quentes / latinos.
    Obrigado pelo lindo texto!

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  5. “Sábias palavras Rosana. Quando conseguimos enxergar os acontecimentos por outros prismas, fica bem mais fácil encará-los, bem como encontrar soluções para sanar as prováveis sequelas de uma educação deficiente.” Bjss e parabéns pela sensibilidade das palavras.

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  6. Vivenciei muito esta realidade quando educadora, ao deparar com alunos que apresentavam uma inquietude, comportamento agressivo e demasiadamente rebeldes. Quando lhe era dado um pouco de carinho e atenção, era notório o quanto seu comportamento se diferenciava.
    Como muito sabiamente colocado pela amiga Rosana “O vazio deixado pelos pais será buscado por outros meios, e isso é muito arriscado”.
    Que este texto nos faça refletir que não devemos buscar insanamente apenas bens materiais para prover aos nossos filhos um futuro melhor. Resgatemos a essência simples da família, o bate papo, o almoço à mesa, o encontro ao assistirem uma mesma programação na TV, um passeio na praça,
    Hoje vejo muito os pais falarem “eu te amo”, mas uma grande parte não tem a noção que amor é muito além de uma palavra dita ou um novo brinquedo eletrônico ofertado.
    Não sejamos reféns deste mundo que nos direciona cada dia mais à busca da tão sonhada estabilidade futura. Quando esta chega, a infância dos filhos já se foi e você se depara com pessoas frias, individualistas e vê que aquele castelo que você ergueu, está totalmente vazio.

    Belo texto Rosita. Parabéns!

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