Entre o véu e a minissaia

“Se me atrevo a associar a palavra ‘virgindade’ a ‘casamento’ olham para mim como se eu fosse louca. A própria Diana, uma vez, me disse que, segundo ela, eu era um pouco exagerada. ‘Ou seja, você não é uma freira. Aproveite um pouco a vida. Jas, tente conhecer um cara. Isso não tem nada de errado’.

É como se (as pessoas) depois de terem escolhido um estilo de vida, se recusassem a aceitar e a entender que possa existir outro modo de ver as coisas. Como se os outros modos de ver a vida fossem estranhos, diferentes, incompreensíveis. Guardar a virgindade até o casamento? Renunciar à minissaia? Respeitar as opções e os desejos dos pais? Receber em herança menos do que os filhos varões?”

Este é um trecho da  obra de Randa Ghazy “Entre o véu e a minissaia – os dilemas de uma jovem muçulmana vivendo no ocidente” que apresenta o cotidiano da universitária Jasmine, filha de egípcios muçulmanos e que vive na Itália e os conflitos com sua família e amigos por não se adequar ao padrão e forma “correta” de ser mulher no ocidente, fazendo com que as jovens, muitas vezes, renunciem à sua identidade para ser apenas mais uma na massa.

O livro critica o laicismo e  os padrões de vestir que pregam a liberdade de escolha da mulher, mas demonizam o uso do véu, sem respeitar as que assim o querem por ter neste acessório uma vinculação simbólica e cultural.

Ao longo das diversas cenas entre Jasmine e seus pais, na universidade, com os amigos e vizinhos, o leitor vai percebendo que Jasmine se incomoda em ser tratada como diferente das demais meninas da escola, como se a virgindade fosse loucura e os preceitos de sua religião algo que valorizasse menos a mulher. Tudo que a protagonista do livro quer é ser tratada como uma mulher inteligente e com a mente ocupada com a geopolítica mundial, as desigualdades sociais, a posição da mulher na sociedade e não só mais uma estrangeira estigmatizada a partir do senso comum sobre as tradições de sua religião.

Apesar de não ser considerado autobiográfico, a autora tem história similar à da personagem. Ghazy nasceu na Itália,  tem pais egípcios e estudou Relações Internacionais na Universidade de Milão.

O livro foi publicado originalmente em 2007, com o título Oggi forte non ammazzo nessuno. Sorte minem di una giovane musulmana stranamente non terrorista.

 

O livro da Editora Paulinas pode ser acessado neste link: https://www.paulinas.org.br/loja/entre-o-veu-e-a-minissaia

A parceria de Muitas Marias com a Editora Paulinas continua em 2017. Periodicamente são selecionados livros para indicação e incentivo à leitura. Tem algum  livro do catálogo da Paulinas que gostaria de ver em nosso site? Deixe sua sugestão nos comentários

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2 comentários sobre “Entre o véu e a minissaia

  1. Amei a sugestão! Adoro livros nesse gênero e já fiquei tão interessada nessa história! Acredito que essa forma de literatura é bastante desafiadora e nos ajuda a quebrar preconceitos e a olhar para o próximo – independentemente de quem seja – com olhos de compreensão e respeito e não com base em nossas concepções.

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