Você dá segurança a seu filho?

A segurança dos nossos filhos é algo tão importante que, de tão óbvio, ainda falamos pouco sobre o assunto. Dia desses, nossa família passou por uma situação tensa no trânsito. Desde então comecei a pensar no quanto é delicado tratar desse assunto, que é tão frágil para nós, pais.

Voltávamos da missa. Miguel estava na cadeirinha. Ele, que nunca reclama, disse que estava incomodado com o cinto de segurança; e que as costas doíam muito. Como raramente há queixa de ficar sentado, no impulso, virei para soltá-lo. Hesitei.

Nesses poucos segundos, estávamos perto de casa, mas me veio à mente que daria para esperar mais uns minutinhos, e garantir a segurança dele. Miguel tirou uma das alças do cinto e eu ainda estava com a mão no prendedor pensando se o soltava ou não.

Foi aí que decidi não soltar. Prendi o braço que estava sem o cinto novamente, e pedi a ele um pouco mais de paciência. Virei e levamos um susto! Uma freada brusca que poderia ter sido um grave acidente. Ele chorou assustado e explicamos que o papai precisou fazer aquilo para protegê-lo de um motorista imprudente.

Fiquei trêmula! Quase coloquei a vida do meu filho em risco. Se eu tivesse soltado aquele cinto, sem hesitar – não gosto nem de pensar nisso – Miguel teria se esborrachado no banco da frente, e sofrido um grave acidente. Foi tudo muito rápido, e eu me lembrei de muitas vezes que andei com ele em meus braços.

Ainda bebê, na saída da maternidade, fomos para casa com Miguel no meu colo, e eu no banco traseiro, ao lado do bebê conforto. Foram muitos passeios assim. Eu tensa, com medo de acidente, e tentando dar o conforto que achava que ele precisava.

Isso porque o tal do bebê conforto não tem conforto algum – é sério. Nas primeiras semanas de vida eles ficam desajeitados, incomodados, choram um pouco, se sentem soltos, e os espasmos voluntários que sofrem a cada balanço nos incomodam.

Quando a Maria Clara nasceu, saímos da maternidade com ela no bebê conforto. Aliás, ela anda sempre atrás com o irmão. Coisa de mãe de segundo filho, que não vê necessidade de andar atrás vigiando cada suspiro e contando a respiração.

Aqui, nos dias que dependo de carona ou Uber, e estou sem o bebê conforto, fico inquieta. Poucas foram às vezes que precisei andar com a Maria Clara nos braços. E a gente sabe que uma hora ou outra não tem o que fazer, mas conheço muitas mães que andam assim por opção e comodidade, por isso meu alerta.

Compreendo e me compadeço desse desejo de cuidar do filho. São pequenos, frágeis e os pais de primeira viagem se sentem mais seguros assim. Mas não dá. O conforto que eles precisam dentro de um veículo se chama segurança.

Aí, tem aquele espírito de porco que vai dizer que andou com meia dúzia de crianças no banco de traz do carro do pai e tá vivo até hoje. Queridos, estou nessa estatística, e sei que os tempos mudaram, as leis mudaram e os índices de mortalidade também.

Zelar pela segurança da nossa família é prova concreta de amor. Os equipamentos de segurança estão aí para serem utilizados. Pesquise, compare, estude, aprenda afivelar corretamente a cadeirinha conforme a instrução do produto para não passar vergonha como eu, que prendi a cadeirinha do meu filho de forma incorreta por quase dois anos. Use sem moderação.

Vai fazer um ano que um casal conhecido da nossa família sofreu um trágico acidente de carro. Eles estavam curtindo o casal de gêmeos que acabava de nascer, praticamente. Morreram todos. Um dos bebês estava no colo do pai, no banco traseiro. Essa notícia mexeu muito comigo que estava grávida da minha Maria, quando soube do acontecido.

Não dá pra dar moleza. A vida é muito frágil para ser colocada à prova o tempo todo. Podemos sim suportar um pouquinho de choro, controlar a birra, educar nossos filhos com essa oportunidade de crise, que muitas vezes acontece dentro de um veículo. Entreter com guloseimas é uma boa alternativa. Afinal, é preciso ser coerente conosco e responsáveis, de fato, com eles, nossas riquezas.

 

Simone Guedes

Jornalista, católica e casada com um grande comunicador. Mãe de uma maria e do menino riqueza, apaixonada pela vida, sonha em ter uma família numerosa e alcançar o céu.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com.

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