Seis lições de uma das mulheres mais famosas do mundo

Teresa de Calcutá é uma das mulheres mais famosas do mundo. Enquanto sua história de ação social pela promoção da dignidade humana dos mais pobres entre os pobres na Índia é mundialmente conhecida, com discursos na ONU e um Prêmio Nobel da Paz, sua vida espiritual chama a atenção agora que Gonxha Agnes Bojaxhiu (seu nome de batismo) alcançou os altares e foi canonizada em setembro pelo Papa Francisco, tornando-se Santa Teresa de Calcutá.

O mais rico dos livros que detalha a vida espiritual de Santa Teresa é, sem dúvida, “Venha, seja Minha luz”, reeditado e lançado pela Editora Petra por ocasião da sua canonização no ano passado. A obra reúne os escritos privados da santa de Calcutá a seus diretores espirituais e conselheiros mais próximos.

Reuni, abaixo, seis lições que aprendi com Santa Teresa neste livro. Vamos lá?

  1. Ser apaixonada

Madre Teresa era uma mulher apaixonada. Com 18 anos, a jovem Gonxha escrevia um poema belíssimo sobre a sua partida ao convento para se tornar freira. Definitivamente é um poema de amor, de uma jovem ao seu Amado. “Ó Deus, aceitai este sacrifício como sinal do meu amor”, ela relata em um dos versos como a “feliz pequenina de Cristo, Sua noiva prometida”.

Esse amor apaixonado com que Madre Teresa trata Jesus em seus tenros anos a acompanharia por toda a vida. A mais impressionante forma de  expressão desse amor foi um excepcional voto privado que fez em 1942: “Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena de] pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa me pedir, ‘não lhe recusar coisa alguma.” Esse voto privado foi um dos maiores segredos de Madre Teresa. Ninguém teve conhecimento dele, à exceção de seu confessor. Quando, 17 anos mais tarde, ela finalmente se referiu a esse voto, revelou o que ele significava: “Isto é o que esconde tudo em mim”. Ao assumir esse novo compromisso, Teresa ansiava “pagar amor com amor” de uma forma mais radical.

 

  1. Determinação com obediência

O caminho entre a experiência pessoal que Madre Teresa teve com Jesus e o início da sua congregação não foi nada fácil. Para ela, ser obediente às autoridades eclesiais era fundamental, e ela foi bem insistente com o Arcebispo Périer para conseguir sua aprovação. Por cerca de dois anos, a troca de cartas entre Teresa e o arcebispo foi intensa, e ele chegou até pedir à determinada freira que não tocasse mais no assunto até que ele decidisse o que fazer.

Mesmo com toda a certeza de que a congregação seria da vontade de Deus e inflamava o seu coração, Teresa agia com incrível humildade e obediência: “Estou pronta para fazer o que mandarem – seja a que preço for. Pronta para ir agora ou para esperar anos. É de sua responsabilidade [arcebispo] me usar, me oferecer a Deus pelos pobres.

 

  1. Olhar além das aparências

Uma das coisas reveladas neste livro foi a escuridão espiritual que acompanhou Madre Teresa por sua vida após a fundação da congregação das Missionárias da Caridade. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre realmente presente.”. O lugar onde estavam “os pobres abandonados na rua, aqueles que ninguém quer, que ninguém ama, que ninguém reivindica” tinha se tornado o local privilegiado de encontro com Ele. Era lá que ela queria amá-Lo até o fim.

E em carta a uma das irmãs, Madre Teresa explicava o segredo: ver no mais pobre a própria face do Cristo Crucificado. “Não foi a Madre quem lhe ensinou a dizer para profissão de votos: ‘Desejo tornar-me esposa de Jesus Crucificado’? – Não é Jesus Glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho, despido, sangrando, sofrendo, morrendo na Cruz.”, afirmou ela.

 

  1. Despojar-se

Para Jesus, o tudo. Madre Teresa é um exemplo de doação integral e sem limites. Em uma carta às irmãs de congregação, ela as motivava também a este caminho: “Permitam que os pobres e as pessoas as devorem. […] Permitam que os pobres ‘mordam’ o seu sorriso, o seu tempo. Vocês, às vezes, podem preferir nem sequer olhar para uma pessoa com quem tiveram um desentendimento. Então não apenas olhem, deem um sorriso. […] Aprendam de cor: devem deixar que as pessoas as devorem.”

Sobre o trabalho missionário a que se propunha, ela tem a seguinte definição: “A missionária deve morrer diariamente, se quiser levar almas a Deus. Deve estar disposta a pagar o preço que Ele pagou pelas almas, andar pelo caminho que Ele andou em busca das almas.

 

  1. Enfrentar os sofrimentos

Santa Teresa encarava o sofrimento de maneira mística, quase poética. “O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la. Eu acho que esta é a mais bela definição do sofrimento. Por isso, fiquemos felizes quando Jesus se inclina para nos beijar. Espero que estejamos suficientemente perto para que Ele possa fazê-lo.”

 

  1. Sorrir sempre

Um das características mais famosas de Madre Teresa era o constante sorriso. Em seus escritos pessoais pode-se ver que não era uma característica de sua personalidade, mas um constante (e eficiente) esforço para levar e ser alegria: “Estou mais decidida do que nunca a espalhar alegria onde quer que eu vá – a fragrância da alegria de Cristo.”

Para ela, a alegria não era um sentimento, mas uma virtude: “Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.” Mesmo em momentos de sofrimento: “Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão, mais doce será o meu sorriso para Deus.

 

Sobre o livro:

‘Venha, seja Minha luz’ já contou com diversas aprovações eclesiásticas, recebendo elogios e comentários de bispos, cardeais e, até mesmo, do papa Bento XVI, que a beatificou. A obra está disponível na Livraria Saraiva (http://bit.ly/LivroMadreTeresa).

 

 

Fabíola Goulart

Fabíola Goulart tem 31 anos, casada, é paranaense, de família gaúcha e coração catarinense. Há 13 anos trabalha com comunicação católica e já passou por redações de duas Jornadas Mundiais da Juventude (Rio de Janeiro e Cracóvia) e cobriu os mais importantes eventos católicos do Brasil. Curiosa e sonhadora, acredita que a comunicação pode mudar o mundo.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

3 comentários sobre “Seis lições de uma das mulheres mais famosas do mundo

  1. Quando li este livro fiquei impressionada com a determinação dessa mulher. Certa vez, dando uma palestra cheguei a dizer: se ela vivesse e recebesse seu chamado neste tempo, o bispo iria bloqueá-la no WhatsApp. Outro ponto forte é ter experimentado à noite escura da alma por praticamente todos os anos de sua missão com os pobres. Sem dúvida uma das personalidades mais ilustres do século xx

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