Relações superficiais e lições profundas de vida

O rizoma é uma raiz de superfície, cresce na horizontal, de forma diferenciada, irregular, sem direção clara ou definida, não é raiz de profundidade. Brota de si mesma, mas não é semente, não é flor, mas desabrocha como tal. Deleuze e Guattari usam a definição da botânica e aplicam à filosofia.

O pensamento rizomático vai em múltiplas direções. O rizoma usa de linhas e não de formas. Elas criam “linhas de fuga”, são linhas de intensidade. Criam conexões múltiplas. Mas o que mais me atrai no rizoma é o conceito de SUPERFICIALIDADE, a raiz é aparente, não é PROFUNDA, contudo não menos raiz.

Nós nos acostumamos a falar de ‘relações superficiais’ como algo pejorativo. No entanto, quem pode afirmar que não são verdadeiras e ‘profundas’ tais relações? Naquele momento foi uma experiência real e intensa, talvez parafraseando Vinicius de Moraes “infinitas enquanto duraram”.

A reflexão é só para pensar as relações e descobrir nelas um valor de momento – intenso e superficial (profundo). Relações podem ser tão rápidas, mas marcantes ao mesmo tempo. E não falo só de relacionamentos amorosos. Quando você tenta controlar algo, você acaba sendo por ela controlado. Com o tempo, percebemos que as pessoas que passam por nossas vidas sempre podem trazer algo bom. Se não for para agregar alegria, pode ser para adicionar experiência e sabedoria, para valorizar quem seguirá conosco pela vida. 

O rio segue seu curso, você pode desviá-lo, mas ele segue mesmo assim, você pode colocar obstáculos, ele superará e transbordará. Com o tempo, percebemos que pessoas, relacionamentos e experiências podem não ser possíveis de serem desviadas de nosso curso, mas o que importa é sabermos conduzir como esse rio afeta nossa vida, para melhor ou pior.

Há um tempo para cada coisa, como sempre ouvimos dizer, e no tempo certo o rio chegará ao mar, no tempo certo, a folha seca cairá ao chão, levada pelo vento e feliz por ter cumprido seu papel. Um dia de cada vez, vivendo intensamente e feliz por ter experimentado os aromas gratificantes da vida.

 

Cristina Coutinho
Paranaense, formada em Administração e graduanda em Psicologia, na ciência encontra a essência e reconhece que, quanto mais aceita quem é, avança. Ama música, poesia e saudade; todas a levam em direção ao céu. Acredita no poder da palavra escrita e da linguagem verbal, ou não. Entende que a vida flui de dentro pra fora e, por isso, o amor deve ser sua maior necessidade diária.

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