E se pudéssemos ser gestados novamente?

Acabo de completar um mês de uma jornada linda que vai durar nove meses. Explico melhor: há um mês participei de uma experiência única: por seis dias fiquei desconectada do mundo para conectar-me comigo mesma. Eu, um grupo de 20 mulheres e mais sete profissionais partimos para a linda cidade de Tiradentes/MG, ficamos acomodados na aconchegante Pousada da Bia, reservada somente para nós, onde participamos da Semana Terapêutica promovida pelo SPA Psicológico Raquel Araújo: uma psicóloga aqui de BH que há 20 anos promove esse evento. E lá fui eu completamente entregue, sem reservas, sem ansiedade com o que eu iria encontrar ou fazer. Fui disposta a me entregar àquela experiência, repleta de esperança.

Logo no ônibus, a Raquel nos acolheu dizendo que aquele evento seria como entrar novamente no útero para que pudéssemos renascer. É por isso que iniciei o artigo falando que minha jornada vai durar noves meses. Em outras palavras, estou sendo novamente gestada para uma vida nova, com novos hábitos, nova maneira de pensar e um amor a DEUS que cresce sem medida. Uma bela coincidência ou teocidência é que a jornada dos 9 meses termina dia 1º de junho de 2018. No dia 2 de junho, eu faço 43 anos.  Vez ou outra, a vida tem umas coisas engraçadas.

Ainda no caminho, observava na estrada repleta de uma vegetação seca típica do inverno, vários Ipês Amarelos. Eles não estavam juntos e, pelo fato, de aparecerem separados, se destacavam demais. Aquele amarelo forte, com o céu azul de inverno sem nuvem alguma me conduzia a pensar na dinâmica da vida. Os momentos secos também têm muita beleza. Quantos ipês não nascem justamente nos nossos tempos de crise? E logo ali fui compreendendo que a Ivna já estava em transformação. Mesmo no alto nível de stress em que me encontrava e tudo que dele recorre eu já conseguia ver pequenas mudanças em mim. Entendi porque a oração e todas as tentativas de autoconhecimento não mudam as circunstâncias, porque elas permanecem do mesmo modo. O que muda é a nossa maneira de enxergá-las. Utilizando a metáfora da natureza, a gente consegue prestar atenção na beleza dos Ipês.

Durante os seis dias que passamos em Tiradentes tivemos uma alimentação diferente: café somente uma vez ao dia, nada de açúcar, nem de carne vermelha, nem lactose e glúten. Comemos muito bem, sem restrições das porções, mas fazendo uma desintoxicação alimentar. Acordávamos todos os dias às 6h. E eu que pensei que iria dormir…quer dizer, eu e o grupo inteiro! Um frio tremendo e lá estávamos todos nós fazendo os exercícios de respiração e alongamento já pela manhã. Depois de uma leve caminhada, centrada na respiração e no pensamento, tomávamos o café da manhã e nos preparávamos para mais um dia repleto de descobertas, cura interior e revelação. Sim, refiro-me à revelação do nosso real valor. E preciso dizer: somos muito valiosos. Se soubéssemos dimensionar o valor que temos, quanta doença do corpo e da alma evitaríamos.

Tínhamos alguns workshops, vimos documentários, filmes, lemos textos, escutamos palestras, tivemos encontros individuais com a Raquel no início e no fim, além de 4 massagens terapêuticas e momentos de terapia com a técnica da constelação familiar. Tudo individual para preservar a nossa privacidade e individualidade. Um dos objetivos que levei para esse evento era conseguir ser mais forte do que o meu celular. Eu tinha todos os motivos do mundo para vigiar as notificações, afinal meu marido e meus filhos estavam em casa (Estaria tudo bem, com eles?) Por vezes, nos momentos livres, fiquei tentada a pegar o celular, só uma olhadinha. E pensava: se eu não conseguir vencer o uso do celular aqui, como conseguirei realizar as mudanças que tanto necessito? Meu DEUS que sensação de liberdade, de não me ocupar com o mundo paralelo das redes sociais. Que desintoxicação da alma! Quanto lixo psíquico acumulamos em tanta conectividade que nos desconecta de nós mesmas.

Voltei para Belo Horizonte com grande esperança. Posso adiantar apenas que na minha transformação, comecei a acordar às 5h30. Nada melhor do que fazer uma caminhada neste horário, quando escutamos os pássaros, quando a correria das cidades ainda não acontece em um ritmo tão exaustivo, vendo o sol chegando devagarinho. Essa atitude faz parte da minha transformação que vai acontecendo aos poucos. Não preciso ter pressa para alcançar o que hoje é muito caro a mim: o cuidado comigo mesma. Preciso de direção, saber onde desejo chegar.

Se me permite um conselho, presenteie-se com aquilo que vai fazer diferença real na sua vida! Vivemos para adquirir tantos supérfluos e a vida vai passando, passando, passando…A vida é uma construção e a morte também. O que mais desejo é colocar cada tijolo com leveza, serenidade, paz, coragem e a certeza inabalável de que DEUS está comigo. La vita è bella. Nos momentos oportunos, partilharei mais dessa gestação e, com certeza, do renascimento.

Ivna Sá
Casada, mãe de três crianças, autora e professora universitária, é fotógrafa de famílias há 10 anos, profissão que descobriu com o nascimento da primeira filha. Há dois anos se dedica ao universo feminino com a criação da marca Ivna Sá Para Mulheres. Além de fotografar mulheres de diversas idades, palestra sobre a mulher contemporânea numa abordagem social, antropológica e cristã. Gosta de gente, pão de queijo, Atlético Mineiro e uma boa prosa.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com

4 comentários sobre “E se pudéssemos ser gestados novamente?

  1. Ivna! Que alegria ver você de novo por aqui. Um dos seus textos foi um enorme hit aqui no Portal! Sua reflexão é ótima e muito válida. Precisamos urgente nos desintoxicar de tanta tecnologia… precisamos meditar mais e nos conectar mais com o silencia, com a natureza e com o nosso interior. Ótimo texto. Grande abraço. 😉

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  2. Ivna,
    Que texto lindo…essa experiencia deve ter sido maravilhosa e como temos necessidade de nos perceber e fazer pequenas mudanças na nossa rotina que serao significativas em nossa existencia…quero saber como fazer para participar.
    Bjo

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  3. Lindo, Ivna! Estou vivendo algo parecido, focando mais no meu interior e no meu lar, redescobrindo a vida analógica, meditando para ouvir mais a minha voz, a voz de Deus e a do outro. Penso em fazer um retiro assim também. Beijo

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