A era das opiniões

Antigamente a gente falava que sobre futebol, política e religião  não se discute para não dar briga.

Hoje a disputa por um lugar ao sol (ou melhor, um post bem ranqueado nos mecanismos de busca) está em todas as áreas. As pessoas querem dar opinião sobre tudo, como se fosse humanamente possível a alguém ser  especialista em direito, saúde, educação, economia, política , filosofia, arte, culinária, relacionamentos, etc.

Será que não falta um pouquinho de humildade e autocrítica na galera que quer ser comentarista de todos os saberes?

Nao sei se isso vem inspirado no jornalismo, mas até ali os comentaristas fazem críticas específicas sobre determinados temas. Não me recordo, por exemplo, de ver comentarista de economia falando com propriedade sobre saúde. Até falam, mas por vezes escorregam, falam bobagem, fazem uma errata na próxima edição.

Afinal, tudo que acontece precisa da minha opinião e do meu ponto de vista?

É assim que me reafirmo e disputo meu lugar no mundo, palpitando sobre tudo sem nem ter tempo de pesquisar, refletir, olhar os dois lados de uma situação?

Mal as coisas acontecem já tem os especialistas de Facebook com seus textões que inflamam o ego a cada reação da audiência.

Será que meia hora depois essa audiência e o autor do texto sabem debater de maneira qualificada e com argumentos sólidos sobre o tema?

Eu me abstenho de muitos debates sobre os quais me falta conhecimento, tempo ou vontade de buscar uma argumentação aprofundada.

E sou muito bem resolvida com isso.

Não me contento só com compartilhar imediata e rapidamente um post de alguém que parece expressar a minha opinião, porque, na minha cabeça, parece tocar um sininho dizendo: “menos, mulher, já tem gente demais falando e você nem sabe nada disso”.

Claro que também aparece aquele outro sino que ressoa: “Você precisa comentar, ou vai perder o bonde da história”.

Eu prefiro escutar o primeiro sino, e dedicar meu tempo a umas poucas causas que me dão prazer em estudar, conhecer mais, me aprofundar, para no momento que eu considere adequado, expor minha opinião sobre elas.

Aparecer nos trend topics falando borracha, compartilhando as modinhas e tendências das quais eu sequer sei direito do que se trata,  para mim, não tem qualquer valor concreto. E amanhã, vai ser só mais um post na imensidão online, sem agregar valor real pra ninguém (para o ego de quem gosta, se receber algumas curtidas, talvez). Afinal, como diria Millôr Fernandes, não se amplia a voz dos idiotas.

E pra você?

 

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmar

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