Religiosidade na era digital

A internet possibilitou uma nova experimentação religiosa, e as próprias igrejas têm  modificado suas estruturas de comunicação e os sistemas de  significar o que é sagrado na sociedade. O livro de Moisés Sbardelotto, “E o verbo se fez rede – religiosidades em reconstrução no ambiente digital”,  apresenta uma profunda reflexão sobre como as instituições católicas têm se posicionado nas redes sociais.

O autor observa que houve uma evolução do próprio catolicismo, com difusão e ampliação dos saberes e fazeres  relacionados à fé católica e que as novas modalidades de construção da identidade católica (online e offline) revelam a existência e sentido desta fé explicitando a sua diferença em relação a outras crenças, mas também construindo  novas relações que se constituem em novas modalidades de vivência comunitária em rede.

A partir da discussão e análise de perfis institucionais católicos,  como a conta do papa no twitter @pontifex_pt;  e no facebook a  Rádio Vaticana, o projeto Jovens Conectados e a página Diversidade Católica, o jornalista apresenta novas modalidades de ritos, onde práticas religiosas tradicionais são digitalizadas e surgem novas formas de contato com a realidade sagrada do catolicismo.

Se historicamente as instituições como a Igreja Católica detinham o controle do poder e do saber, ou seja  a autoridade para expressar a mensagem religiosa e os meios exclusivos para fazê-lo – e quem se colocasse como intermediário neste cenário era considerado um herege –  hoje a internet dá acesso  ao debate e ação religiosa pública e os sujeitos investem em um poder de produção simbólica antes restrito às instituições religiosas e suas maneiras tradicionais de comunicar o sagrado.

A religiosidade é expressa por meio das experiências pessoais disponibilizadas na rede, sem a mediação da autoridade religiosa ou domínio sobre a circulação das informações.

Segundo o autor, as igrejas devem saber se conectar e reconectar no nível eclesial a tudo que esteja desconectado social e culturalmente, gerando vínculos, cultivando laços e criar novas redes de integração como disse o Papa Francisco na encíclica Amoris Laetitia, em 2016.

A cultura digital é uma construção coletiva e colaborativa em que não há um indivíduo central, mas uma rede em ação. A fé vivida e comunicada online permite lutar contra a incerteza relativista das redes, desconstruindo inverdades sobre o cristianismo que circulam midiaticamente.

O autor do livro chama a atenção, porém, para a tentação de se cair em estratégias de marketing religioso e métricas publicitárias como resposta aos desafios pastorais, com risco de se tornar um funcionalismo empresarial com estatísticas e avaliações que beneficiem só a igreja como organização, sem  focar nas pessoas, no evangelho.

O autor é jornalista, mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos ( Unisinos) e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos. A obra é resultado de sua tese, cuja produção foi realizada em parte durante o estágio na Università di Roma La Sapienza, na Itália.

Clique aqui para adquirir a obra, no site da Paulinas Editora https://www.paulinas.org.br/loja/e-o-verbo-se-fez-rede

 

E o verbo se fez rede

 

 

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