Um caminho de escolhas requer coerência

Tudo começou no consultório de um abençoado psicólogo. Eu não o conhecia pessoalmente, até então, mas já o admirava muito pelos frutos do seu trabalho e por quem ele me parecia ser, pela imagem que me era passada pelo paciente dele. Nesse dia, ele se dirigiu a mim e disse uma daquelas coisas que a gente está cansada de saber, mas que, de repente, um dia, você ouve de forma diferente e cai lá no fundo do seu coração fazendo parecer que o mundo desabou em cima da sua cabeça, sabe como? “Você precisa assumir as consequências da sua escolha”.

Lembro-me que ainda tentei justificar dizendo que eu não estava “escolhendo” de livre e espontânea vontade, mas estava sendo obrigada pelas circunstâncias que estava vivendo e que aquilo não era o que eu queria. E não era mesmo! Mas não adiantou…. Ele continuava firme. Sendo ele quem era – além de profissional competentíssimo, um homem de Deus – e sabendo eu disso, convivendo diariamente com uma pessoa acompanhada por ele, decidi me calar. A aceitação daquilo que eu acabara de viver não viria naquela hora, mas depois.  

Acho que de lá pra cá nunca mais fui a mesma. Tento, todos os dias, seguir (e perseguir) essa frase que, vira e mexe, ecoa na minha cabeça. Nem sempre consigo, mas não desisto de continuar tentando. Como é difícil, às vezes, assumir as consequências das nossas escolhas…

Somos chamados a decidir sobre tudo o tempo todo, seja sobre coisas corriqueiras, como tomar suco de laranja ou de maracujá, ou decisões que vão impactar sua vida, caso de mudar de emprego ou continuar um relacionamento. E se decidir já não é fácil por natureza, ter que tomar e sustentar (!!!) uma decisão que não é a que você queria é quase um suplício. Mas quantas vezes isso é necessário na nossa vida? Dói e não é nada fácil. Exige uma coragem e força que muitas vezes não temos mesmo. Então, é hora de olhar para o céu e pedir ajuda. Ela não vai cair pronta de lá, nem adianta esperar. A gente vai ter, sim, que fazer a nossa parte. E é difícil… Dói. Mas também dói a decisão de não decidir.

Todos nós somos incoerentes em maior ou menor grau e isso, penso eu, é normal, mas é preciso buscar sempre o compasso entre o que você diz e o que você faz. Tomar a decisão não é só escolher por A ou B, mas sustentar essa escolha e o que ela traz consigo. E essa bagagem deve sempre ser pensada e analisada previamente para que a decisão não se torne mais pesada do que já é. Nem sempre é possível prever o que virá depois, eu sei, mas nada disso nos exime da responsabilidade de assumir nossa parte.

E se, depois da decisão tomada, estiver doendo muito, confie que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8,28).

Termino este texto com a sugestão de uma música: goo.gl/XtdiLN

Que Deus abençoe sua decisão e te ajude a sustentá-la.

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Ana Elisa Ventura, jornalista, católica, foi repórter do Canção Nova Notícias em Cachoeira Paulista (SP), São Paulo e Brasília, onde mora atualmente. Mineira, admiradora do céu e da natureza, é apaixonada pelos momentos mais simples da vida na presença de quem se ama.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

6 comentários sobre “Um caminho de escolhas requer coerência

  1. Concordo plenamente!
    Temos que parar de jogar a culpa no outro e isso é um aprendizado diário.
    Seu texto me recorda uma poesia de Cecília Meireles, que li a primeira vez com uns 9 anos e nunca mais esqueci:

    Ou isto ou aquilo
    Cecília Meireles

    Ou se tem chuva e não se tem sol,
    ou se tem sol e não se tem chuva!

    Ou se calça a luva e não se põe o anel,
    ou se põe o anel e não se calça a luva!

    Quem sobe nos ares não fica no chão,
    quem fica no chão não sobe nos ares.

    É uma grande pena que não se possa
    estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

    Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
    ou compro o doce e gasto o dinheiro.

    Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
    e vivo escolhendo o dia inteiro!

    Não sei se brinco, não sei se estudo,
    se saio correndo ou fico tranqüilo.

    Mas não consegui entender ainda
    qual é melhor: se é isto ou aquilo

    Obrigada por compartilhar este texto conosco!

    Curtido por 1 pessoa

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