Enfrentando a infertilidade

29133084_798555753685959_2823848015373008896_nA infertilidade tira dos casais diversas coisas, tais como “o senso de controle sobre o próprio corpo; a habilidade de planejar o futuro; a capacidade de conceber uma criança com quem amamos”, a experiência da paternidade e da maternidade, entre outras coisas.

A partir de sua experiência e de outras mulheres, Jean Dimech-Juchniewicz narra  como a experiência da infertilidade é dolorosa, pesada, uma espera doída, uma subida ao Calvário junto com Jesus. No livro Enfrentando a infertilidade: uma abordagem católica, fala da complexa experiência vivida nos tratamentos para engravidar, de todos os sentimentos e emoções que vêm à tona nesse tempo, até o ponto de decidir parar e buscar a adoção. No livro, há mais de um relato de mulheres que, após desistirem dos tratamentos para conceber e já na espera pela adoção, engravidam de forma natural e sem qualquer tratamento. Deus tem seus planos e seus caminhos.

O livro apresenta onze capítulos, além de quatro apêndices. Os temas de cada capítulo mostram a complexidade dessa situação enfrentada por muitos casais, como a busca por tratamentos alinhados à fé católica, o aprender a lidar com a espera e as próprias expectativas, com as frustrações, com as expectativas dos familiares e amigos, a possibilidade da adoção, além de tantos sentimentos tão distintos que podem vir à tona, como a vergonha, a tristeza, a raiva, a culpa, o sentimento de pensar, em um primeiro momento, ter sido abandonado por Deus, entre outros. No início de cada capítulo, aparece o relato de uma mulher que passa ou passou pela infertilidade. A autora teve a sensibilidade e a perspicácia de, ao final de cada capítulo, colocar três seções bem singulares, quais sejam, “Questões para reflexão e discussão”, “Para amigos e familiares” (essa parte é dedicada àqueles que são próximos do casal que enfrenta a infertilidade) e “Oração” (Salmos selecionados do Ofício Divino da Oração Noturna).

Já nos quatro apêndices, constam “Orações para católicos que estejam enfrentando a infertilidade” (apêndice A); “Homens e mulheres bíblicos que enfrentaram a infertilidade” (apêndice B); “Santos padroeiros dos casais” (apêndice C) e, por fim, “Recursos adicionais” (apêndice D). Neste último, há a indicação de importantes documentos da Igreja sobre o tema, de revistas, artigos, sites, blogs católicos sobre infertilidade, sites sobre adoção, organizações atentas à fertilidade, entre outros.

Sobre métodos e técnicas para tratar a infertilidade

Cabe mencionar que o livro traz um capítulo inteiro para apresentar os diversos métodos e técnicas usados para o tratamento da infertilidade. Mostra as principais opções médicas moralmente inaceitáveis, de acordo com a fé católica, como, por exemplo, a fertilização in vitro(FIV), que “sempre dissocia a procriação da união sexual dos esposos”. No procedimento da FIV não se busca reconhecer e tratar as possíveis causas da infertilidade; ao contrário, isso é ignorado. Ela consiste apenas na concepção artificial de vida humana através da fertilização de um óvulo da esposa (ou de uma doadora) pelo esperma do marido (ou de doador). Vale destacar o grave problema ético em relação aos embriões descartados e àqueles que são congelados. Estamos falando de vidas humanas, descartadas ou congeladas, é impossível fechar os olhos a essa situação. Existe ainda um grave problema ético em relação ao que fazer com os embriões congelados. Os países, em regra, não têm legislação a esse respeito. Ou seja, a fertilização in vitro é uma técnica de reprodução artificial de vida humana envolta em uma série de questões éticas e morais graves, que devem ser consideradas.

Sexualidade humana, um dom dado por Deus

Além disso, a autora dedica algumas páginas para falar sobre a beleza da sexualidade humana, um dom dado por Deus, e assim discorre:

Unidos em matrimônio, mais especialmente no ato de amor onde os dois tornam-se uma só carne, homens e mulheres refletem a própria imagem de Deus e seu amor pela humanidade. (…) A  fé católica nos ensina que o sexo é bom – de fato, o sexo é sagrado – e que ele permite a homens e mulheres chegarem a uma união de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo na Santíssima Trindade. Deus criou nossos corpos com uma finalidade esponsal, para se darem um ao outro em total liberdade e doação. Ao mesmo tempo que isso tem muito a ver com a união sexual, envolve uma completa comunhão de vida e amor (…). O sacramento se torna um veículo para Deus plantar seu amor ainda mais profundamente em nossa alma e nos santificar. Deus nos concedeu o dom da sexualidade para nos atrair para junto dele através um do outro. (…) Sexo, então, é de fundamental importância. (…) Nossos corpos e almas estão intimamente conectados, tanto que o que fazemos com um afeta o outro. Por isso nossa vida sexual e nossa vivência de fé estão intimamente ligadas.

Além disso, ao mencionar o dom da sexualidade, a autora joga luz e chama a atenção para um tema tantas vezes entendido de forma equivocada ou confusa. Não raras vezes se fala e se divulga que a Igreja menospreza o sexo ou o enxerga como algo baixo ou sujo. Grande e grave equívoco. A Igreja, na verdade, ressalta a alta dignidade do sexo, sua beleza e seu caráter sagrado. O sexo foi pensado e querido por Deus para o bem dos cônjuges e para a geração de filhos, pela qual os esposos se tornam cocriadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa. É por meio da união dos cônjuges numa só carne que eles renovam sua aliança matrimonial com Deus. E, para melhor compreensão do assunto, a autora recomenda a leitura do livro Boas-novas sobre o sexo e o matrimônio, do teólogo norte-americano Christopher West.

“o sexo comunica a permanente união da vida e do amor através da linguagem dos corpos. É um reflexo exterior dessa realidade interior”. Jean Dimech-Juchniewicz

Enfrentando a infertilidade

Clique no link para ter acesso ao livro da Editora Paulinas https://www.paulinas.org.br/loja/enfrentando-a-infertilidade

 

Dayane Negreiros

Formada em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduada em Revisão de Textos, servidora pública. Conheceu a Teologia do Corpo (TdC), as catequeses sobre o amor humano no plano divino, de São João Paulo II, e se apaixonou pelo assunto. Em 2013 conheceu alguns membros do Apostolado Nacional da TdC e, desde então, caminha com eles no estudo e na divulgação dessas catequeses. É membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília, colaboradora do blog Modéstia e Pudor e administradora da página, no facebook, e do instagram da Teologia do Corpo Brasília.

 

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