Páscoa: um olhar feminino

Pelos olhos de Maria de Betânia, irmã de Lázaro.
Pelos olhos de Maria de Nazaré, mãe de Jesus.
Pelos olhos de Maria de Magdala, seguidora apaixonada por Jesus.
Pelos olhos de tantas Marias.

Desde 2012, decidi viver a Grande iSemana (a Semana Santa, a mais importante semana na vida de cada cristão católico) retirada em um Mosteiro Beneditino feminino. De lá para cá, tenho vivido esses dias santos desta maneira. Daqui, do Mosteiro Nossa Senhora da Paz (Itapecerica da Serra-SP), compartilho algumas reflexões que fiz na Páscoa deste ano. E inspirada por estes dias, nesta casa tão cristocêntrica, tão benetidina, tão mariana, tão feminina este texto foi gestado. E, assim, pude ver a Jesus pelos olhos de três Marias, que encontramos nos Evangelhos da Grande Semana.

“A casa inteira ficou cheia de perfume do bálsamo.”
(Jo 12, 3 – Evangelho da segunda-feira Santa).

Quase meio litro de nardo puro e muito caro… Ela ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com os cabelos. Quem ela viu em Jesus? Maria de Betânia, irmã de Lázaro, viu Jesus algumas vezes, mas, desta vez, era como que uma despedida. E diante de uma despedida de alguém que faria (e fez!) a entrega tão suprema como a Dele, só uma entrega como a dela. Sem reservas, derramou todo o perfume porque viu em Jesus o único necessário para a vida dela; era como se a memória de sentar-se aos pés e ouvi-lo ensinar nunca mais tivesse saído do coração dela, e continuasse pulsando, extasiado.

“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois, disse ao discípulo: ‘Eis aí, a tua mãe’ “
(Jo 19,26 – Evangelho da sexta-feira Santa).

Nesta troca de olhares, entre mãe e filho, o que mais Maria viu em seu Amado Filho? Maria de Nazaré, nossa Mãe, viveu e viu muitos momentos da vida de Jesus. Ela sempre estava lá, ao lado Dele. Silenciosa, amorosa, vivendo cada alegria, cada dor, cada movimento. Era como se o coração dela pulsasse em ritmo muito próximo do Dele. Ao imaginar este momento aos pés da Cruz, o que me vem à mente é que Maria, ao olhar nos olhos de Jesus crucificado, viu cada um/cada uma de nós em João. Ao olhar o Filho, ela nos viu como filhos. Diante de tantas coisas guardadas no coração de Maria, tudo ganhava novo sentido.

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo
de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava
escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.”
(Jo 20, 1-2 – Evangelho do Domingo de Páscoa)

Por que Maria procurou ver Jesus no sepulcro? “Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar.” (São Gregório Magno). Maria de Magdala procurava no sepulcro a Presença que transformou a vida dela. Mas procurou na ausência… E como esta ausência mexeu com ela! E continuou a buscar aqueles olhos que a libertaram dos fardos que ela mesma havia se imposto. Libertação que veio ao som daquelas palavras: “Eu também não te condeno. Podes ir e não peques mais.” (Jo 8,11). A procura seguiu e, quando foi chamada pelo próprio nome (Maria), ela o reconhece, o (re)encontra, o vê! “Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18). “Reconhece aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti.” (São Gregório Magno).

E eu, quem vejo em Jesus? Eu vejo o protagonista da grande história de amor da minha vida. O meu ponto de partida, o meu ponto de chegada. Deus absoluto e 2ª Pessoa na Trindade. Mistério, profundidade na simplicidade da vida. Jesus é quem sabe o meu nome e me conhece de maneira única (Ap 2,17). É alguém que dá sentido à minha vida e por quem vale a pena viver e morrer. Jesus me deixa desconcertada e deslumbrada.

Maria da segunda-feira Santa
Maria da sexta-feira Santa
Maria do domingo de Páscoa
Maria de todos os dias.
Marias de Jesus Ressuscitado.

Feliz e abençoado tempo pascal!

1140fa90-8b33-4bed-8968-e412a4cfce22Karine Estácio Gonçalves, é paraense, jornalista, católica, líder educadora na empresa Metanoia – Propósito nos Negócios, em São Paulo. É uma deslumbrada pela Criação, apaixonada pela espiritualidade beneditina e uma mulher com eterno coração de menina, que ama ver o lado bom da vida.

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.

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