Vou, volto ou parto

Há alguns anos li um texto muito interessante. Não sei se ele tem alguma validade científica, mas com alguma frequência me recordo dele à medida em que me leva a refletir sobre a minha relação com o meu trabalho e, consequentemente, com a minha casa.

O texto convidava o leitor a prestar atenção se, depois do trabalho, as pessoas diziam que “iriam” para casa ou se “voltariam” para casa. Sim, o verbo escolhido faz diferença.

Se ao final do seu expediente de trabalho, a pessoa diz que vai para casa, isso significaria que sua mente e seu coração estão no trabalho. Isto é, seus sentimentos e preocupações pertencem ao trabalho. Ir para casa é mais uma atividade na agenda, ou talvez uma explicação para descontinuidade do trabalho que o fim do expediente impõe, ou até mesmo um indicativo que a pessoa carrega para casa as preocupações do trabalho.

Se ao final do expediente, a pessoa diz que volta para casa, isso significa que sua mente e seu coração estão em casa, isto é, na sua família. Isso implicaria dizer que a pessoa valoriza mais o lar do que o trabalho. Voltar para casa significaria dizer que a pessoa é restituída ao lugar a que pertence, onde gostaria de permanecer.

Eu me considero uma pessoa que volta para casa, mas não julgo as pessoas pelas relações que elas têm com os seus trabalhos. Seguramente há momentos na vida, sentimentos ou razões para que uma pessoa tenha relações diferentes da minha.

O problema está a seguir.

Certo dia, em certo trabalho, compartilhei com os colegas sobre esse texto e, portanto, sobre a diferença entre as categorias de quem vai ou volta para casa. O texto estava ativo na memória. Ironicamente, neste mesmo dia, ao me despedir dos meus colegas, de maneira automática, disse “Estou indo embora”. Ao usar uma terceira opção, fui obrigado a refletir sobre ela. Ora, a expressão “ir embora” indicava o quanto eu queria me livrar daquele emprego. Eu tinha consciência de que não estava feliz ali, mas não imaginava que meu inconsciente enviaria um sinal tão evidente. E então concluí: era hora de partir.

 

Leonardo Prudente é casado com a Moema e pai de Matias, Agnes, Maria e de um anjinho no Céu. Escreveu esse texto com uma mão só, porque a Maria estava deitada no outro braço.

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