Liderança servidora em projetos sociais: o que é isso?

O líder deve ter a preocupação primeira de servir, no sentido de ajudar as pessoas a tornarem-se melhores e alcançarem resultados positivos. O que nos leva a refletir sobre os líderes que estão à frente dos projetos sociais e os motivos pelos quais talvez não estejam conseguindo auxiliar suas equipes, motivá-las, inspirá-las, para que alcancem os objetivos da instituição, mas também se realizem pessoal e profissionalmente.

Há muitos anos que atuo em projetos sociais e também já conheci centenas no Brasil e alguns no exterior. Partilho com você um pouco da minha história e do meu sonho de ser ponte para que projetos sociais se tornem cada vez mais histórias de sucesso e que se multiplique a alegria de servir. Aos 29 anos eu parti para a missão na Amazônia. Ao chegar lá me deparei com uma realidade muito diferente do sul, onde moro, e logo pensei como poderia ser uma agente de transformação para aquele povo. Depois de um tempo para conhecer a realidade, as pessoas, suas alegrias e necessidades, começamos a pensar projetos que poderiam ser transformadores. Formatamos projetos sociais junto à administração pública e outros parceiros para aulas de reforço e preparação para o vestibular para os jovens, entre outros. Ao deixar a missão, os projetos seguiram transformando a vida das pessoas. Estas experiências foram moldando meu coração e fortalecendo minha opção de trabalhar sempre para que muitos pudessem ter suas vidas transformadas. Para isto, estudei, me formei em Jornalismo, logo após fiz uma pós-graduação em Gestão de Projetos Sociais, e comecei a escrever projetos para várias instituições que me procuravam.

É verdade que também encontrei muita gente cansada, pela exaustiva missão de levar projetos sociais em frente. Percebi que precisava me aprofundar nos estudos e este aprofundamento me levou a entender dentro dos conceitos de liderança servidora, cinco rotas que os líderes e gestores dos projetos sociais precisam estar atentos para não sucumbir junto com as obras que lhes foram confiadas. São elas: servir feliz, responsabilidade social, captação de benfeitores e recursos, escrever projetos sociais de sucesso, gestão e comunicação.

Como chegamos nesta rota solidária? Conhecendo centenas de projetos sociais, trabalhando em alguns e depois estudando comunicação e gestão social voltada para este público. Abaixo escrevo resumidamente sobre duas destas rotas para que possam perceber o quão importante é aplicá-los nas intuições.

Servir feliz: A felicidade no servir está em saber que não estamos sozinhos na jornada diária. Por isso, é super importante conversar com toda equipe sobre gestão de felicidade, que engloba, entre outras coisas, cuidar da mente e do coração de cada membro da equipe e de seus líderes. Dentro deste tema de gestão da felicidade, tem outro ponto chave que são os hábitos transformadores, que, entre outros, são: ter tempo para pensar, organização, gestão de tempo, comunicação interna e externa.

Captação de benfeitores e recursos: Vamos entrar agora num dos pontos da rota que os projetos sociais mais necessitam trilhar, um caminho assertivo, e mergulharmos fundo na gestão do servir. Alguns passos que nos auxiliam nesta rota:

Localizador: Ou seja, onde está situado o Projeto Social? O que tem no entorno? Eu conheço os vizinhos? Sei que tipo de comércio tem próximo? Já fui visitar as empresas/comércios que têm no meu bairro apresentando? Seus vizinhos podem ser a base da benfeitoria de seu Projeto Social. Visite-os. Leve um folder, um cartão, convide-os para conhecer o trabalho que realiza. Anote depois de cada visita de que forma podem ajudar.

Às vezes as benfeitorias não são só financeiras. Precisamos de comida, remédios, pessoas e, também, de dinheiro. Mas o primeiro passo é conhecer estes talentos existentes em seu entorno, construir um canal de relacionamento e não pedir nada.

Planejamento: Sem planejamento não sabemos quais e quanto recursos necessitamos. O planejamento deve ser avaliado pelo menos semestralmente.

Rota de ação: Tendo em mãos os dados do localizador, o planejamento é o momento de traçar a rota de ação para conquistar o planejado. Por exemplo, se no planejamento vimos que para manter o projeto precisamos de R$ 10 mil por mês, a primeira coisa a pensar é: Quanto deste valor eu tenho seguro mensalmente? Depois, se falta uma parte, que passos vou dar para não viver mensalmente louco atrás de doações? Bem, como todas as outras ações, devem ser contempladas no plano.

A palavra chave desta rota é o PLANEJAMENTO. Nele, com a equipe reunida, surgem muitas ideias que podem ser ótimas. Ao fazer o planejamento e os planos de ação, irão perceber quão mais fácil vai ser captar recursos.

Os demais pontos da rota (responsabilidade social, escrever projetos sociais e gestão e comunicação), também devem ser explorados para o sucesso do líder servidor. A gestão servidora nos mostra ainda que servir é investir. Não pense que a palavra investir está relacionado somente ao dinheiro. Investir em pessoas quer dizer estar atento a elas, às suas necessidades. Com gestos simples, em datas especiais, como dia das crianças, pais, avós, envie uma mensagem, para seu colaborador desejando que este dia seja especial para ele e seus familiares. Investir é uma maneira de cativar. Um líder servidor é um líder feliz, mesmo que encontre obstáculos na caminhada, ele entende que está é a sua missão e segue.

Com os pontos da rota solidária você já pode começar a pensar em alinhar seu projeto social da forma que empreendedores de sucesso estão fazendo, que é a aplicar os conceitos de liderança servidora, em sua integra, em seus trabalhos profissionais e vida pessoal.

Os grandes sonhos nascem de corações despojados, de homens e mulheres fortes, que desejam transformar a sociedade, que precisam cuidar de si para cuidar do outro. Assim, teremos centenas de líderes servidores felizes na sociedade.

Olga Oliveira é Jornalista, Escritora, Consultora Social pós-graduada em Gestão de Projetos Sociais. Já atuou em várias frentes no campo da comunicação e gestão no Terceiro Setor. É diretora Nacional do NAM e realiza diversos trabalhos voluntários junto a outras instituições. Nos últimos três anos, já aprovou mais de dez Projetos Sociais junto a empresas e a instituições no Brasil e no Exterior. Organizou a comunicação de eventos nacionais e de âmbito local com a participação de milhares de pessoas, como o Festival da Família, Viva Floripa, entre outros. Coordena a Pastoral da Comunicação do Regional Sul 4 da CNBB. Ministra cursos de capacitação para ONGs e realiza trabalhos assessoria de comunicação.  www.oliveirassocial.com

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