Dia dos pais é todo dia

No último domingo celebramos o dia dos pais, não é? Dia 12 de Agosto, certo? Deixe-me contar por que não me fixo em uma data específica para celebrar esse dia:

Permita-me contar um pouco da minha história: Nasci em uma família de classe média, com meu pai trabalhando a vida toda em um aeroporto e minha mãe se esforçando em casa para ter certeza que tudo estava correto, roupa lavada, filhos alimentados e bem de saúde. Embora meu pai trabalhasse muito e, por várias vezes, à noite, muitas foram as vezes que ele me ensinou a usar prego e martelo, a andar de bicicleta sem rodinhas, empinar pipa, enfim…

Adolescência, como de costume, veio a fase da rebeldia (nem tanto assim), de achar que tudo o que meu pai fazia era errado, que do meu jeito era melhor, de querer ser diferente. Mesmo com tantos casos e problemas que eu mesmo criei, ele sempre esteve ali para me ajudar e nunca negou seu apoio quando pode me ajudar. Descobri que muitas vezes eu mesmo era a pessoa mais afetada por tudo o que se passava ao meu redor.

Depois de morar fora por conta da faculdade e de me casar, veio aquela sensação: “Ah, agora sou dono do meu próprio nariz”; “Posso sair de casa na sexta-feira e acordar às 10 da manhã sem ninguém reclamar”. Ledo engano.

Junto à idade adulta, vieram as contas para pagar, me vieram os “preciso levar o carro no mecânico sábado de manhã, pois trabalho toda a semana das 8 às 18”, vieram os “você já arrumou toda sua casa, pois sua namorada vem te visitar no final de semana”, e por aí vai. Enfim, descobri que TUDO AQUILO que sempre um dia critiquei e achei chato, a vida simplesmente me embutiu. Descobri que meu pai, de certa forma, se preocupava em me poupar de várias coisas desnecessárias para um menino e um adolescente. Descobri que ele, mesmo eu não percebendo, se esforçava ao máximo em criar sua família da melhor forma possível. Quantas vezes ele se esforçou, madrugadas a dentro, às vezes na chuva e frio, para poder pagar o uniforme da escola, a mensalidade de uma escola particular ou um certo capricho.

Aí veio o dia 13 de Janeiro de 2015, onde aquele pequeno ser de 55 centímetros e 3700g apareceu sem manual de instruções! Meu filho chegou ao mundo numa manhã de terça-feira e como mudou minha vida: sem pedir licença ele tirou meu sono, tirou minhas saídas de sexta-feira. Dormir até tarde no sábado então, nem sei mais o que é isso. Talvez o dinheiro não sobre tanto como sobrava antes, talvez eu use o mesmo tênis, já desbotado, por uma temporada mais. Talvez meus hobbies fiquem para depois, pois ele, como disse, chegou sem pedir licença e revirou a vida de ponta cabeça. Se hoje eu faria isso de novo? NUM PISCAR DE OLHOS. Tudo de novo, sem nem pensar. É nesse momento que nós, pais, entendemos a simplicidade, humildade e espontaneidade de uma criança, que te olha como se você fosse o melhor pai do mundo. Aquele pai que resolve todas as coisas que ela não consegue resolver, que amarra seus sapatos, que escova seu dente e até consegue substituir a mamãe em alguns momentos.

Ser pai para mim é descobrir que o amor que se sente por esse pequeno presente enviado por Deus é tão grande que até deixamos de dormir para que eles durmam, até deixamos de comer para que eles comam, que eles tenham roupa quente para ir à escola mesmo que nós tenhamos que usar a mesma roupa batida por mais um tempo.

Fecho esse texto com um texto que ouvi há muito tempo, que continua atual como nunca:

“ Aos 5 anos descobrimos que nosso pai é aquele super-homem: Sabe tudo, é forte, ajuda com tudo e é o melhor pai do mundo”

“Aos 12 anos descobrimos que nosso pai é aquela pessoa que nos incomoda: não quero que meus amigos me vejam com ele, que não precisa me buscar na casa dos amigos, pois “eu me viro pra voltar”

“Aos 18 anos, descobrimos que nosso pai é aquela pessoa que viveu no século passado e não sabe nada do que eu passo. É a pessoa que não me entende e é um careta”

“Aos 30, nós descobrimos que ele não é um super-homem, não é a pessoa que nos incomoda, não é a pessoa que viveu no século passado. Nós descobrimos que simplesmente somos iguais, em tudo, a ele. Que tudo o que ele fez, fez por amor”

Por isso é que, para mim, dia dos pais não deve ser comemorado só no segundo domingo de agosto. Comemore-o todas as vezes que você encontrar seu pai, todas as vezes que saírem juntos. Dê valor, e reconheça o valor, aquela pessoa que com certeza faria tudo de novo por você, pois um dia vocês terão que se despedir um do outro e depois dessa data, não há como voltar atrás.

Um grande abraço

 

gustavoGustavo H. Nilson
Engenheiro de telecomunicações, cristão, músico, ama fotografia, apaixonado por aviação, pai do Fred e marido da Veridiana. Mora nos EUA desde 2011 e acredita que o Brasil pode e deve dar certo!

 

 

 

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