A paternidade é terapêutica

Sabe aquela frase que pai e mãe sempre dizem: “no dia que você tiver os seus filhos, você vai me entender”? Ela é uma grande verdade. A paternidade é uma grande oportunidade para compreender os seus pais, perdoá-los e amá-los mais ainda.

A seguir, compartilho a minha experiência pessoal.

Em preparação para o nascimento do meu primeiro filho, prometi a mim mesmo que seria o melhor pai do mundo. Nove anos e duas crianças depois, já reconheci que não cumpri esta promessa. Eu erro, acerto, insisto, desisto, falho, relevo, peço desculpas, recomeço, tento de novo, erro de novo…

Enfim, na narrativa da vida, eu não sou uma personagem plana. Tenho alto e baixos, qualidades e defeitos, erros e acertos, vitórias e fracassos. Não sou o melhor pai do mundo, nem o pior. Sou um pai real, um pai imperfeito, cheio de defeitos e limitações, que gostaria sinceramente de ser o melhor pai do mundo.

No que tange aos meus filhos, reconhecer as minhas imperfeições e incapacidades me permite buscar a cada dia ser um pai melhor e não ser autoindulgente em relação ao meus erros de paternidade. É um processo tortuoso. O tempo joga contra. Os filhos vão crescendo.

Ao mesmo tempo, reconhecer as minhas imperfeições e incapacidades me permitiu perdoar as imperfeições e as incapacidades dos meus pais. Como eu, meus pais também foram e são pais cujas matizes psicológicas e situações da vida lhe fizeram ser pessoas com qualidades e defeitos, erros e acertos, vitórias e fracassos.

Ao passar pelas mesmas situações que eles passaram, e contextualizá-los em seu momento histórico, consegui entender o que sentiram, o que pensaram, como a cultura da época e suas histórias de vida o moldaram, e, sobretudo, os porquês das decisões que tomaram. E assim, pude curar muitos traumas de infância. Se eu não consigo ser assim hoje, com muito mais instrumentos do que tiveram, por que exigiria deles ter conseguido no passado? Minhas críticas a eles caíram por terra. As razões dos traumas desapareceram. Já não existia mais o que perdoar. Eu os entendo. Eu os amo.

Eu ainda quero ser o melhor pai do mundo. Mas, se eu não conseguir, espero que meus filhos possam me reavaliar e me perdoar. Eu os amo.

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Leonardo Prudente é casado com a Moema e pai de Matias, Agnes, Maria e de um anjinho no Céu. Escreveu esse texto com uma mão só, porque a Maria estava deitada no outro braço.

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