Algumas linhas sobre a liberdade

Há algum tempo venho buscando encontrar o verdadeiro conceito de liberdade. A defesa incessante de tantos por ela me chamava a atenção. Todos querem vivê-la inteiramente. Desde a hora de acordar até dormir, todos os dias.

Passei a achar pequena a ideia de “liberdade é fazer o que quiser, quando quiser, da forma que quiser”. O ser humano, segundo a antropologia de São Tomás de Aquino, possui duas potências: a inteligência e a vontade. Sendo inteligência o uso da razão – característica que diferencia o ser humano de outros seres – e vontade, que seria um “apetite” animal, uma espécie de instinto.

Pensei então que quando a liberdade é considerada fazer o que se quer, nada mais seria do que uma escravidão da vontade. Além de minar o uso da racionalidade,  aproximaria-se de um animal que age instintivamente, distanciando-se de um homem que age de forma inteligente.

A partir daí, ponderei que a autêntica liberdade se encontra quando dominamos a vontade com a nossa inteligência. Como levantar-se da cama na hora programada, vencer a preguiça para estudar, não comer o que faz mal à saúde, mesmo que seja uma comidinha saborosa.

Talvez não haja interesses em espalhar esta ideia de liberdade por aí, já que tiraria qualquer um de sua comodidade. Faria-o viver uma vida longe dos pequenos prazeres momentâneos para alcançar grandes ideais.

Mas com o passar do tempo, passei a acrescentar algumas outras questões a este conceito de liberdade que encontrei. Relacionei a liberdade ao amor.

Antes, uma breve pausa para falar sobre o amor. Está aí um outro conceito que acaba deturpado por alguns. Fazem dele um sentimento prazeroso e eufórico da satisfação pessoal. “Amo aquilo que é prazeroso”. Não, isso não pode ser o amor.

Amor é dar-se. E nada mais dói do que sair de si. Amor mais do que oposto ao ódio, é oposto ao egoísmo. É abrir mão de vontades pessoais para o bem de outros. Uma mãe entende o que é amor porque está inteiramente disposta a atender às necessidades de um filho. Não dorme para acudir ao choro. Amamenta por mais dolorido que esteja o seio. Um banho rápido, um jantar frio. Tudo para o bem de alguém que não tem nada a oferecer. Na verdade, ela nem se importa se há algo para receber em troca. Isso é amor.

O homem tende a procurar a felicidade. Dentro dele há um desejo de plenitude que quem conduz é o próprio amor. Engana-se quem pensa que a felicidade é atingida no meio natural. É preciso sobrenaturalizá-la já que não está em nenhum bem limitado, como diz Jutta Burggraf. Ela nos tende ao infinito.

A nossa razão e a nossa vontade devem nos levar a esta plenitude infinita. Ou seja, uma ação será verdadeiramente livre quando for caminhada para o amor. Se a liberdade é dominar a vontade através da razão e a nossa plenitude é encontrada no amor, a genuína liberdade é atingida quando se busca o amor.

Aos filósofos, perdoem-me por estas linhas. Não estou aqui baseada em nenhuma escola filosófica, mas em uma moção. Escrevi apenas o que demorei algum tempo para entender. Que a liberdade nada é sem o amor.

 

merlice

 

 

Marlice Pinto, 24 anos. Jornalista por formação mas que substituiu textos por planilhas apesar de morrer de saudade deles. Seu maior sonho é casar. Só falta aprender a passar camisa, ser paciente, comer melhor, tirar mancha de molho, testar mais receitas, ter um salário melhor e umas outras coisas.

 

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2 comentários sobre “Algumas linhas sobre a liberdade

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