Viver e não ter a vergonha de ser feliz

A sociedade de consumo diz pregar constantemente a liberdade como um valor essencial para o ser humano. Mas, na minha visão, nunca estivemos tão escravos do dinheiro, da compulsão emocional, do trabalho e um longo etecetera… A todo momento, somos sugadas pelo celular, que não para de mostrar notificações, notícias, avisos de redes sociais e outras coisas “importantíssimas” que não podem esperar algumas horas para serem vistas, se não desaparecem para dar lugar a outros fatos. Desde a hora de acordarmos até a hora de nos deitarmos, corremos contra o tempo, numa correnteza de tarefas, demandas, deadlines (inclusive, essa palavra reflete quase uma ideia de tortura do tempo sobre nós) e pendências, que frequentemente temos de deixar para o dia seguinte porque nossas 24 horas do dia não deram conta de resolver… Inclusive, quando já estamos no silêncio de nosso quarto, prestes a adormecer, muitas vezes os olhos parecem não querer se fechar diante do panorama desolador que temos à frente, e mais uma vez demoramos para pegar no sono…

Como estudante de Jornalismo e estagiária em uma redação movimentada, em que você é estimulada a ser o mais rápido possível e o tempo frequentemente é um inimigo, percebo que somos constantemente pressionados a dar nossa máxima capacidade de execução de tarefas, muitas vezes até o esgotamento, e isso estava me fazendo mal. Andava desanimada com a faculdade, com o trabalho, com a família, como se tudo fosse apenas mais um item no meu checklist diário, e não conseguia parar para refletir sobre nada. Estava constantemente ansiosa, com a impressão de que nunca conseguiria fazer tudo o que precisava. De repente me peguei perguntando: do que adianta fazer tantas coisas, se você não se sente feliz, se isso não te ajuda a crescer?

Sempre gostei do que faço, mas percebi que faltava uma dose importante em todo o meu dia: ter um ideal pelo qual lutar. Fazer as coisas não porque elas devem ser feitas, mas porque quero fazê-las e vão levar o bem para muitas outras pessoas. Para isso, encontrei um refúgio: fazer um pequeno tempo de meditação todos os dias, conversando refletindo sobre os temas de minha vida, minhas preocupações, minhas alegrias… Sempre evitando pegar no celular. E foi impressionante a mudança! Continuei fazendo tudo o que já fazia, mas agora com uma nova cor e um sentido, talvez o mais importante. Algo que também me ajudou muito foi defender toda semana um tempo para atividade física e alguma coisa para descansar, como ler ou escrever. Não é um desperdício, e sim um investimento em si mesma (para não sair enlouquecida durante a semana, atropelando os outros), e algo que traz qualidade de vida.

Vejo que a liberdade não é simplesmente jogar tudo para cima e que se danem os outros, pois quero ser feliz… Seríamos escravos do nosso egoísmo nesse caso. Ser livre é ter um sentido na vida, é querer se superar cada dia um pouco, usar seu trabalho para mudar o mundo, aproveitar as amizades e pessoas ao seu redor. O relógio vai continuar girando e as tarefas vão continuar surgindo, mas agora tudo caminha para uma meta, para um ideal de vida! Acho que muitas pessoas estão tristes hoje porque não têm ideais altos. Dependem de que outros digam o que fazer, porque não sabem para onde ir.

Que tenhamos muitos propósitos altos na vida e façamos de tudo para alcançá-los: só assim seremos livres e donos de nossa própria vida! E para descobrirmos isso, é preciso darmos um tempo para nós mesmos, parando, refletindo e descobrindo nossa própria identidade. Depois, ninguém será capaz de nos impedir de atingir esses sonhos.

O que vale é viver e não ter a vergonha de ser feliz!

LUISA LAVAL

Luisa Avanci Laval

É difícil definir alguém tão indefinido, mas aqui vão algumas tentativas: estudante de Jornalismo, moro no coração desse Brasil, apaixonada por escrever e pela poesia, com uma queda pela fotografia, sonhadora (daquelas bem voadas). Blog de um projeto de escritora: fatoscronicos.wordpress.com

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com . 

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