Tudo bem com seu corpo?

Corpo magro, corpo gordo, corpo eutrófico, mesomórfico, corpo em forma de pêra, de maçã. corpo triângulo, corpo oval, corpo número 36…

Crescemos vendo e falando dos nossos corpos apenas por esses olhares: da métrica, do peso, da configuração, dos modelos e das semelhanças. Se tirarmos essa construção, o que nos sobra?Muita insatisfação e muito sofrimento. O corpo por estas facetas se torna engaiolado, como um pássaro sem asas e sem bico, sem permissão para cantar, sem permissão para voar. Não em uma casa, não em um lugar extraordinário e mutável com o desenho mais perfeito.

Não seria nosso corpo mais que medidas e formas?Quais características tem seu corpo? O que ele te permite e permitiu fazer? O que só o seu corpo tem e mais ninguém? Quais as alegrias e experiências que ele possui?Que histórias conta? Que cheiro, gosto ele tem? Como ele sorri? como ele se entristece? Qual seu toque e qual seu movimento? Quem está aí dentro dele? Quem ele te permite ser?

Postos como objetivos, alcançar a tão sonhada melhora da relação com a comida e com o corpo, vem tornando-se obstáculo. Ainda apegados à ideia de que só haverá felicidade quando se chegar lá, perde-se o mais precioso: as (re)descobertas, (re)aprendizados e ressignificações  de histórias de uma vida inteira. Do diferenciar-se de como moldamos nosso olhar para nossos corpos pelas perspectivas e experiências de nossas mães, da cultura e da sociedade.

 Ninguém sabe mais de nós que nós mesmos, nem o melhor analista do mundo saberá. Estamos “esquecidos” dos sinais internos que nos guiam, que lá nos primórdios das nossas vidas nos marcaram. Estamos deixando nas mãos da velocidade dos tempos modernos, do fast, da propaganda, do outro, do que nos dizem pra comer, o que comer, quanto comer. Confiar é deixar fluir nossa intuição, e aceitar que o que seu corpo e seus sentimentos dizem são sua sabedoria. Claro que ter ajuda, principalmente profissional, é muito bom, mas não deve ser a palavra final, pois ninguém sabe dizer melhor o que você está sentindo do que você mesmo. 

Os objetivos podem ser atingidos ao permitir-se entender o processo, aceitando o que se é e tem agora, usando a imaginação  para fazer diferente, valorizando o que faz sentido, criar um novo modus operandi, sendo menos crítico, dando tempo ao tempo. Sem tanta pressão de resultados e se (re)conhecendo melhor. Relação positiva com comida e corpo como um meio e não como um fim. Descubra que corpo é esse que anda com você. 

Trabalhar para ter um olhar amável e livre de preconceitos em relação ao nosso corpo vai valer a pena. Vai nos ajudar a ter essa visão em relação ao mundo exterior e ao corpo das outras pessoas também.

 

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Daniella Ribeiro Saad é  especialista em transtornos alimentares pelo Hospital das Clínicas de São Paulo

 

 

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