Este estudo ainda é muito recente

Num dia desses eu estava tomando um café com uma amiga e conversávamos sobre os desafios da maternidade, de como é difícil educar um ser humano e de como essa experiência nos transforma de um modo que nenhuma outra vivência é capaz de fazer conosco.

Hoje em dia há uma gama de livros e recomendações de como se criar um ser humano emocionalmente saudável, independente, capaz de lidar bem com os conflitos da vida, bem resolvido e por aí vai. Nos empurram tantas regras: não deixe seu filho ficar exposto por mais do que vinte minutos diários a telas, não diga ‘não’ para o seu filho, mude o verbo ao falar tal coisa, não coma isso, não repita tal palavra, é melhor isso, é melhor aquilo. É de enlouquecer qualquer pessoa essa lista de obrigações perfeccionista.

É só eu precisar tomar banho, arrumar a casa ou fazer qualquer outra tarefa sem que meu filho se agarre às minhas pernas e comece a chorar que ligo a televisão e o deixo sob os cuidados de Bita e sua turma. Mas aí o que vem? A culpa, claro. E por que isso? Porque eu tenho impregnada em minha mente essa ‘bendita’ lista perfeita de como criar “um filho de cuca legal”.

Era justamente sobre isso que eu conversava com essa amiga. Conversa vai, conversa vem ela disse esta frase: “este estudo ainda é muito recente”. Não sabemos se os testes de educação que aplicamos com tanto empenho e rigor hoje em dia darão certo.

É possível que cheguemos ao futuro concluindo que não estávamos tão certos como acreditávamos piamente que estivéssemos. É possível que cheguemos à conclusão que a educação que recebemos de nossos pais não continha tantos erros assim. Ou pode ser que concluamos que, sim, estávamos certos, essa lista é difícil porque é o melhor mesmo para os nossos filhos.

Enfim, tudo o que sabemos é que este estudo ainda é muito recente, não há comprovação suficiente de sua eficácia a longo prazo. Por enquanto, eu sigo no possível, apostando sempre nos velhos valores de amor, respeito, perdão e reconciliação. Não fui a mãe perfeita hoje, amanhã me esforçarei para ser, ao menos, melhor do que hoje.

Sigo em testes e você também deve seguir, mas nos lembremos sempre que estivermos à beira da loucura: este estudo ainda é muito recente!

 

juliana moreiraJuliana Moreira é brasiliense de certidão e coração, casada, mãe de um menino, com formação e atuação profissional em direito, mas amante da literatura. Extrovertida e sorridente. Adora conhecer pessoas, viajar, comer bem e desfrutar a vida na companhia de sua família e de seus amigos. Apaixonada por livros. Tem a escrita como terapeuta preferida. Católica que tenta sempre se aproximar mais de Jesus Cristo e aprender dele o bom caminho. Idealizadora do @eumaeleitora

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10 comentários sobre “Este estudo ainda é muito recente

  1. Parabéns ju, excelente texto. Não tenho filhos, ainda, mas quando tiver, vou lembrar dessas palavras quando aquela boa e velha surtadinha vier bater na minha porta. No final das contas o que as crianças vão mesmo lembrar é do amor doado sem medida. Sem neuras. Família não tem receita….

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  2. Hoje em dia, com tantas regras e pressões sociais, é muito chato ser mãe. Mas não a mãe dos nossos filhos, e sim, a mãe perfeccionista da sociedade exigente (intolerante). Belo texto amiga! ❤️

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    1. É isso, Fê! Ser mãe de nossos filhos é maravilhoso, mas encarar essa cobrança infinita é de deixar qualquer um desestabilizado! Sigamos o nosso coração, coloquemos amor e vamos em frente!!! ❤️❤️❤️

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  3. Sou uma mistura “mãe raiz/mãe nutella” e acho que tem que ser por ai…..cada mãe dá o melhor de si para seu presente de Deus e é um aprendizado constante ser mãe. O único sentimento que tento controlar pra nao sentir é o de culpa, pq em nenhuma hipótese, nao faria nenhuma escolha ruim (proposital) para minha filha. Se errar, foi tentando acertar, entao pq a culpa? Isto inclui até erros que os outros julgam como tais e que na verdade, não são tão erros assim (a TV por mais de 20 min, por exemplo) Beijooos Ju.

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    1. É isso, Lu! Mas é uma luta constante com essa culpa… mas mãe merece todo desconto e mais um pouco! Só quem enfrenta esse desafio diário sabe quão árdua e linda é essa missão! ❤️

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  4. ótimo texto, Ju! uma dica importante que ouvi foi “observe seu filho”, sempre que tenho alguma dúvida, ou começo a sentir aquela culpa, eu penso, mas olhando o meu pequeno, acredito que ele reagiria assim… e assim, como que um “instinto” vou buscando aceitar! quanto à tela, por mais que seja recente, tô evitando ao máximo mesmo! ehehehehe

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    1. Obrigada, Heloisa! Gostei dessa dica, afinal, cada ser humano é um universo diferente! Também acho que a exposição a telas deve ser reduzida, a gente vai tentando… um dia vamos mal, no outro melhor… essa é a vida!

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  5. Parabéns Júlio pelo texto!

    Todo ser precisa de regras… ai que vem a dificuldade de inserir essas tal regras na vida desse ser.
    O principal para esse ser é amor, carinho e ser família, porque hoje em dia a “família” estar em extinção. Sendo que essa extinção é uma prorrogativa desse desse ser que precisa dessa família a todo momento da vida.
    Não importa se já estar atuldo que sempre vai precisar da família, do afeto, do afago, do amor é acima de tudo do comprometimento do ensino dessa família.

    Ahhh não existe regras para educar um ser, é sim viver constantemente para esse ser.

    😉

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