Em 2020…

Em 2020, fui testada em todos os meus limites (emocional, psicológico, físico, social, materno, familiar, afetivo, financeiro, profissional… em um pouco do meu todo, fui mexida de alguma forma).

Saindo da minha bolha, 2020 testou os NOSSOS limites.

2020 nos questionou, nos desafiou, limitou, tirou a nossa liberdade, mexeu com a nossa fé.

2020 desfez laços, refez estruturas, fortaleceu vínculos, trouxe rompimentos.

2020 definiu prioridades, expôs as fragilidades, nos constrangeu em nossas futilidades.

2020 nos desnudou, nos encheu de amarras, nos impôs máscaras que não foram capazes de esconder quem realmente somos quando nossos instintos mais primitivos são despertados. 

2020 foi capaz de mexer no calendário, transformar 24 horas em eternidade, fazer meses (e festas desaparecerem).

Em 2020, os aniversários foram em casa, os feriados se confundiram com dias comuns.

2020 conseguiu esconder nossos sorrisos, impedir os abraços, fez crescer o medo. 

2020 nos provocou a fazer escolhas, a julgar o bem e o mal, a olhar para o lado e proteger (ou não) desconhecidos.

2020 nos colocou dentro das nossas casas, nos forçou a conviver, mostrando a importância de parar e olhar para dentro de nós. E nos incomodamos com isso, queríamos o que estava além muros, o que mostra o quão necessário é refletirmos sobre o que o isolamento provocou em nós. Quantos de nós descobriram algo novo em quem está ao nosso lado todos os dias, e que nunca imaginávamos por não poder estar perto diariamente. Muitas relações não sobreviveram; tantas outras, ao contrário, se fortaleceram; outras, renasceram…

2020 nos forçou ao diálogo e impôs o silêncio.

2020 nos permitiu, ao menos, nos despedir do que éramos no carnaval… depois, tudo mudou.

2020 fechou escolas, comércios, igrejas. Mexeu no que era inabalável. Alterou o calendário, modificou as nossas vidas. E também tirou a vida de centenas de milhares de pessoas que eram o sorriso e a razão de viver de alguém, exterminando o futuro de quem lutava diariamente para viver (e há quem duvide, até que a morte bata à sua porta).

Em 2020, tivemos que nos reinventar. Há poucos dias do fim desse ano, 2020 ainda se mostra forte para acabar com as festas de final de ano, cancelar confraternizações, suspender o Natal com a família toda reunida, em que nossa união é reforçada pela mesma cor, a oração reforça a nossa esperança e desejo de dias melhores. O dia em que lembramos o que realmente importa. Nunca foi tão necessário um momento como esse, que não poderá ser realizado como antes. O abraço será adiado, os brindes foram interrompidos, as fotos não serão tiradas. Ficará aquela sensação… e se tivéssemos feito diferente?

Em boa parte de 2020, fiz a minha parte. Hibernei em casa, impedi meus filhos de socializarem, me afastei da família. Não encontrei meus amigos. Segui os protocolos…. mas, em meio ao cansaço, à fraqueza de quem é de carne e osso, me permiti… fiz escolhas, coloquei o outro em risco, me arrependi.

2020 veio para ensinar a valorizar o pouco, o essencial, o trivial. O que realmente importa para você?

Muitas vezes, escolhemos o risco para, de forma contraditória, viver. Viver a sensação de normalidade que, na correria de um passado não tão distante, não demos a devida importância. Ao refletir, perdi a respiração. E, ao final desse ano, peço a Deus, apenas:

“e não nos deixeis cair em tentação, 

Mas livrai-nos do mal.

Amém”.

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Nayane Taniguchi é jornalista, esposa, dona de casa, mãe. Apaixonada pela família e pelos filhos. Ousa brincar, interagir com as palavras e comentar sobre a intensidade da vida real. A maternidade tem sido seu grande aprendizado e lição, que ela compartilha no perfil @pedefralda

Muitas Marias apresenta artigos originais sobre o cotidiano feminino. Saiba como enviar seu texto clicando aqui ou escreva para  contato@muitasmarias.com

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